por Diego Brisse 

 

Hoje, 23 de março, a Dark Horse celebra os 25 anos de Hellboy, a criação mais famosa de Mike Mignola. Preparamos uma matéria especial contando um pouco da história do personagem que no dia 15 de maio terá sua terceira adaptação para o cinema, um reboot  na verdade. Hellboy se tornou bem popular pela franquia cinematográfica anterior feita com muita competência por Guillermo Del Toro, lançada em 2004 e 2008, mas que não teve prosseguimento. Esse reboot promete revitalizar o personagem e ser mais próximo às HQs, conforme dito pelo próprio criador do personagem Mike Mignola aqui, o filme está muito fiel a Hq. O que é natural, pois quando o primeiro filme foi lançado, Mignola ainda não havia terminado de escrever a saga de Hellboy. Mas afinal…

 

Quem é Anung Un Rama ou Hellboy? 

 

O personagem foi concebido primeiramente apenas como uma ilustração de Mike Mignola para o guia de programação do evento Great Salt Lake Comic Convention em 1991. Em 1993 Hellboy teve sua primeira história de apenas quatro páginas publicada na revista promocional San Diego Comic Con Comics #2.

 

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Primeira ilustração de Hellboy em 1991 no guia de programação do evento Great Salt Lake Comic Convention em 1991

 

Mike Mignola já trabalhava como ilustrador para Marvel e DC, mas passou a ter interesse em criar algo próprio após ter trabalhado na mini série Batman: The Doom That Came To Gotham (Batman – Sina Macabra), com uma história voltada para o sobrenatural. Mignola acreditou que para contar as histórias que ele gostaria, usando influências do folclore Europeu, temas mais místicos, fugir do senso comum dos super heróis, o ideal seria criar seus próprios personagens. A principio Mignola queria escrever sobre uma equipe de detetives paranormais (que mais tarde se tornaria o B.P.D.P.), mas devido a dificuldades criativas ele decidiu colocar o personagem Hellboy como protagonista ao invés da história centralizar na equipe.

 

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Capa da San Diego Comic Con Comics #2

 

Mike Mignola não tinha experiência como escritor e convidou John Byrne para escrever os diálogos e roteirizar a história. A primeira história de Hellboy publicada na revista promocional San Diego Comic Con Comics #2, já contava com a participação de John Byrne e servia como uma introdução, um “trailer” para a primeira mini série de Hellboy.

 

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Primeira arte do que seria a equipe de detetives sobrenaturais. Na ilustração temos Hellboy, Liz Sherman, Johann Krauss, Benjamin Daimio e Abe Sapien.

 

Em 1994 a mini série Hellboy – Sementes da Destruição foi publicada pela Dark Horse pelo selo Legend, que publicou Sin City de Frank Miller e Next Men de John Byrne. A trama que tinha elementos folclóricos, lovecraftianos, ocultistas e sobrenaturais aliadas ao humor característico do personagem, causaram estranheza. O humor de Hellboy desde o início funciona como um contraponto à trama mais voltada para o terror e até hoje alguns leitores se incomodam com isso. Mignola diz que o humor do personagem é inspirado em seu pai, que apesar dos problemas sempre mantinha o bom humor. E isso resume bem Hellboy, por diversas vezes o personagem está a beira da morte ou definindo o destino da humanidade e mesmo assim mantém o senso de humor afiado.

 

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Página da primeira história publicada de Hellboy, com roteiro de John Byrne

 

Apesar da morna recepção, Hellboy se manteve e no mesmo ano saiu a mini série Os Lobos de Santo Agostinho, já escrita por Mignola, que teve uma aceitação melhor e começou a tornar o personagem muito mais popular. Com o sucesso e uma crescente base de fãs, Hellboy seguiu sendo publicada regularmente. Em 1995 a Dark Horse pediu que Mignola desenvolvesse uma história para ser publicada no catálogo Advance Comics da loja Capital City. A história que se passa em 1959 chamada O Cadáver (The Corpse), foi baseada em um conto folclórico irlandês chamada Teig O'Kane e o Cadáver foi publicada ao da edição 75 à 82 do catálogo, com em média 3 páginas de história por publicação. Considerada fraca por Mignola na época, a história apresenta dois personagens que viriam a ser importantes no arco conhecido como a Morte de hellboy. 

Com o crescente sucesso, Hellboy teve seu universo expandido com suas histórias publicadas em diversas coletâneas, edições especiais e one shots. Em março de 1998, foi lançada a primeira história do universo Hellboy sem o seu protagonista, Abe Sapien – Drums of The Dead. A HQ não só foi a primeira sem Hellboy, mas também foi a primeira sem Mike Mignola escrevendo ou ilustrando. A história foi escrita por Brian McDonald e ilustrada por Derek Thompson.

 

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Capa da HQ Abe Sapien – Drums of The Dead

 

Já o B.P.D.P. foi ganhar sua primeira história “solo” em 2002 com a mini série B.P.R.D.: Hollow Earth. Em dezembro de 2001 já havia sido publicada uma história promocional de 3 páginas  para divulgar a série.

O universo Hellboy tem outros spin offs excelentes como Lobster Johnson, Witchfinder, Crimson Lotus dentre outros, boa parte não publicada no Brasil. O mundo criado por Mike Mignola se mostrou muito rico e poderoso, e mantém um nível muito alto na qualidade das histórias, mesmo quando não escritas pelo próprio criador. Até hoje Hellboy é publicado regularmente, no Brasil a editora Mythos é a responsável pela publicação do personagem e mesmo com dificuldades e "ignorando" diversos spin offs, faz um excelente trabalho! As edições são repletas de extras, entrevista com o autor, guias e em especial cada edição, geralmente, conta com um glossário com todos os elementos folclóricos e históricos citados por Mignola nas histórias, trazendo um excelente conhecimento para que o leitor tenha uma experiência completa. Clique na imagem abaixo e veja todas as edições disponíveis para com comprar com descontos de até 40%.

 

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Hellboy no cinema

Em 1998, a Dark Horse já discutia a adaptação para os cinemas. Guillermo Del Toro já havia se declarado fã da HQ e tinha grande interesse em levar Hellboy para os cinemas, porém devido a diversas dificuldades somente em 2004 o mundo foi apresentado ao Hellboy nos cinemas. Del Toro se dedicou muito ao filme, tendo inclusive recusado a oferta para dirigir Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Exisitia um certo receio de o filme não ter sucesso, pois apesar de popular, Hellboy não tinha a mesma popularidade de X-Men e Homem Aranha que poucos anos haviam tido adaptações de grande sucesso para o cinema. Por um outro lado a crescente popularidade de filmes do gênero poderia ajudar Hellboy a se tornar um filme bem sucedido.

A adaptação de Del Toro foi muito fiel ao que Mike Mignola criou, graças a presença do criador do personagem que participou ativamente da produção. Foi mantido o tom sombrio, e todas as referências obscuras, mas para fazer um sucesso maior com o público o filme pesou um pouco mais no humor e acabou desviando um pouco para o lado mais…"romântico. Nada disso comprometeu a qualidade do filme, com uma adaptação muito bem equilibrada entre a fidelidade às hqs e adaptação cinematográfica. Vale citar que em 2004 Hellboy ainda era um personagem relativamente recente e principalmente, com seu universo em desenvolvimento. O filme foi uma aposta arriscada, o estúdio chegou a "encrencar" com a escolha de Ron Perlman para o papel principal, eles queriam Vin Diesel e chegaram a até cogitar Nicolas Cage e Dwayne Johnson, mas Del Toro e Mignola foram firmes na escolha. Mesmo assim o estúdio insistiu em colocar um ator mais popular no elenco, tentando empurrar ainda o Vin Diesel para o papel de Abe Sapien, mas Del Toro conseguiu ganhar a briga e escalou o excelente Doug Jones. 

Apesar de elogiado e ter agradado os fãs, Hellboy não foi um grande sucesso e para piorar um pouco a situação, o filme estreou na mesma época de A Paixão de Cristo e alguns cinemas se recusaram a exibir Hellboy para não "incomodar" os mais religiosos. Mesmo com dificuldades e falta de interesse dos estúdios em fazer uma continuação, Hellboy seguiu adiante.  

 

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    Cena do filme de 2004, uma excelente adaptação de Guillermo Del Toro

 

Em 2008, após dificuldades burocráticas e financeiras na produção que quase inviabilizaram o filme, foi lançada a sequência direta do filme de 2004, chamada Hellboy – O Exército Dourado. Mais uma vez Del Toro recusou convites para dirigir outros filmes como Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Eu sou a Lenda para se dedicar ao Hellboy. Nesse filme Del Toro e Mignola exploraram mais o lado da fantasia e do folclore, tornando o filme muito mais fiel a essência das Hqs. O filme foi relativamente bem sucedido, sendo inclusive indicado ao Oscar de melhor maquiagem, mais do que merecido já que levavam de 4 a 7 horas para transformar Ron Perlman em Hellboy e Doug Jones em Abe Sapien. 

Mesmo sendo um excelente filme, Hellboy não foi um grande sucesso e mesmo não dando um grande prejuízo, não deu o retorno esperado. Os filmes são queridos por muitos nerds e fãs e a importância do trabalho de Del Toro é inegável! Muitos passaram a se interessar pelas Hqs por causa dos filmes.

Por muito tempo Del Toro e Mignola disseram que Hellboy teria um terceiro filme, segundo Del Toro ele sempre idealizou a produção como um trilogia. Em 2012 muito foi falado sobre a sequência após Ron Perlman mais uma vez se caracterizar como Hellboy para realizar o sonho de Zachary, um garoto de seis anos que estava fazendo tratamento para leucemia e era fã de Hellboy. A fundação Make a Wish entrou em contato com a Spectral Motion, que foi responsável pela maquiagem nos filmes, e eles não só aceitaram como convidaram Ron Perlman para voltar ao personagem. 

 

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Hellboy e Zachary

 

Após esse episódio o prórpio Del Toro voltou a falar sobre um tereceiro filme e com o passar dos anos, volta e meia surgiam rumores que indicavam positivamente a possibilidade. O rumor se tornou mais próximo da realidade quando em 2015 em uma entrevista ao The Daily Beast Del Toro disse que tinha um acordo com a Legendary Pictures de que se o filme Círculo de Fogo II – A Revolta fosse sucesso de bilheteria, eles iriam considerar financiar Hellboy 3. Segundo Del Toro o filme precisaria de aproximadamente US$120 milhões e não haviam muitos interessados em financiar. 

O tempo passou, continuaram os rumores e em fevereiro de 2017 Del Toro encerrou de uma vez por todas o assunto ao declarar no Twitter que o terceiro filme jamais aconteceria. Em maio do mesmo ano Mike Mignola surpreendeu os fãs anunciando que Hellboy ganharia um reboot nos cinemas para maiores com David Harbour no papel de hellboy e direção de Neil Marshall. Mignola chegou a dizer nessa época que o terceiro filme não aconteceu em parte por falta de interesse do prórpio Del Toro. Ron Perlman chegou a dizer que o roteiro estava pronto e encerraria de forma magistral a trilogia, porém nunca veremos essa história ser contada…

Em 2006 e 2007 Hellboy teve duas animações lançadas para home video, Espada das Tempestades e Sangue e Ferro. As animações foram dubladas pelo elenco principal dos filmes e são um pouco mais próximas das HQs, apesar de serem histórias originais e contavam com o prórpio Mignola nos roteiros. Essas animações estão disponíveis na Amazon Prime Video. Hellboy chegou a ter alguns jogos para playstation e PC desde 2001, mas foi sua participação em Injustice 2 que chamou mais atenção.

 

 

Confira Hellboy "detonando" em Injustice 2

 

Em 16 de maio desse ano Hellboy voltará aos cinemas, o filme conta com direção de Neil Marshall ("Westworld", "Game of Thrones") e roteiro do próprio criador do personagem, Mike Mignola, ao lado de Andrew Cosby ("Dose Dupla") e Christopher Golden (autor do livro "Of Saints and Shadows"), a Imagem Filmes é a distribuidora responsável pelo lançamento no Brasil. O próprio Mignola se mostrou muito satisfeito com a produção, conforme noticiamos aqui, existe uma grande expectativa em relação ao resultado do filme. Fato é que muita coisa mudou desde que o primeiro filme de Hellboy chegou aos cinemas, hoje graças a filmes como Logan e Deadpool os estúdios viram que é mais do que possível um filme para maiores de 18 anos fazer sucesso, então esse reboot de Hellboy chega no momento certo, sem amarras de censura, podendo utilizar de cenas mais pesadas como recursos narrativos. Infelizmente alguns "fãs" que não leram as Hqs criticaram muito o primeiro trailer do filme, inclusive comparando-o com Deadpool. É a síndrome do underground, os hipsters especialistas em nada que julgam tudo que alcança determinado sucesso porque gostam de ser diferentinhos e vangloriar tudo que eles consideram Cult como obra prima.

Hellboy tem uma grande importância na cultura pop (ou cult?) e merece o melhor! O universo criado por Mike Mignola é único e maravilhoso! Vamos torcer para que o filme dê certo e cumpra nossas melhores expectativas, fazendo os hipsters rabugentos caírem de bunda no chão! Vida longa a Hellboy!!!

 

Confira aqui todas as nossas matérias sobre Hellboy e fique ligado no Ultimato do Bacon para mais novidades! 

 


 

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