Black Mirror (5a temporada)
Ano: 2019 Distribuição: Netflix
Estreia: 05 de Junho

Direção: Owen Harris (Striking Vipers), James Hawes (Smithereens), Anne Sewitsky (Rachel, Jack e Ashley Too).

Roteiro: Charlie Brooker

Duração: 112 Minutos  

Elenco: Anthony Mackie, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Beharie, Pom Klementieff, Ludi Lin; Andrew Scott, Damson Idris, Topher Grace;  Miley Cyrus, Angourie Rice e Madison Davenport

Sinopse: “Uma série antológica criada por Charlie Brooker, envolvendo contos sobre o uso da tecnologia no nosso mundo moderno”

 

 

Alexandre Baptista

Nova temporada de Black Mirror mantém a qualidade no geral, mas oscila nos episódios individualmente

Universo criado por Charlie Brooker começa a demonstrar sinais de repetição

por Alexandre Baptista

 

Black Mirror é uma das minhas séries favoritas. Desde março de 2014, quando conheci o material (além de outro excelente que “não pegou” no Brasil ainda – Inside no. 9), acompanho com afinco todo e qualquer episódio da criação de Charlie Brooker.

A nova temporada vinha com um desafio. Depois do evento Bandersnatch (leia nossa crítica-matéria especial-tese de doutorado aqui), a quinta temporada de Black Mirror precisaria decidir se iria “retornar às origens” ou “seguir o coelho branco”. E acabou não fazendo nenhuma das duas coisas exatamente.

As divisões de Black Mirror são claras. Temos as duas primeiras temporadas e o especial de Natal, ainda pelo Channel 4 no Reino Unido, clássicas e que fisgaram a audiência a ponto da série ter relevância mundial; as temporadas 3 e 4 (leia nossa crítica aqui), pela Netflix – que por vezes amenizam o tom pesado e a crítica incômoda original, mas adicionam na qualidade de produção; e o especial Bandersnatch – interativo, com um tom mais narrativo e uma crítica mais sutil, abrindo um caminho bastante diferente do estilo da série.

 

Striking Vipers

O primeiro episódio da quinta temporada, Striking Vipers tem Anthony Mackie (o Falcão do MCU) e Yahya Abdul-Mateen II (o Manta Negra de Aquaman) – além de Ludi Lin, a Mantis de Guardiões da Galáxia. Seu roteiro repete algumas ideias já mostradas e apresentadas na série e certamente irá incomodar muito alguns espectadores de masculinidade frágil.

Tem várias cenas filmadas em São Paulo (descobri isso ao assistir o episódio e depois, buscar confirmação), o que dá um gostinho especial pra quem gosta da cidade. Mas, apesar de mexer com um conceito interessante de ser questionado, essa ideia já foi explorada algumas vezes, inclusive na própria série.

Além disso, a solução do episódio, na minha opinião, cede o lugar do “soco no estômago” habitual para algo simplesmente não-tradicional. Incômodo pra alguns, bizarro para outros e irrelevante para uns terceiros. Representa a fase “Netflix” da série: uma excelente produção, críticas um pouco mais amenas, finais felizes. Ainda assim, vale a pena assistir.

 

Avaliação: Bom

 

 

Smithereens

O segundo episódio, Smithereens, tem Andrew Scott (o Moriarty de Sherlock) no papel principal, Damson Idris (O Passageiro) e Topher Grace. A história se passa em Londres e tem um aspecto de “orçamento contido” que lembra muito as primeiras temporadas.

O episódio todo se desenrola em torno de um certo mistério e o alvo aqui são as redes sociais. Smithereen é o Facebook, isso fica bem claro. E Topher Grace faz um papel qualquer que representa uma espécie de Mark Zuckerberg ou Steve Jobs na trama.

O melhor episódio da temporada, resgata muito do sentimento original de Black Mirror: uma narrativa simples, que cresce, desenrolando e desnudando uma sociedade envolvida em tecnologia, mas que é, na realidade, apenas uma metáfora para a crítica da nossa sociedade atual e nosso uso atual da tecnologia. Nesse episódio, especificamente, a ação ocorre em 2008. Então não chega nem a ser metafórica a tal crítica.

 

Avaliação: Excelente!

 

Rachel, Jack e Ashley Too

O terceiro episódio, Rachel, Jack e Ashley Too, tem Miley Cyrus (a eterna Hannah Montana), Angourie Rice e Madison Davenport no elenco. Trata da relação do público com pessoas famosas – e vice-versa; da verdadeira vida que os astros levam; e a possibilidade que a tecnologia irá proporcionar muito em breve.

É o episódio que tem menos crítica para mim (ou talvez a crítica tenha sido feita de melhor maneira em Vox Lux – leia nossa crítica aqui). Fato é que o episódio empolga mais como uma aventura qualquer e por vezes pode-se esquecer que estamos num episódio de Black Mirror.

É “feliz” demais, provocativo de menos, mas certamente seria o de maior audiência se estivéssemos na TV aberta. Outro que vale 3 bacons, por ir um tantinho da direção "Bandersnatch" da série – uma história com elementos de ficção científica; uma crítica ou comentário sobre a sociedade e o uso da tecnologia; mas uma preocupação maior com o elemento narrativo, a trama em si e não os porquês de fazê-la.

 

Avaliação: Bom

 

 

A Quinta Temporada

De forma geral, todos os episódios são muito bem dirigidos, tem boas trilhas sonoras (as músicas cantadas por Miley Cyrus, por exemplo, são do Nine Inch Nails) e os elencos, como sempre, entregam perfeitamente.

A quinta temporada de Black Mirror, ao que parece, tentou agradar todos os fãs da série, realizando um episódio no estilo de cada “fase”. Com certeza um dos episódios irá te agradar. Como sempre, uma série recomendadíssima e indispensável.

Obs. A nota final foi dada calculando a média das notas dos três episódios.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer

 

 


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