Krypton (Primeira Temporada) | O Ultimato

Krypton – Primeira Temporada
Ano: 2018 Distribuição: SyFy
Estreia: 21 de Março Direção: Ciaran Donnelly, Metin Hüseyin, Julius Ramsay, Marc Roskin, Keith Boak, Kate Dennis, Lukas Ettlin, Colm McCarthy, Steve Shill, Erica Watson
Roteiro: Joe Shuster, Jerry Siegel (baseado nos personagens de); David S. Goyer (criado por); David Kob, Chad Fiveash, James Patrick Stoteraux, Cameron Welsh, Doris Egan, David Paul Francis, Ian Goldberg, Luke Kalteux, Lina Patel, Nadria Tucker, Damian Kindler
Duração: 45 Minutos  

Elenco: Cameron Cuffe, Georgina Campbell, Shaun Sipos, Ann Ogbomo, Aaron Pierre, Wallis Day, Blake Ritson, Ian McElhinney, Colin Salmon

Sinopse: “Anos antes de o Superman se tornar a lenda que o mundo inteiro conhece, a família El era envergonhada e excluída da sociedade. O drama acompanha o avô do Superman, que aos poucos transforma um planeta em desordem e crise em um lugar com igualdade e esperança. ”

 

 

Alexandre Baptista

Renovada para uma segunda temporada, Krypton é uma agradável surpresa aos fãs do Superman

Space opera com boa trama e elementos do cânone do Azulão, primeira temporada da série consegue ser fiel aos quadrinhos ao mesmo tempo em que traz roteiros inéditos

por Alexandre Baptista

 

Quando a série foi anunciada, confesso que torci o nariz à premissa da mesma: Krypton, série desenvolvida pelo SyFy, iria explorar o passado familiar de Kal-El, o Superman, mostrando eventos da juventude de seu avô, Seg-El no planeta natal do personagem. Ao que tudo indicava, seria uma versão da DC do fracasso de Caprica (2009 – 2010), seriado derivado da nova versão de Battlestar Galactica (2004-2009) que explorava o passado da família Adama e sua relação com os Cylons.

Considerar que Krypton foi um dos únicos produtos relacionados ao Homem de Aço – além da participação em Supergirl da CW e da menção em Titãs do DC Universe – a ser lançado pela empresa fora dos quadrinhos no ano do octagenário do herói, até me motivou a conferir a série. Mas não era motivo suficiente para gostar dela.

Essa proeza foi mérito total da boa temporada apresentada. Vamos lá, não é uma série espetacular como Titãs (Titans, 2018 – presente) ou Demolidor (Marvel’s Daredevil, 2015 – 2018), nem com aspirações mais artísticas como Legion (2017 – presente) mas está bastante acima das séries do Arrowverso na CW em muitos quesitos.

Logo nos primeiros episódios já tomamos contato com a dinâmica social kryptoniana e os percalços em que Val-El coloca a Casa que irá originar o Superman. Aliás, Ian McElhinney (o Barristan Selmy de Game of Thrones), que interpreta Val-El, imprime uma nobreza e grandiosidade ao personagem digna do Superman de Richard Donner.

 

Val-El (Ian McElhinney) de vermelho e azul, as cores da Casa El: super.


 

A atuação do restante do elenco também está acima da média, com destaque para Georgina Campbell (Lyta-Zod), Wallis Day (Nyssa-Vex) e Ann Ogbomo (Jayna-Zod); Colin Salmon e Blake Ritson fazem um excelente trabalho também e Cameron Cuffe (Seg-El) segura bem as pontas no papel principal, garantindo mais credibilidade que a grande maioria das séries atuais da DC.

A série segue a partir daí no ritmo característico das space opera, lembrando bastante em muitos momentos boas séries do gênero como a própria Battlestar Galactica, Babylon 5, Deep Space Nine ou até mesmo Star Trek: Discovery. Cenários bem-feitos, figurino a contento e efeitos ligeiramente acima do padrão aceitável para séries de TV, que possuem um orçamento infinitamente menor que filmes de cinema, compõem uma bela obra de entretenimento aos fãs do maior personagem dos quadrinhos de super-heróis. E, especialmente, um elemento que é o grande diferencial: a conexão direta com o cânone do kryptoniano.

Nos quadrinhos, pouquíssimas edições ou sagas abordando o passado no planeta natal do Super, como O Mundo de Krypton – realizada sob a batuta de John Byrne nos anos 80 – foram publicadas. Explorar na série um cânone pouco desenvolvido do personagem, poderia acabar sedimentando um material indesejado pela editora ou pelo estúdio. A grande sacada dos roteiristas da série para não se aventurar demais nessa área foi inserir na mistura um elemento até que batido, mas genial: a viagem no tempo.

No começo, eu jurava que não ia funcionar… mas funciona, e bem.

A partir daqui, se você não quer spoilers, sugiro que veja a nota no fim da crítica e confira o quanto antes a primeira temporada da série, uma vez que a segunda temporada já confirmada, deve estrear na segunda metade desse ano.

Agora, se você não se importa, a seguir teremos spoilers: Usando a premissa da viagem no tempo (algo extremamente presente e importante no cânone do Super e da DC como um todo), os roteiristas ficam livres para explorar personagens, versões alternativas da história do Homem de Aço e garantir que o público tenha fan service além das boas tramas que não necessariamente dialogam com o que está nos quadrinhos.  Assim, temos General Zod (Colin Salmon), Apocalypse, numa versão muito mais fiel aos quadrinhos que a mostrada em Homem de Aço (Man of Steel, 2013) e Brainiac (Blake Ritson), o grande vilão da temporada, como nunca antes adaptado. Embora em contextos totalmente diferentes e em uma história totalmente nova, os personagens preservam sua essência em Krypton, sendo perfeitamente representados e fieis às suas contrapartes das HQs. Novas versões de velhos conhecidos; novas histórias que se conectam de alguma forma com a linha cronológica principal. É como visitar uma das realidades alternativas visualizadas por Tempus (Waverider) em Armageddon 2001 – mais canônico e épico, impossível.

 

Brainiac: fiel ao design e cânone apresentado em Superman: Brainiac nos quadrinhos.



Para realizar esse feito da viagem no tempo de maneira crível, o personagem escolhido foi Adam Strange (Shaun Sipos), que ainda não é o herói que conhecemos nos quadrinhos – embora Sardath e Alanna sejam mencionados e o Raio Zeta seja utilizado profusamente pelo personagem – mas que se esforça ao voltar ao passado de Krypton e tentar reestabelecer a linha do tempo a fim de impedir que o Superman deixe de existir.

Talvez aí esteja uma das poucas críticas a serem feitas por mim: embora Adam seja uma boa escolha, sigo fazendo campanha por Michael Jon Carter, o Gladiador Dourado. Quem conhece o personagem sabe que ele é um zelador do século XXX que, sendo fã do Super, rouba alguns apetrechos do museu onde trabalha e volta ao século XX, XXI, onde passa a atuar como Gladiador Dourado (entre os itens roubados por ele estão um traje que emite rajadas de energia e um anel de vôo da Legião). A história de Michael, seu cânone todo é permeado por uma insegurança gigantesca e sua necessidade em se provar como herói e se redimir dos pequenos delitos cometidos. Em toda a DC, ele acaba sendo um dos mais temerários e heroicos personagens e, analisando o Adam Strange de Krypton, a impressão que fica é de que os roteiristas se confundiram com o nome do personagem. Sem contar a realação de Michael com Skeets, o servo-robô do Superman.

É fato que com isso perderíamos a piadinha de Strange que pede para ser chamado de “Doctor Strange” (Doutor Estranho) para, em seguida, mencionar que isso talvez causasse problemas.

 

Gladiador Dourado: relação dele com viagens no tempo, Superman, Metrópolis e Skeets nos quadrinhos é mais próxima e sólida que a de Adam Strange.



Ainda assim, esse pequeno ponto negativo não afeta em nada a boa qualidade da série que é acompanhada por uma competente e, em muitos momentos, épica trilha sonora que chega inclusive a evocar o clássico Tema de Superman criado por John Williams.

A primeira temporada de Krypton, exibida pelo SyFy entre 21 de março e 23 de maio de 2018 com 10 episódios e renovada para uma segunda temporada a estrear agora em 2019, certamente irá agradar fãs de ficção científica e, acima de tudo, verdadeiros fãs do Azulão.

Sendo isso uma verdade irrefutável, ajoelhem perante Zod!

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer:

 
 
 

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