Coringa (Joker)
Ano: 2019 Distribuição: Warner Bros.
Estreia: 03 de Outubro

Direção: Todd Philips

Roteiro: Todd Phillips, Scott Silver

Duração: 121 Minutos  

Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz

Sinopse: O comediante falido Arthur Fleck encontra violentos bandidos pelas ruas de Gotham City. Desconsiderado pela sociedade, Fleck começa a ficar louco e se transforma no criminoso conhecido como Coringa.

 

Coringa - O Ultimato 1

 

Alexandre Baptista

Coringa – Todd Philips é extremamente fiel a essência do Palhaço do Crime, ainda que apresentando uma versão totalmente inédita

Com um retrato realista e, apesar de perturbado, extremamente humano, Joaquin Phoenix entrega uma de suas performances mais brilhantes

por Alexandre Baptista

Coringa - O Ultimato 2

 

Depois de tantos tropeços, finalmente a Warner deixou as coisas correrem com um pouco mais de liberdade, dando a Todd Philips espaço para criar um longa que é exuberante, perturbado, tenso, violento e, ao mesmo tempo, humano, sofrido e digno de pena.

Ao contrário do hype criado por Liga da Justiça (Justice League, 2017), que foi anunciado anos antes de sua realização e que deixou absolutamente todos os fãs de quadrinhos ansiosos, Coringa foi um projeto visto inicialmente com desconfiança. Mesmo quando, ainda em 2017, havia a probabilidade de que o longa fosse dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese.

Talvez parte do sucesso que o filme promete ter venha da baixa expectativa; mas fato concreto é que Todd Philips seguiu a cartilha de Zack Snyder ao contrário, e tentou manter o público apenas levemente interessado em seu longa. Tentou se blindar do fandom tóxico e dos nerds radicais que colocam defeito em tudo, afirmando inicialmente que não havia se baseado em absolutamente nada dos quadrinhos.

Depois voltou atrás, declarando ter se inspirado em materiais de referência como Batman: A Piada Mortal (Batman: The Killing Joke, 1988) e Batman: O Homem Que Ri (Batman: The Man Who Laughs, 2005).

A verdade é que seu Coringa, com roteiro dele e Todd Silver, consegue ser ao mesmo tempo o resumo do que é o personagem e ser algo totalmente novo e diferente do que vimos até hoje nos quadrinhos, séries, desenhos animados e filmes do Batman.

A trama é muito bem construída e o personagem vai crescendo e nascendo aos poucos dentro do filme. Pequenos detalhes e elementos vão sendo apresentados e adicionando mais complicações a vida do comediante fracassado Arthur Fleck.

Se Alan Moore estabeleceu que “um dia ruim é capaz de mudar uma pessoa”, Philips usa essa premissa, mas vai além: todo dia é um dia ruim para Fleck.

Ao mesmo tempo, o diretor faz questão de não dar certezas ao público – exceto em uma cena expositora e desnecessária –  deixando elementos em aberto acerca da sanidade de Fleck, sua verdadeira identidade, o desfecho real de certas ações tomadas por ele etc.

Em relação ao elenco, a magnitude de Joaquin Phoenix no papel principal é tão soberana, impressionante e visceral que sobra pouco espaço para notar os demais atores – que estão muito bem, mas somem perto de Phoenix. A única exceção e ressalva a ser feita é para Robert De Niro e seu Murray Franklin, numa espécie de Rupert Pupkin pós-fama, único contraponto plausível para o desvairado Fleck.

A trilha sonora é excelente, com pouquíssimos elementos mais contemporâneos, apoiando-se essencialmente em uma composição clássica com momentos magistrais. Hildur Guðnadóttir, maestra islandesa responsável pela trilha, compôs as músicas antes de ver o longa e acerta momentos verdadeiramente emocionantes e nevrálgicos em que os crescendos se aliam simbioticamente com a trama e as cenas. A trilha musical também é muito bem escolhida e as músicas fazem total sentido como apoio narrativo, em especial That’s Life com Frank Sinatra e Smile com Jimmy Durante.

Falando sobre referências, já que mencionei Martin Scorsese e Rupert Pupkin anteriormente no texto, sim, a homenagem a O Rei da Comédia (The King of Comedy, 1982) vai muito além de Robert De Niro sendo o apresentador de um programa de auditório. Basicamente, Coringa de Todd Philips é uma espécie de remake do filme de Scorsese, com o personagem da DC no lugar de Pupkin. O que faz com que tudo seja um pouco mais insano, um pouco mais violento, um pouco mais gothamita…

Outra referência mais distante é justamente Tempos Modernos (Modern Times, 1936) de Charles Chaplin, e de onde Smile vem originalmente. O clássico é exibido para a elite de Gotham no Wayne Hall durante o filme e não é difícil estabelecer um paralelo entre a crítica realizada pelo Vagabundo de Carlitos e a crítica feita pelo comediante fracassado de Philips.

Além disso, pequenos easter eggs, discretos e sucintos figuram no longa. Mas não espere a presença de personagens famosos do cânone do Homem-Morcego como James Gordon, Chefe Maroni ou Falcone, Cobblepot etc. Por vezes, a ambientação mais parece ser em Nova York – e as referências são mais do mundo real – do que em Gotham City. Mas a clássica e fatídica cena no Beco do Crime está mais uma vez na apresentação.

De maneira geral, o longa é bastante elegante e reproduz um clima do final dos anos 70, começo dos anos 80. Não somente na ambientação, cenário e figurinos, mas na condução, ritmo e estilo narrativo do longa em si.

Em relação aos quadrinhos, digamos que o filme é o mais fiel e distante possível de tudo o que já vimos. A origem, a história em si, é totalmente inédita e pode incomodar alguns dos fãs mais radicais do personagem. Por outro lado, assim como Noite de Trevas – Uma História Real do Batman (Dark Night: A True Batman Story, 2016) de Paul Dini e desenhos de Eduardo Risso, Coringa transporta para um mundo real toda a essência do Palhaço do Crime: o lado humano de A Piada Mortal; o desvairio de O Homem Que Ri; a alternância entre uma certa inocência e a loucura da Série Animada de 1996 e muitas outras facetas.

Por fim, sobre a possibilidade desse filme ser tóxico e sedimentar posturas inaceitáveis como sendo justificáveis, acredito sinceramente que uma leitura desse tipo pode acontecer apenas em mentes já perturbadas.

O filme me parece mais criticar a sociedade e as autoridades não só por “produzir” esse tipo de indivíduo, como por desampara-los e torna-los perigosos.

Se notarmos com atenção, o longa é óbvio em afirmar que isso não torna tais indivíduos inimputáveis e impunes. Apenas dignos de pena, atenção e ajuda real.

 

 

 

Coringa - O Ultimato 3

Avaliação: Excelente!

 

 

P.S.: Coringa = Taxi Driver + O Rei da Comédia + Batman: A Piada Mortal

 

Trailer

 

 


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