Ultimato do Bacon

As Melhores Graphic MSP – Todas as Graphic MSP

Em 16 de Abr de 2021 17 minutos de leitura
As Melhores Graphic MSP

Você sabe quais são todas as Graphic MSP já lançadas? E quais são as melhores Graphic MSP na sua opinião?

O selo iniciado em 2011 por idealização do editor-ídolo Sidney Gusman na casa editorial da Turma da Mônica teve provavelmente origem no projeto comemorativo MSP 50 de 2009, que teve um título homônimo, MSP +50, MSP 50 Novos Artistas e Ouro da Casa.

De lá pra cá já são 34 Graphics MSP, das quais 30 já estão publicadas – a mais recente é Chico Bento Verdade de Orlandeli, publicada em março de 2021 – e mais 4 títulos anunciados para 2021 e 2022.

Apesar de ser fácil e simples encontrar a lista completa – incluindo os anunciados – na Wikipedia, nossa matéria de hoje pretende listar todas as Graphic MSP, agrupando as sequências para que o leitor conheça um pouco das aventuras que estão conectadas e as que são one-shot, únicas, e que provavelmente não terão continuação.

No final, listamos as melhores Graphic MSP na opinião dos autores desta matéria. Sabemos que elencar “a melhor” obra em qualquer área é algo complicado, exige parâmetros e conhecimento e compreensão de todo o objeto analisado.

Para definir as melhores Graphic MSP, o Ultimato do Bacon chamou os dois redatores que acompanham o selo desde o início – e leram TODAS as publicadas até aqui. Os critérios escolhidos foram a originalidade do tratamento e a qualidade da adequação ao material original; a originalidade e qualidade do roteiro; qualidade da arte e adequação da mesma ao tema; e, claro, o gosto pessoal dos redatores.

Como toda lista de “melhores” aqui do UB, sabemos que a nossa não é unânime. Então se você discorda, comenta com a gente nas redes sociais. Vamos adorar saber sua opinião.

Não deixe também de conferir nosso podcast especial sobre as HQs aqui!

Com esse preâmbulo, sem mais delongas, vamos à lista!


Índice

Todas as Graphic MSP – As sagas e one-shots

Astronauta de Danilo Beyruth

A saga do Astronauta de Danilo Beyruth começou em outubro de 2012 e se encerrará no sexto volume em setembro de 2022. Em 10 anos, Beyruth conseguiu estabelecer um arco narrativo que ao mesmo tempo respeita elementos essenciais do Astronauta de Mauricio de Sousa e vai além, emprestando muito das narrativas cósmicas de Jack Kirby e Jim Starlin na Marvel e na DC – com fortes pitadas do sci-fi cinematográfico.

Se você se pegar comparando a saga a Novos Deuses da DC; 2001: Uma Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick ou ainda a Alien: O Oitavo Passageiro de Riddley Scott, fique tranquilo. São efeitos esperados pela jornada.

Com cores de Cris Peter – que agregam demais ao estilo narrativo de Beyruth corroborando a qualidade a cada quadro e remetendo mais uma vez aos comics americanos – o Astronauta de Danilo Beyruth é uma jornada através do universo… que existe em cada um de nós.

Espere por uma saga de auto-conhecimento, reflexões e ponderações a respeito do poder e das consequências das escolhas que fazemos na vida. Não disse que a saga de Beyruth respeitava o conceito original de Mauricio de Sousa?

A aventura completa é composta por Astronauta: Magnetar (2012), Astronauta: Singularidade (2014), Astronauta: Assimetria (2016) (também em vídeo), Astronauta: Entropia (2018), Astronauta: Parallax (2020) e o sexto e último volume, ainda sem título oficial, anunciado para setembro de 2022. Confira nossas reviews de cada uma delas clicando nos títulos.


Turma da Mônica de Vitor e Lu Cafaggi

Capa de Laços, que ganhou adaptação para os cinemas: trilogia emocionante.

Vitor e Lu Cafaggi são irmãos e essa informação é importante. Dois irmãos que cresceram lendo aventuras da Turma da Mônica original – cujos personagens são inspirados nos amigos de infância, filhas, filhos e parentes de Mauricio de Sousa – não teriam melhor grupo de personagens para adaptar do que a própria turminha.

A sintonia entre o roteiro de Vitor e a arte fofíssima de Lu emana da bela relação fraternal entre os dois. Não é a toa que o título de estreia, Turma da Mônica: Laços (2013) é a base de inspiração para o longa homônimo de 2019 dirigido por Daniel Rezende.

Com duas sequências, Turma da Mônica: Lições (2015) e Turma da Mônica: Lembranças (2017), a trilogia dos irmãos Cafaggi tem muito mais um sabor de spin-off da série original do que uma reinvenção ou reimaginação, mostrando assuntos que nunca ou apenas de maneira abreviada foram abordados na Turma da Mônica de Mauricio de Sousa.

A trilogia mostra como os vizinhos se conheceram e alguns fatos que os uniram, dividiram, reuniram e fizeram com que mantivessem a amizade mesmo depois da tenra infância. Com um conteúdo altamente emocional, especialmente para os fãs hardcore da turma original, não está na lista de melhores Graphic MSP justamente por ser fiel “demais” à obra base. Mas é, incontestavelmente um trabalho impecável e de altíssima qualidade.


Chico Bento de Gustavo Duarte

Chico Bento Pavor Espaciar
Chico Bento e seu primo Zé Lelé no traço de Gustavo Duarte em Pavor Espaciar

Gustavo Duarte é um artista único. É difícil encaixar o estilo dele em alguma “caixinha”. Quem conhece as obras dele – que vão desde as autorais Có!, Birds, Monstros, Live at Có! Studios e Não Acredite em Gnomos até Bizarro, realizada para a DC Comics – sabe bem do que estou falando.

Duarte é especialista em narrativas silenciosas – como nos filmes mudos, suas cenas possuem toda a expressão necessária para a trama, o que torna os diálogos desnecessários.

Em Chico Bento: Pavor Espaciar (2013), o autor conta um típico “causo” da roça, uma história de abdução vivida por Chico Bento e Zé Lelé. Considerada por muitos uma das melhores Graphic MSP, a trama é repleta de easter egss da cultura pop e o humor é deliciosamente escrachado, especialmente com os clichês do sub-gênero de “contatos imediatos” dentro da ficção científica.

Duarte estabelece uma trama simples e rápida que podia tranquilamente ser uma das aventuras do Chico Bento clássico. No entanto as grandes mudanças ficam por conta da já mencionada estrutura narrativa do autor e de seu inconfundível traço cartunesco e estilizado, que deixa tudo ainda mais engraçado e divertido.

Infelizmente, ao que parece, este título parece ter sido um verdadeiro one-shot e dificilmente terá continuações.


O Piteco de Shiko e Eduardo Ferigato

Piteco no traço de Eduardo Ferigato: continuação da HQ de Shiko

A saga de Piteco nas Graphic MSP é um caso especial. Composta por Piteco: Ingá (2013), escrita e desenhada pelo inigualável Shiko e continuada em Piteco: Fogo (2019), escrita e desenhada pelo sensacional Eduardo Ferigato, até agora a saga é a única em que houve mudança de autor.

Muitos especulam os motivos da saída de Shiko do projeto, mas para nossa lista isso é algo completamente irrelevante. Fato importante é que o arco que está sendo contado segue e Eduardo Ferigato já está trabalhando no terceiro volume da aventura, prometido para 2021.

Ambos autores trabalham com os elementos clássicos do Piteco de Mauricio de Sousa – Thuga querendo casar com Piteco, os dilemas da busca por água e comida na aldeia de Lem e mais – de maneira mais realista e buscando apoios em situações plausíveis para os primeiros humanos do Brasil.

Espere sim diferenças entre o tratamento de cada autor, da mesma forma que estamos acostumados a ver alguns super-heróis no traço de diferentes equipes criativas nos grandes arcos e eventos. Mesmo porque, entre a trama de Shiko e a de Ferigato, “muitas luas” se passaram…

A trama em si é fluida e podemos ver uma narrativa de evolução, amadurecimento e legado para o velho “homem das cavernas” que ajudou Mauricio de Sousa a se consolidar nos anos iniciais de sua carreira.


Bidu de Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho

Bidu
Teaser de Bidu: Caminhos de Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho

Como toda história de bichos, como os clássicos “Marley e Eu” e “Dewey: Um Gato entre Livros”, é impossível passar por Bidu: Caminhos (2014) e Bidu: Juntos (2016), sem se apaixonar.

Em Caminhos, Bidu era um cachorrinho de rua que passa por diversas situações de sobrevivência “clássicas” de animais de rua, como fome, frio, chuvas, perseguidores, animais mais agressivos… mas Bidu vai construindo seu caminho e “passando” por estas situações, enquanto que, paralelo à isso, vemos um Franjinha procurando de todas as formas, um cachorrinho.

Já em Juntos, Bidu encontrou em seu caminho o nosso querido Franjinha. Mas a realidade tende a ser mais complexa do que o esperado e Bidu e Franjinha vão descobrir que amizade é mais difícil do que parece.

Quem tem catiorríneos sabe que não é uma tarefa simples. Vivemos tentando nos adaptar ao temperamento e às vontades do bichinho, bem como ele também tenta se adaptar às regras da casa. Esse não é um caminho fácil, mas Juntos é muito gostoso.

Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho são dois mineiros incríveis que trabalham de forma muito interessante nesta HQ. Nos extras das HQs temos um pouco da exploração deste processo criativo à 4 mãos que eles fazem e traz um ótimo resultado.

As duas HQs do Bidu são lindas, com uma solução gráfica interessantíssima para a comunicação entre os animais e com um apelo emocional grande – com aquela lágrima marota escorrendo, quando Bidu e Franjinha finalmente se encontram.


Penadinho de Paulo Crumbim e Cristina Eiko

Penadinha Lar Crumbim Eiko
A Turma do Penadinho em Penadinho: Lar

Penadinho: Vida de maio de 2015 e Penadinho: Lar de julho de 2020 foram duas das maiores e mais esperadas Graphic MSP.

Penadinho e sua turma sempre foram personagens incrivelmente populares. O Lobisomem, o monstro de Frankenstein, o Drácula (ou Zé Vampir)… todos personagens já sedimentados no imaginário popular, transformados em histórias infantis e aqui, reimaginados pela ótica dos parceiros (de vida) Paulo Crumbim e Cristina Eiko.

Uma MSP do Penadinho chamada Vida, de cara seduz pelo paradoxo proposto no título. Na história, Penadinho descobre que Alminha vai reencarnar e ele precisa dizer que a ama antes que seja tarde demais. Claro que tudo dá errado antes de enfim dar certo.

Eu achei tão bacana a forma como eles fazem um paralelo espelhado da nossa relação com o fim da vida. Se a história é envolvente e agradável, a arte, para mim, é o ponto alto dessa HQ.

TODOS os personagens têm o design reinventado de forma LINDA. O próprio Penadinho, que talvez tenha o design mais simples de todos os personagens do Maurício de Sousa, ganha um traço ainda mais simples, mas cheio de identidade e expressão e as cores utilizadas são lindas de morrer (me desculpem o trocadilho).

Em Lar, o plot é outro. A turma vai até o escritório da Dona Morte, num prédio desses que (aparentemente) está abandonado. Mas o que até a própria Morte ignora é o fato do prédio ter vários moradores nos andares inferiores. E quando um incêndio coloca em risco a vida dos moradores do prédio, a turminha vai ter que sair das sombras e dar as caras.


Turma da Mata de Artur Fujita, Roger Cruz e Davi Calil

Turma da Mata Muralha
Turma da Mata: Muralha – aventura de alta octanagem

Uma das obras que consideramos uma das melhores Graphic MSP é Turma da Mata: Muralha (2015). Apesar disso não ser uma unanimidade entre os fãs, entendemos que o roteiro de Artur Fujita extrapola muito – muito mesmo – os conceitos originais da Turma da Mata de Mauricio de Sousa.

Da pegada mais humorística e às vezes sentimental das tiras sobrou muito pouco e os conceitos que Fujita usa são basicamente as relações entre os personagens como o romance entre Jotalhão e Rita Najura; a amizade com o compadre do casal, o Coelho Caolho; a parceria de Tarugo e Raposão e o antagonismo do Rei Leonino.

Todo o resto é uma mudança drástica. A arte impecável de Roger Cruz dá ares de aventura de alta octanagem para a HQ e as cores de David Kalil também seguem impecavelmente a cartilha dos comics americanos.

A narrativa tem sutilezas e contornos de grande épico, com um sabor de Thundercats (1985 – 1990) ou da saga Star Wars – que obviamente influenciou o desenho animado da Rankin-Bass.

Exatamente por esse salto gigantesco entre a obra original e a adaptação das Graphic MSP, Turma da Mata: Muralha parece não ter caído no gosto do público e os fãs apaixonados dessa tentativa ficarão, provavelmente, sem ver os inúmeros desdobramentos que a aventura inicial lançou. Uma pena.


Louco de Rogério Coelho

Graphic MSP Louco Fuga 4
Rogério Coelho não segura na experimentação em Louco: Fuga

Outra Graphic MSP que até agora parece ser one-shot é Louco: Fuga (2015) de Rogério Coelho. Apesar de nunca ter encontrado pessoalmente o autor, descobri recentemente que somos quase vizinhos – uma questão de 4 ou 5 quadras de distância.

Mas estou devaneando. Talvez a mais ousada das Graphic MSP, a HQ explora narrativa e visual de uma maneira pouco usual – sendo material de análise neste vídeo do Sobrecapa – porém de maneira extremamente competente.

A forma como Rogério Coelho trata a loucura de Licurgo Orival Umbelino Cafiaspirino de Oliveira é onírica, lisérgica e deixaria Lewis Carroll e L. Frank Baum orgulhosos. Para além das inspirações em Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz, ainda seriam facilmente comparáveis, no cinema por exemplo, obras como O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (2009) ou Labirinto – A Magia do Tempo (1986) e seus congêneres.

A obra de Coelho é louca. Muito louca. O que na gíria é o mesmo que dizer “genial”. Fugitivo de um reino encantado, o personagem busca a chave para libertar um pássaro feito prisioneiro por guardiões silenciosos. Atravessando o tempo e o espaço, o titular da história atravessa dimensões e mostra diferentes versões de si, numa metáfora belíssima e extremamente profunda para conceitos como “fuga”, “loucura”, “sanidade”, “liberdade” e “felicidade”, para nomear apenas alguns.

Além de uma das melhores Graphic MSP para quem procura algo “extra”, é uma das essenciais na minha opinião.


Papa-Capim de Marcela Godoy e Renato Guedes

Papa Capim Noite Branca
Realismo e clima de terror em Noite Branca: uma das melhores e mais corajosas HQs do selo.

Marcela Godoy e Renato Guedes são os autores de Papa-Capim: Noite Branca (2016). Décima primeira HQ do selo, a obra foi duramente criticada pelos fãs mais ferrenhos das criações de Mauricio de Sousa que não gostaram da arte de Renato Guedes e não se conectaram com o roteiro de Marcela Godoy.

Porém, aqui no Ultimato do Bacon reconhecemos Noite Branca como uma das mais ousadas e melhores Graphic MSP de toda a coleção. O roteiro de Godoy não só é impecável, mostrando a verve para obras de terror e suspense às quais a autora está mais do que familiarizada.

A pesquisa antropológica, histórica e literária mistura no mito da HQ dos Noite Branca relatos históricos de indígenas canibais – os Tatus Brancos, que aterrorizavam os bandeirantes – com vampiros e manifestações sobrenaturais.

A essencial mistura transfere a “maldade” da história para algo “além desse mundo”, mantendo a isenção necessária para uma história com o selo “Mauricio de Sousa”. E com isso, a arte de Renato Guedes está livre para representar – de maneira impecável e realista – uma bela história de terror.

Assim como em Turma da Mata: Muralha, a obra infelizmente mantém do original somente a relação básica entre os personagens e talvez por isso tenha causado pouca familiaridade nos leitores mais fanáticos. No entanto, é uma obra corajosa, impecável e que infelizmente – a não ser que o Sidão nos surpreenda – não terá continuações.


Mônica de Bianca Pinheiro

Monica Forca
Monica: Força é o primeiro volume da personagem apresentado por Bianca Pinheiro.

Mônica é o carro chefe da Turma. A personagem que automaticamente é associada ao Maurício de Sousa toda vez que falam “o trabalho do Maurício”…

Deve ser uma pressão enorme escrever sobre uma personagem tão incônica, respeitando sua história e ao mesmo tempo, imprimir algo novo e criativo.

Bianca Pinheiro o faz maravilhosamente bem!

Em Força (2016), Mônica lida com o casamento em crise de seus pais. Não necessariamente fadado ao fim, mas sim, passando por uma situação de desgaste. E dentro deste contexto, a HQ aborda as mudanças de sentimentos no coração da protagonista, como o medo, desconfiança, indignação. Mas a HQ também fala de coragem, determinação e por fim… bem, convido vocês a descobrirem.

Já em Tesouros (2019), temos a Mônica mais altiva, divertida, sorridente!

Na HQ em questão, após os acontecimentos vistos em Força, temos o Seu Sousa e Luísa, os pais da Mônica, programando um fim de semana num hotel fazenda onde eles poderão curtir um tempinho em família. A contragosto, Mônica vai, mas não espera que lá vá fazer um novo amigo e viver muitas aventuras.

Dois trabalhos que mostram toda a Força da artista carioca mais curitibana que se tem notícias, enquanto nós somos agraciados com os Tesouros que são essas histórias.


Chico Bento de Orlandeli

Chico Bento Arvorada
Chico Bento: Arvorada – a efemeridade da vida na beleza de um florada de um ipê amarelo.

Orlandeli tem um jeito único de emocionar as pessoas e o Chico Bento é, talvez, o personagem com mais potencial emotivo dentre todos os personagens do Maurício de Sousa. A combinação não poderia ter resultado nada além da Graphic MSP mais tocante que temos até aqui!

Desde os diálogos em “caipirês” até as citações às lendas folclóricas, Chico Bento: Arvorada (2017) foi feita “pra mexê cum nosso lado nostárgico” e nosso lado lírico. Um álbum gráfico que vai além dos easter eggs e do fan service, Chico Bento: Arvorada toca no fundo da alma, onde pouquíssimas obras conseguem chegar.

Na história do menino Chico, sua vó Dita e um ipê amarelo, nós entendemos que nem toda experiência pode ficar para depois e que perder um momento pode nos marcar por toda a vida.

Com roteiro simples e sofisticado, Orlandeli ainda imprime toda sua identidade visual repaginando Chico Bento, Rosinha, Zé Lelé e a Vó Dita com suas características clássicas ao mesmo tempo que deixa claro quem é o artista por trás da HQ.

Chico Bento acabou ganhando, em 2021, um novo álbum pelas mãos do Orlandeli, Chico Bento: Verdade em que coloca um amargurado homem da cidade, Adamastor, no caminho de Chico. Seu ceticismo vai duelar com as verdades da roça e levantar muitas outras questões.

Quer conferir o papo que batemos com o Orlandeli? Clica aqui!


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Capitão Feio de Magno Costa e Marcelo Costa

Capa de Identidade: Capitão Feio na melhor mescla “comics-mangá”.

Em Capitão Feio: Identidade (2017) os gêmeos Magno e Marcelo Costa trouxeram uma história de anti-herói, inspirada nos moldes clássicos de origem. Com um vilão que é a versão maligna e aparentemente mais poderosa do personagem principal e uma sociedade que não está pronta para entendê-lo. Me lembrou muito o filme O Incrível Hulk (2008) com o Edward Norton, principalmente por que a origem ali foi mostrada de forma rápida através de flashbacks.

Já em Tormenta (2019), o Capitão Feio está ainda entendendo seu lugar no mundo. Enquanto isso, o vilão/anti-herói tem que enfrentar alguém cometendo crimes e se fazendo passar por ele.

Cumulus é um personagem que nasceu recentemente, numa edição do Cascão publicada pela Panini em fevereiro de 2010, e aqui ele já é levado a um novo patamar, como o grande inimigo do Capitão Feio.

Um personagem que já deu as caras na edição anterior e cresce bastante em Tormenta é o Dr. Olimpo – um ex-general do exército e cientista que ocupa o cargo de secretário de segurança e é responsável pela força-tarefa que tenta prender o Capitão Feio pelas ações da edição passada.

Uma ótima HQ de anti-herói com roteiros e arte feitas sob medida para esse que é um dos personagens mais interessantes do Maurício de Sousa.

Confira o review do Capitão Feio: Identidade no nosso canal do Sobrecapa.


Jeremias de Rafael Calça e Jefferson Costa

Jeremias Alma
Se esta frase não dói na sua Alma, o trabalho de Rafael Calça e Jefferson Costa provavelmente não é para você.

Jeremias é um negro privilegiado. Estuda numa escola boa, tem bons pais que conseguem prover para ele tudo o que ele precisa. Mas, como todo negro, não está imune aos efeitos do racismo. E depois de ler as histórias de Jeremias você vai entender que não existiria melhor dupla para o desafio de falar de racismo estrutural na Graphic MSP Pele; e falar sobre ancestralidade negra na Graphic MSP Alma; do que a dupla Rafael Calça e Jefferson Costa.

A HQ Jeremias: Pele (2018) trata de todos (quanto possíveis) abusos que o racismo estrutural causa nos jovens brasileiros e o reflexo que isso tem nos adultos.  Como disse o Emicida em seu texto de quarta capa: “A ausência de referências positivas nos rouba o direito de imaginar”.

Já na HQ Jeremias: Alma (2020), a dupla retorna para nos falar através dos personagens as várias facetas do impacto do apagamento histórico. É a síndrome do impostor que a mãe do Jeremias vive ao questionar as próprias conquistas. É a insegurança do pai do Jeremias, que em determinado momento questiona suas habilidades como pai. É no próprio protagonista, que não sabe direito lidar com o vácuo na sua história.

As duas HQs listam entre as melhores leituras do selo e não nos espantaria, daqui alguns anos, termos o retorno da dupla fechando uma trilogia. Estamos na torcida desde já!


Horácio de Fábio Coala

HORACIO MAE
Horácio: Mãe é uma linda homenagem ao último personagem “exclusivo” de Mauricio de Sousa.

Fabio Coala botou a banca ao ser o desbravador desse mundo jurássico em que habita um dos últimos personagens a ser exclusivamente trabalhado pelo Maurício de Sousa, nos trazendo a história de Horácio e seu reencontro com sua mãe.

Em Horácio: Mãe (2018), o enredo é rápido e divertido. Cheio de aventuras de dinossauros ao melhor estilo Em busca do Vale Encantado. Na trama, são abordados personagens clássicos da Turma do Horácio, como a dinossaurinha cor-de-rosa, Lucinda, o Tecodonte e os Napões.

É claro que, além deles, temos uma infinidade de dinossauros por ali. De todas as espécies, tipos e tamanhos. Pra quem é apaixonado por dinos é um prato cheio!

Com esse pano de fundo lindo, a HQ trata de temas como o sentimento de abandono (as vezes, auto-imposto; às vezes, trazido de fora;) e uma boa dose de críticas à dificuldade da sociedade de aceitar o novo e o diferente.

Forte né?

Perceber o quanto podemos aprender, absorver e evoluir como seres humanos (ou dinossauros), com este tipo de (pré-)histórias.


Cebolinha de Gustavo Borges

Cebolinha precisa colocar seus planos infalíveis em favor da família em Recuperação.

O Cebolinha do Gustavo Borges é tão inventivo e resiliente quanto nos quadrinhos que nós crescemos lendo. Definitivamente é o personagem que nós amamos, tratado com respeito e carinho pelo (até então) mais jovem de todos os autores do selo.

Em Cebolinha: Recuperação (2018), por conta de algumas confusões com um outro aluno – Robertinho – com quem não se dava bem, Cebolinha acaba não focando nos estudos e fica de recuperação. Enquanto isso, Seu Cebola, Pai do Cebolinha, perde o emprego e a família começa a lidar com a possibilidade de vender a casa.

Assustado com a possibilidade de sair do bairro do Limoeiro e consequentemente ficar longe de seus amigos, Cebolinha traça vários planos infalíveis para tentar resolver a situação da família, ao passo que precisa também estudar e passar de ano.

Como se não fosse suficiente, ele ainda precisa lidar com o desafeto de seu rival Robertinho, que tenta minar cada um de seus estratagemas.


Tina de Fefê Torquato

O assédio é retratado em Tina: Respeito de Fefê Torquato.

Tina: Respeito (2019) é uma daquelas obras que a gente precisa ler e refletir. Se homens, então, “qual o meu papel dentro do privilégio machista que usufruí ao longo da vida? E como faço pra ajudar a desconstruir isso?”.

Fefê Torquato, no entanto, tem um outro lugar de fala, essencial para trazer todo o peso que essa história precisava. Fiquei muito feliz de conhecer o trabalho dela a partir dessa HQ tão impactante.

Na HQ, Tina, recém-chegada em uma redação, começa seu primeiro emprego como jornalista e lá sofre assédio moral e sexual de seu chefe. Aliás, a prática do assédio acontece ao longo de toda a HQ também por outros personagens, como quando Tina e Pipa estão numa pizzaria e recebem um atendimento machista por parte do garçom.

Além do roteiro muito amarrado e preciso – diria até que cirúrgico -, a Fefê nos presenteia com as mais lindas aquarelas, demonstrando um zelo e uma qualidade que fazem dela uma das maiores artistas nacionais dos tempos atuais.


Cascão de Camilo Solano

Cascão vai ter que encarar o tio que pouco conhece em Temporal.

Cascão: Temporal (2020) de Camilo Solano, conta a história do Cascão indo passar um fim de semana com seu tio Gerson, um cara “esquisito” de quem o Cascão nem mesmo gosta muito – “Ele nem tem filhos! Eu vou brincar com quem? ”.

Mas não teve jeito! E pra piorar a situação, depois de se instalar na casa do Tio Gerson, um temporal cai, impedindo o personagem de, pelo menos, brincar na rua.

O Cascão é um dos personagens preferidos dos fãs da turma da Mônica. Talvez, no nosso inconsciente infantil, tenhamos criado um vínculo com ele, seja pelas revistinhas que lia, seja por se divertir com praticamente tudo.

Mas aqui, temos o Cascão levado à um novo nível ao mesmo tempo em que respeita sua essência, fazendo a gente amar ainda mais o personagem.

A arte do Camilo Solano segue bem seu traço característico e isso combina muito com o personagem. A narrativa muito original também torna Cascão: Temporal uma das Graphic MSP mais aclamadas pelo público.

Quem, depois de ler Cascão: Temporal, não se identificou um pouco com o Tio Gerson?


Franjinha de Vitor Cafaggi (Contato) e Magali de Lu Cafaggi

Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi retornarão em títulos das Graphic MSP em 2021, só que desta vez separados. Se na trilogia da Turma da Mônica a harmonia e compatibilidade dos irmãos deu a liga perfeita para uma história que trata justamente dos elementos que fazem pessoas, crianças, se tornarem amigas, agora cada um vai ter a chance de mostrar um pouco mais de seu trabalho individual, o que certamente será muito interessante de se testemunhar.

Outro ponto positivo a ser esperado tanto no Franjinha de Vitor Cafaggi – que teve seu título, Contato, revelado recentemente – quanto na Magali de Lu Cafaggi é  alguma ousadia extra, para além do traço e das situações pouco exploradas.

Será extremamente positivo se cada um em sua HQ puder ousar um pouco mais a partir da inspiração original, entregando obras que respeitem o universo de Mauricio de Sousa mas que entreguem algo novo e autoral de cada um dos Cafaggi.

Seja como for, estaremos ansiosos no aguardo dos novos títulos.


As melhores Graphic MSP – a lista

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As Melhores Graphic MSP, na opinião dos redatores do UB são…
  1. Chico Bento: Arvorada
  2. Jeremias: Alma
  3. Tina: Respeito
  4.  Louco: Fuga
  5. Jeremias: Pele
  6. Astronauta: Magnetar
  7. Capitão Feio: Identidade
  8. Papa-Capim: Noite Branca
  9. Monica: Força
  10. Turma da Mata: Muralha
  11. Piteco: Ingá
  12. Chico Bento: Pavor Espaciar

Todas as Graphic MSP – Melhores Graphic MSP – Conclusão

Como o selo Graphic MSP segue ativo e os anúncios de novos títulos são apenas uma questão de tempo, convidamos você leitor a voltar em breve para esta matéria com todas as Graphic MSP.

Nos comprometemos a mantê-la atualizada a cada novo lançamento, reavaliando também nossas indicações das melhores Graphic MSP.

E fique ligado no Ultimato do Bacon para mais conteúdos e matérias sobre HQs Brasileiras!


Créditos:

Texto: Alexandre Baptista e Daniel Miranda – @negrogeek
Imagens: Reprodução
Edição: Alexandre Baptista

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