Álbum de estreia do Sons of Apollo é uma viagem a um universo paralelo

por Alexandre Baptista

 

Final de semana chegando, é hora de aumentar o som e deixar rolando a Playlist!

Com o lançamento do novo single Goodbye Divinity no sábado, 16 de novembro e o anúncio do novo álbum MMXX (2020), nada mais justo que falar do supergrupo Sons of Apollo e do primeiro álbum deles, Psychotic Symphony (2017).

Nos quadrinhos, uma linha editorial que empolga muito os leitores é a “versão alternativa”. Seja na Marvel, com a linha O Que Aconteceria Se… (What if…?) ou na DC Comics com a Túnel do Tempo (Elseworlds), é sempre divertido conferir seus personagens favoritos em posturas ou situações bastante diferentes das canônicas.

Sons of Apollo é quase um O Que Aconteceria Se do Dream Theater. E se, depois de Falling Into Infinity (1997), Derek Sherinian não tivesse saído da banda? Pelo contrário, quem tivesse abandonado seu posto tivesse sido o vocalista James LaBrie e Jeff Scott Soto tivesse tomado seu lugar?

Tudo bem, a formação do Sons of Apollo conta com Jeff Scott Soto nos vocais, Mike Portnoy na bateria, Derek Sherinian nos teclados… mas John Myung e Petrucci não fazem parte disso. No baixo temos Billy Sheehan e na guitarra Ron “Bumblefoot” Thal.

Mas basta ouvir a faixa de abertura de Psychotic Symphony, God of the Sun para sacar o que estou dizendo: a música é praticamente uma prima de Home e The Root of All Evil, com teclados no timbre de Lines in the Sand e Let Me Breathe. E essa música de abertura dita a sonoridade do álbum todo.

O baixo típico de Sheehan some um pouco e a guitarra de Bumblefoot lembra bastante o estilo de Petrucci. Ainda que seja um som datado, é bastante interessante pensar no que teria sido o Dream Theater se tivesse seguido pra veia mais rock e menos progressivo lá em 1997… tem até uma referenciazinha a Beatles!

A segunda faixa, Coming Home, já tem uma pegada mais rockão e as linhas melódicas lembram algo de Ozzy Osbourne; o baixo é bem mais interessante, com uma pegada mais pesada e os vocais variam pra caramba, com gritos agudos que lembram o hard rock dos anos 80 e 90 – Mr. Big, Van Halen, Kiss – e dá pra ouvir um trechinho em homenagem a Won’t Be Fooled Again do The Who lá pro meio da música. Nada inovador, mas uma ótima música pra rolar numa reunião de amigos num final de semana de sol.

Signs of the Time vem na sequência, novamente numa pegada de sonoridade bem similar aos trabalhos mais pesados do Dream Theater. Mais uma música que parece saída do universo alternativo que, em 1999 mais ou menos, viu o lançamento de um disco que era praticamente uma continuação de Falling Into Infinity. Perceba na progressão instrumental, que serve de base para o solo de guitarra: lembra demais a sessão de Under a Glass Moon e uns trechos de A Change of Seasons, só que com um baixo mais pronunciado. Divertido pra quem é saudosista e não está procurando nada de excepcional.

Na sequência, a segunda das mais progressivas: Labyrinth. O vocal de Soto é o grande destaque nessa música, uma vez que a parte instrumental segue a linha do Dream Theater alternativo. Bastante interessante a dinâmica e deixa o ouvinte, especialmente o fã da antiga banda de Mike Portnoy curioso para ouvir versões dos clássicos da banda com esse vocal.

Alive é outro contraponto, apostando mais no lado hard rock dos membros da banda. Embora até role uma mescla, em alguns trechos, de um som que lembra os soundscapes pretendidos por Anthony Arjen Lucassen com o Ayreon, a predominância é de um estilo power balad – aquelas canções mais lentas de bandas oitentistas, como Is This Love? do Whitesnake, por exemplo – e toda a parte melódica da música só confirma isso.

Lost in Oblivion tem uma sonoridade um pouco mais atual, lembrando bastante o som que a banda Haken apresentou em Affinity (2016) e Vector (2018), mas ainda assim não exatamente inovadora.

A seguir temos Figaro's Whore, um curto preâmbulo de teclado que funciona perfeitamente como uma pequena introdução para Divine Addiction, que começa sem emendas após Figaro’s Whore.

Ambas as músicas são o momento de glória de Derek Sherinian no álbum. Nelas o tecladista deixa evidente não somente seu estilo de composição, como sua predileção pelo estilo musical de bandas como Whitesnake e Deep Purple; em especial, seu apreço pelo teclado icônico de John Lord, que ele mimetiza à perfeição. Divine Addiction parece uma irmã de Perfect Strangers da banda inglesa. E, sinceramente, não acredito que isso seja um demérito. Como um som casual, de viagem, de churrasco, funciona perfeitamente.

Com Opus Maximus, os filhos de Apolo encerram o álbum em grande estilo. A melhor faixa – e a mais progressiva também – veio, como era costume de Mike Portnoy nos álbuns do Dream Theater pós-Metropolis PT2: Scenes From a Memory, por último. Certamente, essa é aquela que vai ser motivo no churrasco, pra que alguém peça pra mudar o som.

Então deixe ela de fora da Playlist “pública” e ouça só entre fãs do gênero. A faixa é instrumental e virtuosa, com exibições de perfeição técnica de todos os integrantes: baixo, teclado, guitarra e bateria se sucedem nos “holofotes” em uma composição feita para isso. Ainda assim, diversos trechos evocam aquela sensação de “já ouvi isso antes em algum lugar”.

De maneira geral, Psychotic Symphony é um ótimo álbum, ainda que esteja uns 20 anos atrasado em seu lançamento. Mas é bastante interessante por dar saudade daquilo que a gente não viveu.

 

Sons of Apollo – Psychotic Symphony

1 – "God of the Sun" (11:12)
2 – "Coming Home" (4:22)
3 – "Signs of the Time" (6:42)
4 – "Labyrinth" (9:22)
5 – "Alive" (5:05)
6 – "Lost in Oblivion" (4:27)
7 – "Figaro's Whore" (Instrumental) (1:04)
8 – "Divine Addiction" 4:42)
9 – "Opus Maximus" (Instrumental) (10:29)

Tempo Total:    57:35

Ouça no Spotify ou Deezer

 


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