Obra-prima do Dream Theater completou 20 anos neste final de semana

por Alexandre Baptista

 

Bem-vindos a nossa nova coluna, Playlist! Aqui vamos trazer para vocês dicas de músicas e álbuns essenciais, aqueles que merecem ser conferidos mesmo que você não seja exatamente fã do gênero a que pertencem ou da banda/artista em questão.

E pra começar, vamos com uma brincadeira que instigou os fãs e acabou empurrando a banda norte-americana de metal progressivo Dream Theater ao sucesso e à criação de sua obra-prima, fundamental na discografia de incontáveis amantes da música.

Tudo começou durante as gravações do segundo álbum de estúdio do Dream Theater, Images and Words, lançado em julho de 1992. Durante as sessões da música Metropolis: The Miracle and The Sleeper, o guitarrista John Petrucci, então com 28 anos, adicionou “pt 1” como uma brincadeira.

A música logo se tornou um hino entre os fãs e símbolo do estilo musical próprio da banda. E o público, obviamente, passou a esperar as “continuações” de Metropolis Pt 1: The Miracle and The Sleeper.

Após pequenas crises internas – como o alcoolismo de Mike Portnoy, hoje sóbrio por 17 anos, a saída de Kevin Moore da banda em 1994 e as pressões da gravadora deles na época, a Warner – o Dream Theater se reuniu para gravar um novo álbum de estúdio e finalmente dar vazão criativa a uma possível continuação de Metropolis, cedendo às pressões dos fãs.

As primeiras versões de Metropolis Pt 2 fizeram parte das gravações do álbum Falling Into Infinity, lançado em setembro de 1997. No entanto, a forte presença da gravadora, segundo o então baterista e fundador da banda, Mike Portnoy, limitou bastante a orientação artística do álbum.

Embora seja um grande exemplar na discografia do Dream Theater, é possível perceber, desde a identidade visual alterada no logotipo da banda, até o estilo de mixagem e presença de baladas e músicas mais radiofônicas, a sufocante orientação do estúdio. Por esse motivo foram descartadas do álbum Raise the Knife, Cover My Eyes e o embrião de Metropolis Pt 2.

A turnê de 1998 de Falling Into Infinity, documentada em parte no album Once in a LIVEtime, foi o auge do caos na banda: o clima com o tecladista Derek Sherinian – que havia substituído Moore desde o EP A Change of Seasons em 1995 – não andava legal e a “formatação” orientada pela gravadora, numa direção um pouco mais palatável e pop, deixava toda a banda desconfortável.

Num momento “tudo ou nada”, Portnoy negociou os meios para a gravação de um novo álbum de estúdio, desta vez com liberdade criativa total. Caso não aceitassem, ele sairia da banda. O estúdio concordou, deixando no entanto o Dream Theater sem nenhum marketing ou divulgação do álbum.

Debruçados sobre aquele primeiro esboço de 1997, com então 27 minutos, os músicos desdobraram mais temas, pontes, eixos de ligação, referências e citações musicais em 50 minutos extras de música. A obra-prima da banda, Metropolis PT 2: Scenes From a Memory ganhava então vida com seus 77 minutos de música sobre um tema musical.

O álbum foi lançado em 26 de outubro de 1999 e me lembro de ter ido dormir na casa do meu irmão de estrada e vida, o Davi, pra poder ouvir o álbum, beber e conversar sobre música, jogos e cinema.

Ouvimos o álbum pelo menos duas ou três vezes, sem conversar muito. Era impressionante notar as referências musicais à Metropolis original, mas ainda mais impressionante eram os novos riffs de Petrucci; os preenchimentos do teclado de Jordan Rudess – naquela época eu ainda não conhecia o termo soundscapes, mas com certeza muitas passagens do tecladista davam justamente essa sensação; o baixo de John Myung mais evidente graças à mixagem e virtuoso como sempre; as dobras de guitarra e teclado; baixo e teclado; baixo, guitarra e teclado… tudo muito impressionante e deslumbrante.

E, claro, a indecência da bateria de Mike Portnoy – sigo achando a captação nesse álbum bastante seca e incômoda em alguns momentos, com um timbre estranho na caixa, mas nada comparado aos trabalhos mais recentes da banda – virtuose e brilhantismo puro em pequenos detalhes das linhas da percussão.

Segundo o vídeo de making of, a banda teve como influência algumas obras conceituais de grandes bandas na idealização de Metropolis Pt 2 como álbum: Tommy do The Who, The Lamb Lies Down on Broadway do Genesis, Amused to Death de Roger Waters, OK Computer do Radiohead, Operation: Mindcrime do Queensrÿche, Sargeant Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles, Misplaced Childhood do Marillion, The Wall e The Final Cut do Pink Floyd.

As referências podem ser ouvidas em algumas passagens do álbum, sendo a mais óbvia e nítida, talvez, a composição floydiana de The Spirit Carries On e os elementos de Queensrÿche e The Who em Home.

O álbum segue uma linha operática e sinfônica e, liricamente, acompanha a história de Nicholas, um homem que inicia terapia de regressão após sonhar repetidas vezes com uma garota chamada Victoria Page, durante o ano de 1928.

Ao longo das sessões de regressão, o jovem se descobre sendo uma reencarnação de Victoria e explora mais sobre a história de vida da garota, como o triângulo amoroso entre ela e os irmãos Baynes – o senador Edward “The Miracle” e Julian “The Sleeper” – além da verdade por trás de seu assassinato.

O álbum foi um bom sucesso, responsável por clarear o caminho do Dream Theater perante a gravadora e abrir espaço para o metal progressivo fora do antigo circuito “MTV-radio-home vídeo”. No aniversário de 10 anos do álbum, Mike Portnoy definiu Metropolis PT 2: Scenes From a Memory como o álbum que salvou a banda. É reconhecido por inúmeros músicos como um dos álbuns essenciais do rock, em especial do gênero progressivo, e fonte de inspiração.

Uma curiosidade é a autoria da capa do álbum, de ninguém menos que Dave McKean, conhecido dos fãs de quadrinhos por suas capas de Sandman de Neil Gaiman. A capa de Metropolis Pt 2: Scenes From a Memory é, inclusive, uma reinterpretação do artista do conceito utilizado por ele mesmo para a capa de Sandman: Brief Lives (1994).

 

A capa de Dave McKean para Sandman: Brief Live de 1994.

 

Mesmo após 20 anos, Metropolis Pt 2: Scenes From a Memory é um álbum que envelheceu extremamente bem, sendo muito gratificante e empolgante ouvir cada uma de suas músicas. O único detalhe é arrumar tempo para ouvir o “disco” de cabo a rabo.

 

Metropolis PT 2 Ao Vivo

E para quem quiser conferir ao vivo algumas das músicas de Metropolis PT 2: Scenes From a Memory, duas grandes chances ocorrerão no Brasil nos próximos meses.

 

 

Em novembro, Mike Portnoy estará em turnê conjunta com o Noturnall de Mike Orlando e o repertório promete algumas músicas do Dream Theater. Com sorte The Dance of Eternity pode ser uma delas, ou ainda, como parte do Instrumedley.

Em Curitiba, o show acontece no dia 14 de novembro no Espaço Cult, com realização da Mosh Productions. Maiores informações sobre este show e demais localidades podem ser conferidas aqui.

 

 

Em dezembro é a vez do próprio Dream Theater, desde 2010 com Mike Mangini no lugar de Portnoy na bateria, a chegar ao Brasil.

A banda vem com a turnê The Distance Over Time Tour – Celebrating 20 Years Of Scenes From A Memory, comemorando os 20 anos do álbum. O formato do show será An Evening With, com um repertório de cerca de 3 horas de duração e o vintenário álbum em sua íntegra.

Em Curitiba, o show acontece no dia 08 de dezembro na Ópera de Arame, com realização da Liberation Tour Booking. Maiores informações sobre este show e demais localidades podem ser conferidas aqui.

 

Dream Theater – Metropolis Pt 2: Scenes From a Memory

Ato I
1 – "Scene One: Regression" (2:06)
2 – "Scene Two: I. Overture 1928" (3:37)
3 – "Scene Two: II. Strange Deja Vu" (5:12)
4 – "Scene Three: I. Through My Words" (1:02)
5 – "Scene Three: II. Fatal Tragedy" (6:49)
6 – "Scene Four: Beyond This Life" (11:22)
7 – "Scene Five: Through Her Eyes" (5:29)
 
Ato II
8 – "Scene Six: Home" (12:53)
9 – "Scene Seven: I. The Dance of Eternity" (6:13)
10 – "Scene Seven: II. One Last Time" (3:46)
11 – "Scene Eight: The Spirit Carries On" (6:38)
12 – "Scene Nine: Finally Free" (11:59)
 
Tempo Total:    77:06

Ouça no Spotify ou Deezer

 


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