Virus de Haken é o oitavo e espetacular álbum da banda inglesa de rock progressivo

 

É bem verdade que eu demorei pra postar algo sobre o novo disco Virus de Haken, banda inglesa de metal progressivo que assumiu o manto da relevância no cenário musical depois que o Dream Theater acabou perdeu o baterista fundador Mike Portnoy.

Polêmicas de outra banda à parte, fato é que, para mim, Haken é hoje o que o Dream Theater foi para os anos 90 e 2000: uma mistura precisa entre elementos do Heavy Metal, do Rock Progressivo e aqui a banda vai além, inserindo elementos do Jazz e do Jazz Fusion.

Virus de Haken é o melhor álbum do ano até aqui, mesmo com os lançamentos do Tangent e Pain of Salvation por aí.

 

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Virus de Haken – bastidores e relações

Algo que me agrada muito, mas que geralmente passa batido por fãs de rock progressivo como curiosidade ou bobagem são as relações entre as letras, temas tratados ou até mesmo a backstory – a história de fundo – que algumas bandas constroem com suas músicas.

Desde o álbum The Mountain (2013) – melhor álbum daquele ano – o Haken tem trazido temas recorrentes como homenagem em outras músicas e, desde Vector (2018), as letras também começaram a trazer menções, ora mais “secretas” e veladas, ora mais explícitas.

Os fãs detectaram naquele álbum uma curiosa relação entre Cockroach King, faixa do álbum de 2013, com The Good Doctor, faixa de Vector, que fala do doutor Rex (rei em latim) e um império a seus pés – basicamente a letra da “Barata Rei” do outro álbum.

Em Virus de Haken a brincadeira volta ainda mais explícita, com Messiah Complex V: Ectobius Rex, penúltima faixa do disco: Ectobius é um gênero de barata típico do “velho mundo” e Rex…

Curiosamente, o álbum foi lançado em meio à pandemia, com um nome bastante sugestivo. Mas, de acordo com a banda, Virus de Haken já tinha esse nome antes de tudo acontecer. E faz sentido que, após um álbum, com uma pulga na capa, chamado Vector (vetor), a banda seguisse nessa direção.

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Virus de Haken – as músicas

Virus de Haken começa já declarando a que veio. Prosthetic abre o álbum numa pegada violenta, com arranjos pesados e acelerados, um refrão que gruda na cabeça de primeira e aspirações sinfônicas muito bem colocadas. Os teclados de Diego Tejeida apresentam timbres de deixar outros de mais tempo na estrada com inveja. Se você não curtir a primeira música, pare por aqui. Este álbum não é pra você.

Ditando o clima e ritmo da obra que só melhora a cada música, Invasion vem na sequência como um lembrete de Affinity (2016), álbum em que o Haken experimentou bastante com uma sonoridade inspirada nos anos 80. Uma irmã abandonada de The Endless Knot e Earthrise, Invasion tem a assinatura da banda e mostra a busca por novas sonoridades, tempos e usos da bateria e guitarra principalmente. Isso sem falar nos vocais de Ross Jennings, cada vez melhores.

A próxima, Carousel começa com uma melodia interessantíssima que puxa pontos dissonantes em seus acordes e notas finais, abrindo para uma sessão instrumental incrível, cheia de pegada dentro do modo Lócrio, certamente. Sombria e instigante, a música é a que mais faz referência em sua letra ao título do álbum, apesar de todas versarem sobre o “tema”:

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“Cross the line on my horizon

Sapiens pervade like a virus

Finding solace in isolation

If the wolf cries “boy”, keep calm, carry on”

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A faixa então entra em um solo que tem um clima jazzístico sensacional. Uma quebra rara de se encontrar em músicas de rock progressivo e que dá um frescor ao álbum como um todo… pra entrar na “quebradeira” épica logo em seguida. Com pausas e silêncios precisos, Carousel é simplesmente sensacional.

Em The Strain temos uma faixa simplesmente absurda com a assinatura do Haken. As guitarras de Charlie Griffiths e Richard Henshall, dobrando com o baixo de Conner Green, os teclado de Tejeida e a bateria impressionante de Ray Hearne mostram o quanto o entrosamento da banda cresce a cada álbum.

É no final desta faixa que percebemos a maldição da sociedade do streaming – sinto falta dos álbuns em CD, em que as faixas tocavam sem intervalos ou pausas: The Strain emenda em Canary Yellow, mas nos players online, é inserido um intervalo que quebra o clima entra as músicas.

Canary Yellow é o “breather” do disco, uma música mais suave para que os ouvintes respirem antes da faixa mais épica. Nela já começamos a ouvir a evocação de melodias utilizadas em álbuns anteriores. Novamente Earthrise é lembrada e, nada por acaso, Host do álbum Vector. Ainda de maneira sutil… mas isso muda em seguida.

 

Virus de Haken – Messiah Complex

A faixa épica e clássico instantâneo, Messiah Complex é dividida em 5 partes:

    • I: Ivory Tower
    • II: A Glutton for Punishment
    • III: Marigold
    • IV: The Sect
    • V: Ectobius Rex

 

Infelizmente, a divisão em faixas diferentes atrapalha os ouvintes dos serviços de streaming por conta do já mencionado maldito intervalo entra as faixas. Saudades das músicas de 30 minutos com divisões somente nos encartes.

Ivory Tower mostra como a composição do Haken é poderosa e empolgante, já das notas iniciais. Os fãs da banda não perdem por esperar a menção, desta vez declarada à Host, no finalzinho da faixa.

A Glutton for Punishment foi feita pra impressionar, começando com a quebradeira de saída; uma “ponte” com melodia incrível e uma escalada de tirar o fôlego que menciona nominalmente Puzzle Box, também do álbum Vector.

Marigold começa lembrando a trilha sonora de algum filme. Veja, não é que ela lembra algo em específico. Minha tentativa em mencionar isso é dar ao leitor uma ideia da sensação que o início da música transmite.

No entanto, na metade da música, temos uma excelente experimentação com os teclados em dobra com as guitarras e bateria – com efeitos em pan entra a saída direita e esquerda que constroem um “cenário sonoro” – o famoso soundscape fantástico.

A letra fala de Marigold e eu não consigo deixar de pensar em Alice no País das Maravilhas… até que chega a primeira menção aberta a Cockroach King musicalmente (do álbum The Mountain) em The Sect. Mas não espere uma citação direta. O pessoal do Haken trabalha direitinho e usa a menção como base, extrapolando o conceito e criando em cima de maneira brilhante.

O trecho tem ainda uma brincadeira com efeitos que lembram músicas de 8-bit de jogos de videogame, uma das assinaturas de Tejeida.

Então Ectobius Rex fecha a épica Messiah Complex como uma parte 2 (ou seria 3) de Cockroach King. Tenho a impressão de que dá pra ouvir as duas faixas superimpostas – uma sobre a outra – se tentarmos…

Virus de Haken poderia tranquilamente terminar aí, não porque a última música não impressiona, mas porque sinceramente, como fã e ouvinte, teria me dado por satisfeito com a produção, sem necessidade de nada além.

Mas Only Stars, com pouco mais de dois minutos, vem pra fechar o disco, numa despedida singela, graciosa, melancólica, lindíssima e que mais uma vez evoca Host.

 

Virus de Haken – conclusão

O novo álbum do Haken deixa pouca dúvida do quanto eles são músicos em evolução constante e que ainda buscam por sua obra-prima – apesar de ter no catálogo o petardo The Mountain e todos os álbuns subsequentes.

Vírus talvez seja essa obra-prima. Não só pelas menções, citações, letras e melodias, mas pela qualidade técnica dos músicos e as qualidades de produção do álbum.

Qualquer um que discorde pode ouvir tranquilamente a versão Deluxe de Virus de Haken e conferir cada uma das faixas citadas em suas versões instrumentais – o que facilita muito em perceber linhas, riffs, licks, viradas ou o que quer que seja que não esteja “em primeiro plano” auditivo nas músicas.

Um trabalho realmente impressionante que, na minha opinião, segue garantindo a posição da banda no pódio do metal progressivo, sem muita gente por perto pra conseguir disputar o lugar.

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Capa de Virus de Haken

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Haken – Virus (Deluxe Edition)

1 – “Prosthetic” (05:58)
2 – “Invasion” (06:42)
3 – “Carousel” (10:29)
4 – “The Strain” (05:23)
5 – “Canary Yellow” (04:14)
6 – “Messiah Complex I: Ivory Tower” (03:57)
7 – “Messiah Complex II:A Glutton for Punishment” (03:38)
8 – “Messiah Complex III: Marigold” (02:24)
9 – “Messiah Complex IV: The Sect” (02:02)
10 – “Messiah Complex V: Ectobius Rex” (04:57)
11 – “Only Stars” (02:10)

[Deluxe Edition]

1 – “Prosthetic” (Instrumental) (05:58)
2 – “Invasion” (Instrumental) (06:42)
3 – “Carousel” (Instrumental) (10:29)
4 – “The Strain” (Instrumental) (05:23)
5 – “Canary Yellow” (Instrumental) (04:14)
6 – “Messiah Complex I: Ivory Tower” (Instrumental) (03:57)
7 – “Messiah Complex II:A Glutton for Punishment” (Instrumental) (03:38)
8 – “Messiah Complex III: Marigold” (Instrumental) (02:24)
9 – “Messiah Complex IV: The Sect” (Instrumental) (02:02)
10 – “Messiah Complex V: Ectobius Rex” (Instrumental) (04:57)
11 – “Only Stars” (Instrumental) (02:10)

Tempo Total:    1:43:58 (51:59 cada)

Ouça no Spotify ou Deezer


Créditos:
Texto e Edição: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução/Divulgação
Virus de Haken - Playlist 1

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