Thor – Vikings
Ano: 2017 Editora: Panini
Páginas: 120

Autor: Garth Ennis

Arte: Glenn Fabry

 

Sinopse: “Houve uma época que os marinheiros preferiam se atirar ao mar e perecer nas águas turbulentas a enfrentar uma embarcação viking. Tamanha era a ferocidade e a crueldade dos guerreiros nórdicos. 
Garth Ennis, o genial e provocador roteirista por trás de sucessos como Justiceiro e Preacher, aliado ao seu fiel parceiro Glenn Fabry (Lugar Nenhum), apresenta sua primeira e sangrenta aventura com o poderoso Deus do Trovão, obrigado a lidar com uma hora de vikings zumbis que desembarcam em Nova York e desencadeiam o maior massacre que a cidade já viu. Ninguém parece páreo para tais guerreiros, como o próprio Thor descobrirá.​”

Ramon Sanches

Pense na ideia de os vencedores do Eisner, Garth Ennis (Melhor roteirista, 1998, Preacher) e Glenn Fabry  (Melhor Arte de capa, 1995, Hellblazer) trabalharem mais uma vez juntos e escrevendo para o selo MAX, da casa das ideias, sobre Thor, numa história com Vikings… Sensacional correto? NÃO, não para mim! Continue mais um pouco e eu explico porque acho Thor: Vikings (2003) superestimado e cercado de elementos que empobrecem uma ideia tão maravilhosa.

Sou um apaixonado por literatura nórdica. Nos quadrinhos, Thor é meu personagem predileto. As aventuras do deus do Trovão já me renderam e ainda me rendem ótimos momentos. Curto muito a mitologia, a cultura e ainda mais a imersão literária que o assunto provoca. E é esse o ponto em que Ennis mais deixa a desejar por aqui. Falta algo que nos conecte a história. 

Apesar de um ótimo início e um ritmo alucinante, a superficialidade com que Thor: Vikings, trata seu personagem principal parece insinuar que o filho de Odin é mais útil por seu nome na capa do que por fazer parte do enredo propriamente dito. Por vezes nos faz parecer que os elementos de apoio tem maior importância na trama. Ao que parece, uma clara alusão ao ódio declarado do irlandês por heróis estereotipados. A arte realista de Fabry com suas cores saturadas comunga de forma brilhante com doses cavalares de gore e caos. O único ponto negativo é a feminilidade nas feições do nosso herói, algo que incomoda mais no início da leitura.

A história em si, começa na era áurea dos vikings, e a sensação que temos é que estamos diante de uma obra ao estilo Ragnarok de Michael Avon Oeming e Daniel Berman e aqueles elementos estão lá, bem ao nosso alcance. Vikings pilhando, religião, sangue e violência gratuita…  Ennis bebe muito bem dessa água nos embriagando com diálogos que nos arrancam sorrisos de satisfação. Ali, somos apresentados a Harald Jaekelsson, o nosso antagonista, amaldiçoado por causa de suas obras contadas nas primeiras páginas. Dentro da proposta, seu personagem entrega exatamente o que esperamos e é bem desenvolvido, cheio de autoconfiança e jargões que remetem a sua época e cultura. 

Assim, nesse cenário urbano dominado por “vikings zumbis” matando todos que encontram pela frente, Thor se apresenta para impedir que o caos continue a se alastrar, e o resultado disso é mais batalha, mais sangue, mais gore. Em meio a tudo isso, em um tom acelerado e desconexo, somos apresentados aos personagens de apoio, que aqui se tornam parte central da trama. Destaque positivo para a participação de um grande personagem, que nos presenteia com uma boa dose de sua simpatia ácida característica.

No fim temos soluções clichês e entregues de forma gratuita e cheias de frases de efeito, que funcionam, mas não convencem aqueles que gostam de uma pegada mais densa. Mesmo sabendo da proposta. Mesmo sabendo que é o aclamado Garth Ennis.

Thor: Vikings é uma ideia brilhante transformada em uma história casual, arco fechado, sem meios termos e que até vale a leitura, mas que nos deixa com vontade de que existam mais conteúdos com esta temática envolvendo o deus do trovão.

  

Avaliação: Bom!