Ultimato do Bacon

Adão Negro (2022) – O Ultimato

Em 19 de Out de 2022 6 minutos de leitura

Adão Negro, longa estrelando o anti-herói da DC Comics, estreia nesta quinta-feira, 20 de outubro nos cinemas

Índice

Adão Negro – introdução

O personagem Adão Negro é praticamente desconhecido. Ou melhor, era. Assim como a Marvel fez em 2008 com o desprezado Tony Stark, a DC finalmente pegou um coadjuvante chato e ignorado pelo público – mas com um baita potencial – e dediciu estrelar um longa metragem com ele. Trouxe o carismático e excelente Dwayne Johnson para o projeto e, de repente, Adão Negro se tornou um dos filmes mais aguardados nos cinemas.

É claro, há aqueles leitores que lembram de uma ou duas histórias ou arcos interessantes com o personagem – sim, estou falando de 52, de onde, na capa da edição #45, sai uma das cenas mais emblemáticas do filme -, mas a verdade é que Adão Negro, Theo Adam ou Teth-Adam, nunca passou de um mero coadjuvante no universo DC, seja como vilão ou anti-herói.

Expectativa baixa, menor chance de nos frustrarmos certo? E talvez tenha sido isso que fez com que o longa tenha caído tão bem para mim… ou talvez seja simplesmente o fato de que a DC vem, há algum tempo, fazendo ótimos longa-metragens – que o público insiste em esquecer para fomentar a rivalidade infantilóide de sempre. Exemplos? Mulher-Maravilha (2017); Aquaman (2018); Coringa e Shazam! (2019); O Esquadrão Suicida (2021); Batman (2022). Sem falar no “snydercut”,  A Liga da Justiça de Zack Snyder (2021), para não gerar polêmica (o filme é ótimo).

Adão Negro mantém a linha de bons filmes de super-heróis, mostrando que apesar de todos os percalços, o constante esforço para se encontrar um caminho próprio para o universo cinematográfico da DC está, enfim, dando grandes frutos.

Adão Negro 52 semanas

Adão Negro na capa de 52 Weeks #45 – cena do filme.

Adão Negro – trama

Vamos caprichar aqui para não dar spoilers, mas Adão Negro utiliza uma parte já conhecida do cânone do personagem. No entanto, diferente da maioria dos filmes de origem, neste caso sua história é contada já em um universo conhecido. Sim, o filme é conectado ao universo DC, apesar de dizerem que é um novo começo. Figuras conhecidas dão as caras por aqui e é fácil imaginar que tudo está no mesmo universo, apesar de algumas anacronias e alterações sutis. Como a cronologia não fazer muito sentido é algo canônico nas HQs, está tudo bem.

Na trama, começamos com uma narrativa similar àquela mostrada em Shazam! sobre o Kahndaq, o mago Shazam e seu primeiro campeão. Alguns detalhes são diferentes como, por exemplo, a inlcusão do minério eternium e ligeiras diferenças nas motivações e na queda do campeão.

Voltando ao presente, o Kahndaq é um país controlado pela Intergangue – quem não sabe o que é a Intergangue? – e os poucos revolucionários que buscam expulsá-la de lá, sabem que a organização criminosa está procurando um artefato místico – a coroa da Sabbac, conhecido demônio do universo DC nos quadrinhos.

Para evitar tal fato, esses rebeldes tentam chegar antes no local onde imaginam estar a coroa; reavê-la e proteger a peça, escondendo-a dos bandidos. Porém, as coisas não acontecem exatamente como o esperado e o Adão Negro é libertado…

Enquanto isso, Carter Hall é convocado por Amanda Waller (a excelente Viola Davis) para capturar o Adão Negro (Dwayne Johnson) e temos uma montagem ao estilo Esquadrão Suicida (2016) para apresentar a equipe – no caso, a Sociedade da Justiça em versão low budget (ou talvez os outros membros estejam apenas de férias, vai saber).

A narrativa segue um padrão bem tradicional e talvez um pouco burocrático – e acredito que não passe no teste de Bechdel (tem uma cena bem lamentável lá pelas tantas que achei bem desnecessária), mas a grande reviravolta que justifica a motivação do personagem principal é realmente muito bem planejada.

adão negro capuz

Dwayne Johnson como Adão Negro: um projeto que se iniciou em 2017.

Adão Negro – pontos positivos e negativos

Vamos ao que interessa pra maioria dos leitores aqui… afinal, o filme é bom? Vale a pena pagar ingresso ou espero sair na HBO Max?

Pra quem curte, Adão Negro tem muitas batalhas e elas são no estilo das batalhas em O Homem de Aço – sim, Zequinha Splinter fez escola e as lutas são incríveis, com efeitos de aceleração e câmera lenta para a revolta dos que não gostam disso.

Além disso, Adão Negro voa em pé. “Nossa, que parada aleatória…”. Quem leu os quadrinhos sabe o que isso significa e é, conceitualmente, muito bacana ver isso nas cenas. Adão Negro não voa na “posição de Superman”… e isso diz muito sobre o personagem.

Infelizmente as piadinhas estão lá… elas hoje são parte da praxis dos filmes de super-heróis. Mas não são tantas quanto eu imaginava que haveriam… e, uma coisa importante, elas raramente partem do personagem, sendo em sua maioria conduzidas pelo garoto Amon ou pelo sobrinho do Esmaga-Átomo original, Al Rothstein. E, apesar da trama girar o tempo todo em torno da redenção do Adão Negro… bem, não vou dar spoilers

Na parte negativa temos a eterna insegurança da DC em usar seus personagens do jeito certo – ou as imposições contratuais que impedem seu uso; ou a necessidade de se conectar com um publico jovem (por que escolher a Socidade da Justiça então cazzo?).

O que faz com que Al Pratt (o maravilhoso Henry Winkler) apareça, já velho e aposentado, numa videochamada, dando recomendações sobre o traje para seu sobrinho e atual Esmaga-Átomo (Noah Centineo); ou ainda que a famosa Ciclone (Quintessa Swindell) – (quem? Ah, a neta do Tornado Vermelho, Maxine Hunkel, que o Mark Waid criou de zoeira pro Reino do Amanhã e o Geoff Johns decidiu usar?) esteja lá só para… sei lá pra que, e tenha relevância zero pra história.

Fizeram do Átomo um Homem-Formiga da DC, com carisma zero, aparvalhado e engraçadalho – sem nenhuma necessidade – tentando par romântico com uma coadjuvante totalmente descartável. Uma pena, especialmente lembrando que a SJA conta com Canário Negro, Stargirl, Poderosa, Caçadora, Raposa Escarlate, Mulher-Gavião entre seus membros… havia escolhas melhores, mas ainda que quisessem colocar a Ciclone, podiam pelo menos dar algum destaque interessante à personagem, como rolou com a Caça Ratos II de O Esquadrão Suicida que rouba a cena.

A música é ok. O tema inicial a principio me soou muito interessante, até que notei que a estutura melódica era idêntica a Paint it Black dos Rolling Stones. Segundos depois, a música original começa a tocar, numa montagem bem divertida para quem quer ver alta octanagem, explosões e efeito de supervelocidade no estilo Bryan Singer, numa mistura entra a cena de Hulk contra o exército em Hulk (2003) e as sequências de Mercúrio nos filmes dos X-Men.

Por fim, vale destacar Carter Hall (Aldis Hodge), um Gavião Negro – quem lê as HQs sabe que entre Falcões da Noite, Gaviões Negros e afins, tivemos uma trocentena de versões – que segura as pontas, embora não seja tão teimoso e obtuso quanto é, geralmente, nos quadrinhos. Mas segura a onda.

E Kent Nelson, o Senhor Destino, interpretado por Pierce Brosnan. O velho 007 dá um espetáculo à parte com uma atuação impecável, uniforme magnífico (que design bonito! Ficou espetacular) e presença tanto narrativa quanto plástica (nas cenas de ação) dignas do personagem. Fica um tanto claro quais os pontos a galera da DC aproveitou de Doutor Estranho (2016) para as cenas do personagem… mas, afinal, nada se cria! Darkseid que o diga. E ficou bacana demais no filme.

Adão Negro - Pierce Brosna é Kent Nelson o Senhor Destino

Pierce Brosnan encarna Senhor Destino: um dos destaques de Adão Negro

Adão Negro – conclusão

A conclusão sobre Adão Negro é muito simples. Vá ao cinema sem expectativas. Pra quem espera um filme sombrio, ao estilo Zack Snyder na DC… bem, existem elementos assim no filme. As mortes são cruas, os efeitos das lutas e cenas remetem ao Snyderverso e a paleta de cores não é das mais saturadas – embora os azuis do Senhor Destino sejam muito vivos (acho que encontraram um equilíbrio finalmente para as cores!).

Pra quem espera o estilo Marvel de cinema, cheio de piadinhas e finais felizes… bem, existem piadinhas sim, embora em uma profusão infinitamente menor que qualquer coisa da Marvel e muito mais contextualizadas e o filme tem, de fato, um tom menos apocalíptico e mais aventuresco em certos momentos.

E tenha em mente que, embora Dwayne Johnson diga que este é o filme que vai iniciar uma nova fase da DC nos cinemas, fica claro que tudo começou com O Homem de Aço (2013). Pra alguns, com Lanterna Verde em 2011.

E não se esqueça de dizer a palavra… Shazam!

Adão Negro Poster

Adão Negro – spoilers

Se você não quer spoilers de Adão Negro, não leia este parágrafo! Sim, vou falar de spoilers, começando com a personagem Adrianna (Sarah Shahi) e seu filho Amon (Bodhi Sabongui)… não precisa ser expert em Adão Negro pra saber que ambos serão Ísis e Osíris no futuro. E não, o filme não entrega isso, embora na trama, num momento de fúria, Adão Negro involuntariamente acabe ferindo o garoto – numa chance perfeita para que ele divida seu poder e transforme-o em Osíris. Mas infelizmente o momento é resolvido de outra forma e a chance acaba perdida.

Outra questão em pauta é o encontro com Shazam (o antigo Capitão Marvel, não o mago). Também não rola agora, não é sequer mencionado na história. Mas vemos a Pedra da Eternidade e o Mago Shazam (Djimon Hounsou)… a esperança permanece para futuros filmes!

E sim, tem muito do Adão Negro de Geoff Johns no filme – na mesma medida que vemos o Shazam de Johns no filme. Adaptado, porém respeitado. Ufa!

E, por fim… sim, a cena é real. Deslumbrante. Uma das melhores cenas do Superman no cinema. Henry Cavill está de volta, com uma fala simples, mas que transmite a essência do Superman… e o sorrisinho irônico de Adão Negro em resposta, promete muito para o futuro!

Ultimato do Bacon

Avaliação: Ótimo


Créditos:
Texto e edição: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução
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