Vox Lux – O Preço da Fama (Vox Lux)
Ano: 2018 Distribuição: Paris Filmes
Estreia: 28 de Março de 2019 (Brasil)

Direção: Brady Corbet

Roteiro: Brady Corbet

Duração: 114 Minutos  

Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Raffey Cassidy, Willem Dafoe

Sinopse: “Em 1999, a adolescente Celeste (Raffey Cassidy) sobrevive a uma violenta tragédia. Depois de cantar em uma cerimônia de cremação, Celeste se transforma em uma popstar iniciante com a ajuda de sua irmã compositora (Stacy Martin) e uma gerente de talentos (Jude Law). A ascensão meteórica de Celeste à fama e a simultânea perda de inocência se encaixa com um ataque terrorista que desestabiliza a nação, elevando a jovem a uma potência e um novo tipo de celebridade: ícone americano, divindade secular, superstar global. Em 2017, a adulta Celeste (Natalie Portman) está se recuperando depois de um incidente escandaloso que descarrilou sua carreira. Em tour com seu sexto álbum, que traz uma coletânea de hinos sci-fi intitulado "Vox Lux ", o pop indomável de boca suja deve superar as lutas pessoais e familiares de Celeste e navegar pela maternidade, loucura e fama inabalável na Era do Terror.”

 

Vox Lux - O Preço da Fama - O Ultimato 1

 

 

Alexandre Baptista

Vox Lux – O Preço da Fama, longa de Brady Corbet que estreia hoje no circuito nacional, não é o que parece

Trailer com cara de filme pipoca mascara na realidade uma elegante metáfora sobre a sociedade ocidental do início do século XXI

por Alexandre Baptista

Vox Lux - O Preço da Fama - O Ultimato 2

 

Vox Lux – O Preço da Fama promete em seu trailer e sinopse contar a trajetória de Celeste (Natalie Portman), diva da música pop e os detalhes que a fizeram se destacar das demais artistas do gênero.

No entanto, ao contrário da montagem “pipoca” que o trailer sugere, a simples cena de abertura do filme já transfere o espectador, com um tremendo impacto, para um outro tipo de filme. Com uma fotografia muito bem-feita que se alterna entre o início da carreira de Celeste (Raffey Cassidy), mais granulada e “antiga”; as cenas dos anos 2010, com pouca saturação de cor e mais “cruas”; e as cenas do espetáculo Vox Lux, que parecem saídas de um blu-ray de qualquer diva do pop, o longa passa a ser uma alegoria dos primeiros anos do século XXI, como o subtítulo revelado ao final do filme escancara, com Celeste representando o arquétipo da “famosidade”, da estrela pop e da constante alteração e subversão de valores provocada pela mídia e desejada pelo público.

Nesse sentido, Celeste é Amy Winehouse, Madonna, Lady Di e Lady Gaga. É Michael Jackson e Elvis Presley, é John Lennon e até mesmo Milli Vanilli. Ela representa a juventude mundial, em especial a estadunidense e as aspirações de uma população que vive na demagogia, hipocrisia e falso moralismo; que vive as tradições religiosas fervorosamente, não fala palavrões e preza pela família mas que na primeira oportunidade cai no sexo, drogas e rock’n’roll, e destaca-se pela ausência dos pais e responsáveis (note que o pai de Celeste, na única cena em que aparece, é filmado da cintura para baixo, quase fora de enquadramento), pela gravidez indesejada, pela ruptura dos laços pessoais e sentimentais sólidos e pela falta de apreço geral pela vida humana.

Ao longo de todo o filme, as cenas e personagens funcionam dessa forma metafórica e alegórica, com a imprensa e a mídia no papel de grandes promotores do espetáculo, transformando tiroteios em escolas, atentados terroristas, vítimas sobreviventes de tragédias e acidentes, e artistas de modo geral da música, do cinema e personagens da política em ídolos, mitos, deidades, que se projetam além de sua origem humana, dignos de atenção excessiva e veneração.

Essa função é reforçada nos trechos narrados por Willem Dafoe, apresentados com uma estética de documentário sensacionalista, instigando o imaginário popular e reforçando lendas fantásticas a respeito de artistas de sucesso.

Uma cena em particular, em que Celeste e sua filha estão em um café e são abordadas pelo gerente, que quer um autógrafo, é um excelente resumo para o quão surreal é a relação do público com as celebridades e vice-versa, em que qualquer dos lados age sem nenhuma empatia com o lado oposto.

O longa é produzido por Natalie Portman e Jude Law e, tendo isso em mente, não é de se espantar que a atuação de ambos esteja soberba. A jovem Raffey Cassidy oscila um pouco em sua atuação, sendo mais convincente no papel de Albertine, filha de Celeste, na segunda metade do filme do que no papel da jovem Celeste.

Outra produtora do longa e responsável pelas canções originais, Sia apresenta ótimas músicas que parecem realmente qualquer sucesso pop das paradas, dando uma veracidade extra ao roteiro e direção de Brady Corbet. A trilha sonora de Scott Walker, última realizada pelo músico falecido na última segunda-feira, 25 de março, usa em muito de suas melodias, estabelecendo transições extremamente orgânicas entre a narrativa e o filme em si.

O único demérito do longa é, infelizmente, seu ritmo: se inicia impactante e ágil (embora não veloz) e começa a desacelerar de maneira vertiginosa até se perder na “apoteose” do show de Celeste no fim do filme, tornando uma trama interessante e reflexiva em algo um tanto arrastado e enfadonho.

Vox Lux – O Preço da Fama estreia hoje, 28 de março nos cinemas e, apesar dos tropeços, merece ser conferido.

 

 

Vox Lux - O Preço da Fama - O Ultimato 3

Avaliação: Bom

 

 

Trailer:

 
 
 
 

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