Hellboy (2019)
Ano: 2019 Distribuição: Imagem Filmes 
Estreia: 16 de Maio

Direção: Neil Marshall

Roteiro: Andrew Cosby, Mike Mignola

Duração: 120 Minutos  

Elenco: David Harbour, Milla Jovovich, Ian McShane, Sasha Lane, Daniel Dae Kim

Sinopse: “Nimue (Milla Jovovich), a Rainha de Sangue, foi uma bruxa tão poderosa que nenhum mortal jamais conseguiu derrotá-la. Durante uma batalha, seu corpo foi dividido em seis partes e espalhado pelos lugares mais distantes da Terra. Anos depois, o massacre a um mosteiro próximo à Londres levanta a suspeita de que alguém pode estar querendo ressuscitá-la e Hellboy (David Harbour) recebe a missão de conter essa terrível ameaça. A humanidade quase não conseguiu sobreviver aos seus poderes da primeira vez e certamente não sobreviverá na segunda.”

 

 

Fabio da Luz

Caverna do Morcego

por Fabio da Luz

 

Então foi a minha vez de ir conferir o novo filme do Hellboy.

O novo filme é dirigido por Neil Marshal, diretor muito conhecido pelos seus trabalhos em séries como Game of Thrones e Westworld, e contando com o roteiro do próprio criador do Hellboy, Mike Mignola, em conjunto com Andrew Cosby.

Após vermos na década passada dois filmes do Hellboy dirigidos por Guillermo Del Toro, que eram filmes competentes e que se engrandeciam pela estética empregada pelo diretor, mas que eram adaptações dos quadrinhos que seguiam caracterização própria do mesmo, Mignola resolveu buscar um reboot onde teríamos um filme que se aproximaria mais do que são os quadrinhos.

E podemos dizer que essa decisão do criador do personagem chamou a atenção dos fãs e, inclusive, quando saíram as imagens do David Harbour caracterizado como Hellboy, a sensação de que veríamos um filme bom começou a bater na porta.

Contudo, quando os primeiros trailers saíram, muitos fãs questionaram o humor empregado nas prévias, visto que não estava condizente com que o Mignola tinha dito anteriormente sobre seguir uma pegada mais próxima dos quadrinhos do personagem.

E pois bem, chegamos então ao esperado filme, estreando lá nos Estados Unidos entre a adaptação de Shazam e o bilionário filme dos Vingadores. Se 10 anos atrás foi o Cavaleiro das Trevas que ajudou o segundo filme de Guillermo Del Toro a não ter uma boa bilheteria, dessa vez os Vingadores fizeram esse papel.

E meus amigos, antes de mais nada, preciso dizer que eu não sou um grande leitor de Hellboy e, por consequência, não sou um conhecedor profundo da mitologia do personagem. Então a minha visão do filme será restrita ao que vi em tela, sem me atentar a referências ou qualquer justificativa que se restringe aos conhecedores dos quadrinhos.

O primeiro problema que vejo no filme é que temos muitos personagens sendo jogadas na tela, mas que são mal explicados ou que aparecem mesmo sem nenhuma explicação. A trama tem seu foco em trabalhar nas origens do protagonista e o antagonista, sem necessariamente querer que os demais personagens da trama sejam melhor explorados.

Dentre os personagens de apoio, podemos citar os “companions” do protagonista. Pegando como por exemplo a personagem Alice Monaghan, interpretada pela atriz Sasha Lane, vemos ela sendo adicionada a trama de forma bem abrupta, sendo que posteriormente as explicações sobre os seus poderes são feitas de maneira que me fez ficar confuso e sem entender as extensões deles.

A própria origem dessa personagem, que é ligada com um outro vilão da trama chamado Grugach, que é um ser com cabeça de Javali e corpo de homem, fica um tanto jogada na história e que me fez ter zero de empatia com ela.

Entendo que todos esses personagens vem dos quadrinhos e que, consequentemente, vem das inspirações de Mignola em folclore, nas obras de H. P. Lovecraft, em ocultismo e assim por diante, mas o problema é que tradução e adaptação desses conceitos para o filme ficaram bem jogados, não me fazendo em nenhum momento ter vontade de querer saber mais sobre eles.

Inclusive o filme me fez ter a sensação de que a introdução dos vários personagens ali foi no intuito de serem explorados mais para frente em outros filmes. Só que esse novo modelo de Hollywood, advindo do sucesso do universo compartilhado da Marvel, pode ser perigoso pois em nada adianta sair jogando personagens na trama se a utilidade deles não irá conectar o público com o filme.

Mas chegando a dois pontos que eu creio serem importantes aqui, os quais são o Hellboy, interpretado por David Harbour, e a Rainha de Sangue, interpretada por Mila Jovovich, começo tecendo meus comentários sobre a antagonista.

Em tese a antagonista é uma personagem interessante, que tem sua origem e motivações mostradas já no começo do filme, numa cena de flashback bem esquisita e um tanta quanto caricata. No flashback a rainha é esquartejada e cada pedaço do seu corpo é enviado para um lugar do mundo. Muitos anos depois, enquanto o Hellboy estava tratando de problemas indicados pelo seu pai, a vilã do filme acaba voltando com a ajuda do vilão Grugach, sendo que ela verá na figura do protagonista uma possibilidade de levar o mundo aos seres iguais a ela e fazer dele o seu rei.

Particularmente eu gostei da construção da vilã, ela tem motivações que me fez criar um interesse sobre ela, contudo a atuação da Mila Jovovich não me convence e acaba me perdendo por uma interpretação caricata da atriz.

Já em relação ao Hellboy, o trabalho de David Harbour me remeteu um pouco ao que Ron Pearlman fez nos filmes anteriores, um tom de comédia debochada, misturada em alguns momentos com sarcasmo.
Tal qual foi no primeiro filme, a introdução do personagem ao nosso mundo é a mesma, envolvendo nazistas e Rasputin, sendo que as motivações do nosso herói durante o filme envolvem a descoberta de sua origem, bem como de seus antepassados e como se dará o seu destino dentro do que descobriu sobre si mesmo.

Dentro da construção do protagonista, um ponto positivo que observei foi a sua relação com o seu pai, a qual teve uma exploração competente e importante para a trama, capitaneada pela boa atuação de Ian Mcshane, vivendo aqui o pai de Hellboy.

Uma cena que me chamou a atenção e que talvez tenta definir a presença de Hellboy dentro do filme traz um momento que diferencia a atuação de David Harbour da atuação Ron Pealman: é quando ele está em um bar e é picado por um escorpião, o que faz o personagem dizer que o aracnídeo só estava ali fazendo o que a natureza definiu que ele deveria fazer. E é basicamente o que Hellboy fica se perguntando o filme todo, se ele deve fazer o que seu destino definiu, ou seja, ser o monstro tal qual o mundo o vê ou deve ser algo além, algo que seu pai enxergou nele, algo que está fora da natureza ao qual os nazistas e rainha de sangue enxergaram nele.

O problema aqui é que todos esses questionamentos internos são mal construídos e a origem do personagem acaba seguindo um caminho que eu confesso que me soou bem inesperado e que faz com que todas essas perguntas se percam um pouco.

E todas essas falhas acabam me remetendo para o fato de que são vários defeitos de construção que não ajudam o filme, sendo que, para piorar, os efeitos especiais em determinados momentos são mal feitos.

Outro ponto que é importante ressaltar é que o filme é classificado para maiores de 18 anos e que foi uma espécie de moeda a ser vendida para seguirem com o reboot do personagens nas telonas. Isso se justifica muito pouco pois visa a violência simplesmente pela violência, apelando para o sadismo em alguns momentos, com corpos sendo esfolados ou sendo partidos, fazendo alusão àqueles filmes de terror e “goreporn”.

O que talvez eu tenha mais gostado dentro de toda a experiência como público é a cena final, que poderia ser muito bem explorada em uma continuação caso o filme tivesse feito sucesso, mas como o mesmo fracassou, ela ficará somente como uma referência.

Pessoalmente esse filme não foi agradável. Talvez se você for fã das histórias do personagem e conhecedor da mitologia do herói, a trama aqui seja melhor apreciada, mas como uma pessoa que não conhece tão bem os quadrinhos, posso dizer que prefiro os filmes anteriores.

Uma pena, pois estava esperançoso por uma nova continuidade de filmes desse personagem que é muito rico dentro da nona arte.

 

Avaliação: Ruim

Diego Brisse

*originalmente publicada em 03 de maio de 2019.

 

Adaptações de livros ou hqs para cinema e televisão sempre são complicadas. Dificilmente a adaptação agrada aos fãs do material original, mas existem casos em que uma adaptação bem feita consegue isso e em alguns raros casos consegue superar o material original. Não é o caso do reboot de Hellboy.

Desde o primeiro trailer, alguns fãs ficaram incomodados com o tom de humor parecido com o de Deadpool. Eu inclusive defendi o filme, ainda mais depois que o próprio criador do personagem Mike Mignola elogiou a fidelidade do filme com o material original (conforme noticiamos aqui!). Mas não deu, pelo menos comigo o filme não funcionou. Eu fui preparado para ver uma adaptação, Hellboy tem coisas muito complicadas de se adaptar, porém jamais imaginaria que fossem pesar tanto no humor a ponto de descaracterizar os personagens. Alguns diálogos parecem um esquete de programa de humor brasileiro. Em determinado momento é apresentado um personagem com uma postura severa, trágica, séria, sem espaço para o humor. Aí na sequência seguinte ele faz uma das piadas mais infames do filme! 

 

Cena faz referência á HQ Caçada Selvagem com muita fidelidade, mas fica soterrada na confusa história do filme

 

A história basicamente adapta o arco final de Hellboy com elementos de histórias anteriores, porém a adaptação é confusa e a história fica exageradamente non sense, com uma narrativa "sem pé nem cabeça". Até mesmo a trilha sonora fica meio jogada, apesar de boa, forçou demais em diversos momentos, transformado várias cenas do filme em videoclipes que acabam embolando ainda mais a trama já confusa. Uma coisa que Mignola foi sincero foi em relação à fidelidade com as hqs, tem cenas que são cópias exatas de páginas das Hqs, o visual do filme é muito bom e realmente ficou bem parecido com a obra original, apenas tendo exagerado um pouco no próprio Hellboy, só que parece que a verba para efeitos visuais acabou e em certos momentos fizeram as piores escolhas em termos de efeitos visuais. Para os fãs das hqs existem muitas referências e easter eggs, só que eles funcionam só para quem conhece as hqs e não vai fazer sentido para o público normal. David Harbour foi de longe o ator que mais se esforçou para o filme funcionar, pois o resto do elenco parecia estar levando tudo na “sacanagem”. 

 

Apesar do lindo visual que destaca sua beleza, Milla Jovovich entrega uma atuação muito fraca. 

 

Mas e se… eu nunca tivesse lido as hqs? Nesse caso eu até poderia ter ficado mais satisfeito. Desconhecendo a obra original, o filme é até bem divertido, funciona como uma comédia de ação adulta non sense com tempero sobrenatural. Não seria um filme memorável, mas eu sairia feliz do cinema. O filme segue bem na linha Deadpool e Thor Ragnarok (pois é!) só que com uma trama mais interessante apesar de confusa e o tom sobrenatural mais voltado para algo como terror é muito atrativo. Só que eu “infelizmente” li as hqs e não consegui abraçar a idéia do filme que a todo momento fica tentando agradar a quem leu e quem não leu sem encontrar um equilíbrio adequado. 

Hellboy na tentativa de agradar aos fãs das hqs e ao público geral acabou fazendo uma colcha de retalhos um tanto confusa fazendo diversas referências e incluindo cenas idênticas à das Hqs, mas tentando seguir uma linha muito voltada para humor e violência a fim de conquistar o público geral. O filme pode até agradar bem aqueles que nunca leram uma hq do personagem, apesar da trama enrolada dificultar, dá para se divertir. As adaptações de Guillermo Del Toro são infinitamente superiores. Uma pena, mas não foi dessa vez que Hellboy teve um retorno triunfal aos cinemas. Legal que na última cena eles ainda fazem um gancho para uma (im)provável sequência. Coitados…

OBS: Tem cena pós créditos!!!

 

Avaliação: Regular

 

Lucas Souza

*originalmente publicada em 03 de maio de 2019.

 

Ao ver o trailer de “Hellboy” a primeira vez, lembro de não ter tido uma sensação boa. O personagem de Mike Mignola sempre foi meio sarcástico e dotado de um humor negro recorrente, mas o que vi naqueles minutos se assemelhavam mais ao humor do MCU ou, na melhor das hipóteses, de Deadpool – não que esses tons sejam ruins ou merecedores de crítica, eles só não condizem com o Universo que Mignola criou nas HQ´s.

A sensação ao sair da sessão é de incredulidade. Muitos acertos aconteceram mas infelizmente os erros superam (e muito!) os pontos positivos do filme que parece que se perdeu em algum ponto – algo similar ao que aconteceu com “Esquadrão Suicida”: poderia ser um grande filme, mas funciona melhor como video clipe.

 

Visual é um dos acertos de “Hellboy” de Neil Marshall

 

Os pontos positivos do filme estão apoiados no visual – que é assustador e representa bem os demônios e assombrações que os leitores do Universo criado por Mike Mignola estão tão acostumados (exceto as representações de fantasmas que são absolutamente risíveis – atenção a eles!). Aliás, a equipe mostrou que leu bastante as HQ´s e temos cenas inteiras que são perfeitamente retiradas dos quadrinhos – a quantidade de referências é grande e se você é um fã do personagem prepare-se para dar um sorrisinho com essas cenas . O próprio visual de Hellboy, mais robusto e exagerado do que nos filmes de del Toro, mostra o quanto a equipe esteve empenhada em buscar suas raízes nos materiais do personagem.

Infelizmente, tudo que há de bom no filme se limita ao visual e as referências. A história segue por um caminho extremamente confuso (os não leitores de Hellboy vão se sentir perdidos em vários momentos) que parece mais preocupado em ser engraçadinho do que em desenvolver bem a história. O excesso de piadas, boa parte delas mal colocadas, incomoda e por muitas vezes me tirou da experiência – o mal humorado Hellboy dá lugar a um personagem bem menos profundo e interessante. A culpa não parece ser de  David Harbour (Hellboy) que entrega uma performance interessante ao lado de Milla Jovovich (Nimue) e Daniel Dae Kim (Ben Daimio) – e todos sofrem com o roteiro. O personagem de Daniel Dae Kim é, inclusive, uma das maiores contradições do longa e vai de matador insensível a grande piadista em minutos.

 

Hellboy em um dos muitos momentos de ação do longa

 

O maior problema do filme não são as piadas fora de hora ou os personagens rasos. É a narrativa que é confusa e não consegue fazer com que Nimue (Milla Jovovich) seja sentida como uma grande ameaça além de não justificar de forma contundente seu grande interesse por Hellboy – isso para não mencionar a grande quantidade de personagens jogados no longa.

Infelizmente, o reboot de Hellboy se mostrou um erro. O filme não possui nenhum carisma e o piadista Hellboy passou longe de ser o personagem que tanto admiramos. O começo pode animar alguns ao fincar as raízes da vilã Nimue no passado da Grã-Bretanha, mas a montagem confusa do filme e péssimas sequências fazem com que a vilã deixe de representar (ou parecer) um perigo para o mundo aos olhos do espectador – as cenas da personagem no primeiro e segundo ato são muito ruins. “Hellboy” (2019) de Neil Marshall infelizmente se sai melhor como um videoclipe do que como um filme e, caso a franquia tenha uma outra chance, espero que reconheçam os erros e levem o personagem para caminhos mais promissores.

 

Avaliação: Regular

 

 

 

Conheça mais sobre o personagem com nossa matéria especial sobre os 25 anos de Hellboy clicando aqui!

 

Trailer

 

 


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