Leitores de quadrinhos de longa data, tendem a chegar a momento complicado! Após tanta leitura, as coisas deixam de ser novidades e muitas leituras se tornam enfadonhas, cansativas, pouco interessantes, afinal, já vimos quase de tudo.

Escritores como Allan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison, que vieram na invasão britânica aos quadrinhos americanos assim como Jamie Delano, Paul Jenkins e Peter Milligan, tem o “dom” de conseguir boa parte das vezes nos surpreender com histórias bem “fora da casinha”, inserindo elementos psicodélicos bem incomuns.

O Homem Animal de Grant Morrison foi o primeiro trabalho do autor para a DC comics, posteriormente viria a figurar no selo Vertigo, e traz um de seus trabalhos mais importantes.

A saga foi lançada pela Panini em 2015 em três volumes e em breve sairá completa no formato Omnibus, pela mesma editora.

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Homem Animal de Grant Morrison – O Ultimato

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Criado originalmente em 1965 por Dave Wood e Carmine Fantino, Buddy Baker, o Homem Animal, fez sua primeira aparição em Strange Adventures 180 na história “I Was The Man With Animal Powers”, basicamente uma história de origem tradicional da época. O personagem foi um dos que estavam em um “limbo”, mas após a Crise Nas Infinitas Terras, muitos personagens tiveram a chance de serem resgatados com uma nova roupagem.

Diferente de Sandman, onde só o nome sobrou do original, o Homem Animal de Grant Morrison não renega suas origens e brinca muito com essa questão de diversas origens. Morrison é genial ao se aprofundar nessas questões ao longo da série.

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Homem Animal de Grant MorrisonHomem Animal e Fera Buana se enfrentam em o Homem Animal de Grant Morrison

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Inicialmente o Homem Animal de Grant Morrison foi pensada como uma minissérie em quatro edições, após, Morrison deixaria o título para outro autor dar continuidade. Nessas primeiras quatro edições, temos uma história bem linear, com heróis e vilões, rendendo até encontro com outros personagens da DC Comics.

Mesmo sendo uma história mais simples e tradicional de super herói, esse início é de ótima qualidade e Morrison aproveita para abordar questões sensíveis como o uso de animais em experiências e outras questões ambientais. É legal ver que logo no início, Morrison já brinca com o esquecimento dos personagens, algo que ele viria a abordar pesadamente na série.

Após as quatro edições, Morrison foi convidado a continuar e transformar a revista em mensal. Morrison diz que não tinha intenção de seguir uma linha tradicional de revistas de super heróis e acabou escrevendo já na edição 5, uma das histórias mais conhecidas e elogiadas de sua série, O Evangelho do Coiote.

Em O Evangelho do Coiote, Morrison começou uma verdadeira saga, com tramas que corriam por “trás das cortinas”, que só se encerraria na edição 26, a última de sua fase. A partir daqui começamos a ver o Morrison que conhecemos, com narrativas quase surtadas.

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Homem Animal de Grant MorrisonFoi com a história O Evangelho do Coiote, na edição 5 que Morrison tomou mais liberdades com o personagem e iniciou de fato sua aclamada fase.

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A partir da edição 5, Homem Animal de Grant Morrison ganhou mais liberdade criativa. Morrison começou a fazer mais experiências narrativas e se aprofundar mais nas questões relacionadas a defesa dos animais. Morrison aproveita os poderes de Buddy Baker para trazer mudanças para o personagem nesse sentido.

É natural que um herói com poderes animais tenha uma empatia fora do normal com eles. Aí vemos Buddy Baker se tornar cada vez mais militante nas questões de proteção animal, inclusive praticamente obrigando sua família a se tornar vegetariana!

Apesar de levantar bastante essa bandeira, Morrison não usa isso de forma gratuita ou tão incisiva. Essas questões se mesclam bem com as histórias, inclusive rendendo alguns sérios problemas e dilemas morais ao Homem Animal. Vemos inclusive o herói as voltas com Terroristas Ambientais, que são expostos como criminosos e mostram que existe de fato uma linha tênue entre o ativismo e o terrorismo.

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Homem Animal de Grant Morrison

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Não seria absurdo dizer que o Homem Animal de Grant Morrison traz uma continuação direta de Crise Nas Infinitas Terras, com a inclusão do personagem Roger Hayden, o Pirata Psíquico. Desde a oitava edição, Morrison já insinua algumas brincadeiras debochadas com o evento que “reiniciou” o universo DC.

Em Homem Animal vemos também uma outra característica além das loucas narrativas que viria a marcar o estilo do autor: o resgate de personagens esquecidos para servir às suas narrativas. Tivemos aí o aparecimento do Arqueiro Xerde em sua série do Lanterna Verde que não me deixa mentir.

Com a inclusão do Pirata Psíquico na trama, Morrison inclusive começa a explorar conceitos e personagens que ele viria a usar muitos anos depois em sua maior obra do universo DC, Multiverso de 2016. Inclusive considero a leitura de Homem Animal de Grant Morrison obrigatória para ler Multiverso!

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Homem Animal de Grant MorrisonO Pirata Psíquico se torna um importante personagem em Homem Animal de Grant Morrison

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A partir da edição 8, Morrison começa a pesar cada vez mais a “mão” na complexidade narrativa, com muitos elementos estranhos e algumas vezes até difíceis de entender. Ao longo das edições as tramas se conectam e toda a loucura de Morrison se encaixa, mesmo que de forma um tanto dadaísta (ou hipster mesmo…). Para quem se propõe a viajar junto com a história, o Homem Animal de Grant Morrison ganha muito mais qualidade e entrega um resultado impecável.

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Homem Animal de Grant Morrison – O Ultimato 1

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Infelizmente o Homem Animal após a saída de Morrison caiu bastante, o que era óbvio, visto que era quase impossível manter algo no mesmo nível ou estilo. O personagem só ganhou uma série quase a altura em 2011 nos novos 52 com o também incrível roteirista Jeff Lemire (confira aqui nossa lista com as melhores obras do autor).

Com momentos bem psicodélicos, muito deboche e genialidade, Morrison entrega uma obra prima da nona arte! O Homem Animal de Grant Morrison é de fato uma leitura imperdível para qualquer fã ou colecionador de quadrinhos. Tão genial que a distinta concorrência inclusive tentou fazer algo parecido com um certo Quarteto, porém ficou um tanto vergonhoso…

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Homem Animal de Grant MorrisonEm o Homem Animal de Grant Morrison, o autor começou a flertar com personagens e conceitos que viria a explorar muitos anos depois.

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Ao longo da série Grant Morrison fez questão de defender suas causas, fazer críticas e homenagear o universo DC. Para o leitor que assim como eu, aceitar viajar nas loucuras de Morrison, com certeza encontrará em Homem Animal uma leitura impecável.

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Confira no lista com Melhores HQ´s de Grant Morrison e Confira também: As Melhores HQs de Jeff Lemire, As Melhores HQ´s de Mark Waid, , As Melhores Hqs de Garth Ennis e Melhores HQ´s de Scott Snyder!

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Homem Animal de Grant Morrison – O Ultimato 2

Avaliação: Impecável!

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Créditos:
Texto: Diego Brisse
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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