por Lucas Souza

 

“Crepúsculo Esmeralda” é uma das HQ´s mais tristes que um fã pode ler. Na década de 90, a DC Comics estava trazendo cada vez mais desafios para os seus heróis. Foi nessa época que tivemos as famosas “A Morte do Superman” e “A Queda do Morcego”. A diferença básica é que essas duas histórias levavam os heróis ao limite e – sobrepujando ou não o desafio – eles permaneciam com sua moral e heroísmo intactos.

Não é isso que acontece aqui. Até o retcon de Geoff Johns, que diz que Hal Jordan foi dominado pela entidade do medo Parallax, o que essa história mostrava era a queda de um dos maiores heróis da Editora das Lendas e a origem do vilão Parallax.

“Crepúsculo Esmeralda” foi originalmente publicado nos EUA em 1990 nas edições #48 – #50 de “Green Lantern”. Aqui no Brasil, a saga foi publicada pela editora abril em formatinho no especial “Crepúsculo Esmeralda” (1995), pela editora Panini em “Lanterna Verde – Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer” (2009) e pela Eaglemoss em “DC Comics – Coleção de Graphic Novels” #30 (2016). Recomendamos que você leia a Morte e o Retorno do Superman para entender mais a fundo o que acontece com Hal Jordan.

 


Hal Jordan e Sinestro se enfrentam em “Crepúsculo Esmeralda” de Ron Marz

 

Após os eventos de “O Retorno do Superman”, Hal Jordan vê sua cidade natal (Coast City) ser reduzida a cinzas pelas mãos do ditador extraterrestre Mongul – que contou com a ajuda do Superciborgue. Ambos queriam se vingar do Homem de Aço e no processo, destroem a cidade para começar a construção de um novo “Mundo Bélico”.

Toda a vida que o maior dos Lanternas Verdes já conheceu se foi. Amigos, família… Hal se sente sozinho como nunca. E então vem a ideia: o anel tem um poder quase irrestrito e com ele o portador pode fazer o que quiser, certo? Porque não reconstruir Coast City?

O que vemos na primeira de três partes da saga “Crepúsculo Esmeralda” é um herói enlutado e desesperado que tenta usar seu poder para se despedir de seus familiares e cidade – acho que pouquíssimas vezes vimos um herói tão quebrado (talvez Ralph Dibny em “Crise de Identidade” e o Homem-Aranha após a morte de Gwen Stacy) e perdido. No meio desse processo de luto a carga do anel acaba e um dos guardiões aparece (em forma de projeção) informando que Jordan deve ir para OA para um processo disciplinar por ter usado o anel em benefício próprio. Nesse momento, vemos claramente a chave virar em Hal Jordan.

O, até então, maior de todos os Lanternas Verdes começa uma corrida desenfreada para ir a OA – mas não para ser disciplinado. Hal Jordan encara todos os seus amigos e vai coletando os seus anéis conforme vai avançando nas batalhas. É um verdadeiro show de horrores que mostra a queda completa de um grande herói da DC. Kilowog, Tomar-Re… Ninguém que entra em seu caminho está a salvo.

 


Sinestro e Hal Jordan travam um combate até a morte em “Crepúsculo Esmeralda”

 

“Crepúsculo Esmeralda” tem o efeito de nos deixar incrédulos a cada página e a cada ato do até então herói Hal Jordan. Confesso que ao ler pela primeira vez só acreditei que aquilo não era um sonho ou algo do gênero ao ver o confronto final com Kilowog (seu maior companheiro na tropa). O roteiro, perfeitamente amarrado, tem o mérito de nos fazer entender cada passo da transformação do personagem e de dar um ritmo completamente alucinante aos confrontos. Os duelos com Kilowog e Sinestro são os melhores que já vi em histórias do Lanterna Verde.

O melancólico final de “Crepúsculo Esmeralda” abre espaço para o novo Lanterna e herdeiro da tropa, Kyle Rayner. O destino de Hal Jordan, agora o vilão Parallax, é mostrado na saga “Zero Hora” quando ele mostra que tem um plano para reescrever o universo da forma que ele acredita que as coisas deveriam ser. A transformação do maior Lanterna Verde em pior vilão da DC é simples enquanto história mas passa de forma perfeita as emoções de um herói que havia perdido tudo.  E, parafraseando um grande vilão, “Ou você morre um herói, ou vive o suficiente para se transformar no vilão”.

Em “Lanterna Verde: Renascimento” Geoff Johns, para alegria de alguns e fúria de outros, transforma a grande queda de Hal Jordan em uma possessão sofrida pelo herói em seu momento de fraqueza – no qual a entidade do medo Parallax entrou e dominou o personagem.

De qualquer forma "Crespúculo Esmeralda" é uma grande HQ, indispensável para os fãs de Super-Heróis em geral.

 

 

Avaliação: Ótimo

 

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