Titãs | O Ultimato

Titãs (Titans) – Primeira Temporada
Ano: 2019 Distribuição: Netflix
Estreia: 11 de Janeiro (Brasil)

Roteiro: Akiva Goldsman, Geoff Johns, Greg Berlanti, Richard Hatem, Marisha Mukerjee, Greg Walker, Bryan Edward Hill, Gabrielle Stanton, Jeffrey David Thomas

Direção: Brad Anderson, Kevin Rodney Sullivan, John Fawcett, Meera Menon, Carol Banker, Alex Kalymnios, David Frazee, Akiva Goldsman, Maja Vrvilo, Glen Winter

Duração: 40 – 50 minutos Elenco: Anna Diop, Brenton Thwaites, Teagan Croft, Ryan Potter, Curran Walters, Minka Kelly, Alan Ritchson, Conor Leslie

Sinopse: “Dick Grayson (Brenton Thwaites) e Rachel Roth (Teagan Croft), uma jovem especial possuída por uma estranha escuridão, se envolvem em uma conspiração que pode trazer o inferno à Terra. Juntando-se a eles estão a temperamental Estelar (Anna Diop) e o adorável Mutano (Ryan Potter). Juntos, eles se tornam uma família e uma equipe de heróis.”

 

 

 

Alexandre Baptista

Titãs se consolida como melhor produção da DC fora dos quadrinhos e dá novo ânimo para os projetos da empresa

Série estreia nesta sexta, 11 de janeiro, na Netflix e já tem sua segunda temporada confirmada

Por Alexandre Baptista

 

Vamos lá. Vou falar mais uma vez sobre esse assunto. Quem acompanha o Sobrecast, o podcast do Sobrecapa, já cansou de me ouvir dizer o que penso a respeito de adaptações de quadrinhos aos cinemas e televisão, seja live action ou animação: vejo com muito menos empolgação um material literal (como Watchmen, Sin City, A Morte do Superman), que usa a obra original como um storyboard para a nova produção do que um material que se inspira nela, mantém-se fiel aos personagens, mas traz novidades ao enredo (Akira, Estrada Para Perdição, Feliz!, Scott Pilgrim) distanciando-se ligeira ou completamente do material base ao mesmo tempo em que o respeita completamente. Distanciar-se da linha mestra é muito diferente de obras que desrespeitam a essência de um personagem, especialmente quando este é icônico, e são para mim a última opção: assisto apenas por curiosidade, mas descarto logo.

Acompanhei a produção de Titãs desde o começo, dos primeiros anúncios e polêmicas (é só lembrar o quanto a galera reclamou da escalação de Anna Diop como Estelar) até o recente anúncio da confirmação da segunda temporada e o episódio final transmitido pela DC Universe e admito que fui passando aos poucos do ceticismo e da velha sensação de “vem mais uma bomba por aí” para o “isso até que não é ruim”, entrando num “caramba, a parada é boa” e finalmente no “pqp, essa série é a coisa mais f*[email protected] que a DC já fez.”.

As primeiras fotos não me convenceram. A sensação de que veríamos algo parecido com o flop de Inumanos era forte, mas assim também era minha esperança de que se tratassem de fotos do set, não finalizadas e sem pós-produção. A estreia do primeiro episódio foi o suficiente para me acalmar um pouco: enquanto algumas pessoas reclamavam da violência da série, tudo o que eu podia ver era fidelidade à essência dos personagens. Lembrem-se, é um seriado de TV, com um orçamento muito abaixo das produções de cinema. E no entanto, os efeitos estão excelentes, especialmente se compararmos às séries do Arrowverse.

Primeiras fotos vazadas: fora de contexto, tudo parecia muito estranho…


 

Falando nisso, outro motivo de desconfiança infundada para mim era a presença de Greg Berlanti, produtor dessas séries na CW. Os primeiros episódios de Titãs me mostraram que, assim como Zack Snyder, os autores às vezes estão subordinados à uma orientação criativa do estúdio e pouco podem fazer para mostrar a sua visão verdadeira para aquela história. É claro que a presença de Akiva Goldsman e Geoff Johns também contribui com a qualidade geral, mas é importante fazer essa ressalva em favor de Berlanti.

Um único detalhe que me incomoda muito na série é a falta de créditos ou menções a Marv Wolfman e George Pérez. A Warner larga somente um “baseado em personagens da DC”, tanto na abertura quanto nos créditos finais e “Robin criado por Bob Kane com Bill Finger”, salvo engano, só aparece por uma obrigação judicial. Mas vamos falar de coisa boa, vamos falar de…

 

Dick Grayson (Brenton Thwaites) como Robin: uniforme inspirado no traje de Tim Drake.


 

Na série, acompanhamos a jornada de Dick Grayson, o Robin, que, cansado de ser manipulado e empurrado em direção à escuridão pelo Batman, muda-se para Chicago e passa a combater o crime por lá, só que agora como policial. Cada episódio vai mostrando um pouco desse dilema pessoal do personagem e também introduzindo os demais Titãs: Nando Reis… digo, Mutano, Ravena e Estelar, que num primeiro momento sabem muito pouco ou quase nada a respeito de seus próprios poderes e origens (ok, o Nando… digo, Mutano sabe bastante sobre si mesmo, mas digamos, só conceitualmente).

Outros personagens do universo DC dão as caras na série, de uma maneira muito orgânica e plausível, expandindo a realidade das séries DC Universe antes mesmo das estreias de Patrulha do Destino, Monstro do Pântano e Stargirl.

Mas não espere reconhecer o enredo. Não queira comparar aos quadrinhos. “Qual fase dos Novos Titãs era violenta? Quando a Estelar perdeu a memória? Os poderes de Rapina e Columba não eram derivados dos deuses do Caos e da Ordem? ”. Pois é, não importa. A construção feita episódio após episódio é completamente nova e as relações entre os personagens, inéditas. Imagine que você está lendo um Titãs: Terra Um, em que as essências estão intactas e perfeitas, mas a história em si é bastante diferente em muitas coisas.

Ao criar a versão dos Titãs do seriado, os autores fazem uma mescla de todas as versões que conhecemos: o Mutano tem um pouco do humor de Jovens Titãs em Ação!, uma história de origem que lembra em muito a clássica dos quadrinhos, um uniforme muito parecido com o original; a Rachel é uma mistura da Ravena de George Perez, assombrada pela presença cada vez maior de Trigon e da escuridão, com a versão mais jovem e inexperiente apresentada em Jovens Titãs (a série animada); Kory Anders empresta muita coisa da fase solo de Estelar, como o arco Sombras na Alma, além de todas as novidades e mudanças criadas exclusivamente para a série, que não só convencem como atualizam os conceitos da personagem; e Dick… bom, o Robin é um destaque à parte, com um desenvolvimento que respeita todo seu passado no Circo Haly, os Graysons Voadores, Tony Zuco e muito mais, trazendo elementos da fase solo em Blüdhaven (na série a cidade é Chicago) e, ainda assim, estabelecendo novas relações e tramas, dando mais profundidade para sua relação com os outros Titãs e apresentando algo fresco e revigorante aos fãs.

Sim, você pode esperar elementos clássicos dos quadrinhos e uma infinidade de easter eggs e surpresas bem-vindas. Algumas cenas foram tiradas diretamente das páginas de Batman Ano Um e Vitória Sombria e readequadas ao contexto do seriado. O fã atento vai perceber episódios e trechos que vêm diretamente de Um Lugar Para Morrer; Batman Ano 3; Contrato de Judas; Morte em Família, A Noite em que Robin Morreu e até mesmo, a melhor de todas, A Piada Mortal. Especialmente no 11o episódio, que é simplesmente uma apoteose sensacional, com direito a cena pós-créditos. E que cena! Daquelas que a gente levanta do sofá e grita um “aeeeeee [email protected]*****”.

Não espere ver essa cena na série, mas pode apostar que de alguma forma ela vai estar lá.


 

Além disso, a série está repleta de referências, citações, participações especiais e, apesar do estúdio dizer que não, uma ligação forte com o universo cinematográfico que vai além dos tons sombrios e do “realismo”. A construção é tão orgânica e bem-feita que faz a gente torcer pra DC não desistir daquele universo, tentar acertar o tom só mais uma vez e conectar tudo de novo – especialmente agora que o trilho parece ter sido encontrado em Aquaman.

 

Notem particularmente a melhor versão de todos os batmóveis até hoje: com um design esportivo que consegue mesclar o batmóvel da clássica série de 1969; as linhas realistas de um Porsche; e a imponência do design do batmóvel de 1989.


 

A atuação de Brenton Thwaites como Robin e de Anna Diop como Kory estão espetaculares e é difícil não reconhecer os personagens (ou ouvir as vozes dos atores quando se está lendo os quadrinhos a partir de agora). Ryan Potter (Garfield Logan, o Mutano) e Teagan Croft (Rachel, a Ravena) são um tanto irregulares, entregando atuações ora convincentes, ora levemente pasteurizadas, mas nada comprometedoras. Minka Kelly (Columba) e Alan Ritchson (Rapina) são destaques excelentes, bem como outros atores e atrizes que aparecem em participações especiais (que não vamos nominar simplesmente para não dar spoilers), com presenças vibrantes, marcantes e instantaneamente clássicas.

Fazia muito tempo que uma produção da Warner / DC não me empolgava tanto. Digamos que animavam, mas faltava algo (como o crossover do Arrowverse, Crise na Terra X que foi excelente, mas ainda não chegava exatamente “lá”).

Titãs é DC pura, com os velhos personagens que tanto amamos em novas aventuras e origens readequadas para as telas, apostando na criatividade em vez de reproduzir quadro a quadro algo que já vimos. Uma série que aposta na qualidade do roteiro, dosa os efeitos especiais da melhor maneira possível, equilibra tensão dramática, ação e pitadas de humor, trabalha os elementos sombrios e a saturação de cor de maneira perfeita e que sabe onde quer chegar. Uma prova disso é a forma como termina a primeira temporada, sem preocupação com pontas soltas: muito pelo contrário, ao não resolver a maior parte dos dilemas levantados na temporada, o episódio final só aponta quanta lenha os roteiristas têm para queimar, quase como quem diz “estamos só começando”.

 

 

Avaliação: Excelente!

 

Trailer

 


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