Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray é a revitalização do personagem nos anos 2000

 

Em 2006 a DC Comics resolveu dar uma nova chance ao caçador de recompensas mais temido do Velho Oeste. Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray foi a série que gerou uma nova leva de histórias do temido personagem – que já apresentava boas histórias desde sua criação pelas mãos de John Albano em 1972

Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray foi muito elogiada nos EUA e sua série teve 70 números que duraram de 2006 até 2011. Os artistas foram acompanhados de diversos desenhistas diferentes como Luke Ross (que nas primeiras edições até homenageia o Brasil colocando o rosto de atores como Paulo Goulart e Matheus Nachtergaele em rosto de coadjuvantes), Jordi Bernet, Rafa Garres, Phil Noto e outros.

A série de sucesso, infelizmente, não foi publicada na íntegra no Brasil. A Panini Comics lançou 6 encadernados entre 2010 e 2012 compilando as 36 primeiras edições. São eles: Jonah Hex: Marcado pela Violência, Jonah Hex: As Armas da Vingança, Jonah Hex: Origens, Jonah Hex: Apenas os Bons Morrem Jovens, Jonah Hex: Falta de Sorte e Jonah Hex: Balas não Mentem

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O ator Lima Duarte é homenageado e seu rosto aparece em uma história de Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray

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As tramas do Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray

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A HQ Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray  é o tipo de série que é feita em pequenas tramas que duram uma ou duas edições no máximo. Essas histórias curtas podem se conectar com outras tramas mais a frente para gerar uma continuação ou uma consequência.

Mas não se assuste – sempre que isso acontece, Palmiotti e Gray tomam todo cuidado para dar ao leitor um breve resumo da trama original. Sendo assim, você pode pegar qualquer edição da série e simplesmente sair lendo – sem receio de se sentir perdido.

Uma das sacadas mais geniais das histórias ocorre no que diz respeito a cronologia. Os autores relatam o conto que querem com o personagem e nos contextualizam de sua vida até ali – quando isso é relevante.

Temos algumas histórias de Hex mais velho, interagindo com seu filho e até citando sua esposa chinesa (que foge com seu filho quando ele ainda era um bebê); e mais novo, sendo vendido pelo pai aos apaches e até ganhando a famosa cicatriz.

Todas essas referências do futuro e do passado do pistoleiro foram retiradas de HQs passadas de forma que as tramas da série Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray encaixam, quase que perfeitamente, com histórias passadas. É ótimo para matar a curiosidade de novos leitores e dar mais camadas ao insuperável caçador de recompensas.

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Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray conta para novos leitores como o pistoleiro ganhou sua famosa cicatriz

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Se você é fã do Justiceiro de Garth Ennis e sente falta de um personagem implacável e cruel contra os malfeitores, o Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray é exatamente o que você está procurando. A crueldade do personagem fica clara desde a primeira história da série, intitulada Dando ao Diabo o que é do Diabo.

Na HQ vemos Hex indo atrás de sequestradores de crianças que usam os pequenos para rinha com cachorros. Isso mesmo, eles colocam as crianças pequenas para brigarem com grandes e famintos cães – isso tudo enquanto várias pessoas apostam no resultado. Hex acaba com a quadrilha e aplica uma lição equivalente no líder da mesma. Bem coisa de Frank Castle, não?

Essa primeira história da série nos dá uma noção do Velho Oeste que iremos encontrar na HQ: sujo, violento e traiçoeiro. Nem tudo é o que parece e não é difícil se pegar questionando as atitudes de Jonah Hex – que parece só querer ser deixado em paz. Muitas histórias se destacam mas vale falar especialmente sobre outras duas que mostram esse lado mais cruel das tramas: A Balada de Tallulah Black e Fugindo da Própria Sombra.

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Tallulah Black é a personagem que protagoniza uma das histórias mais cruéis das HQs do Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray

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A Balada de Tallulah Black foi publicada originalmente em Jonah Hex #16 – #17 – no Brasil saiu no encadernado Jonah Hex: Origens da Panini Comics. Na história somos apresentados a jovem Tallulah que vê toda a sua família ser morta por homens da lei corruptos, é obrigada a se prostituir para sobreviver e acaba tendo seu rosto e genitais talhados por um dos homens que descobre que ela sobreviveu.

Contando com a ajuda da dona do bordel, Tallulah parte para encontrar Jonah Hex e buscar sua vingança. A diferença? Ela não quer que ele execute para ela e sim que ele a ensine. Esse pequeno detalhe, aliado a toda a crueldade da HQ, gera uma história fantástica!

Em Fugindo da Própria Sombra vemos um Jonah Hex que quer abandonar seu passado violento. Ele compra um terreno e começa a construir uma casa isolada para viver sozinho. A crueldade dos homens parece persegui-lo e ele tenta não se envolver com os problemas da cidade até que não resta outra alternativa.

O interessante nessa história, que foi publicada na edição #34 da série americana e no encadernado Jonah Hex: Balas Não Mentem no Brasil, é vermos que a vontade de não agir do pistoleiro é tão grande que quando ele toma uma atitude, consequências irreversíveis já ocorreram. É importante observar também nessa história que Hex já está tão cansado das pessoas que não consegue mais reconhecer bondade genuína. Fantástico!

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O caçador de recompensas escapa de uma morte por congelamento em Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray

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Jonah Hex de Jimmy Palmiotti e Justin Gray é o tipo de série que vai agradar em cheio os fãs do caçador de recompensas e os admiradores de histórias que retratam um Velho Oeste mais feio, cruel e, eventualmente, místico (Hex cruza com El Diablo em algumas histórias da série).

Seja nas cidades mexicanas, no frio canadense ou no Velho Oeste americano, o personagem protagoniza tramas interessantes e cruza com personagens ora bons demais para aquele ambiente ora ruins e corruptos demais para ficarem vivos. 

Uma série excelente que é perfeita para apresentar o personagem para novos leitores e tirar o gosto azedo que o filme de 2010 deixou na boca dos fãs!

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Créditos:
Texto: Lucas Souza
Edição: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução

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