Por Lucas Souza

 

Como parte da comemoração pelos 80 anos do Homem Morcego, a Panini Comics trouxe ao Brasil a Saga “Batman: Veneno” (Batman: Venom). A história, que conta com roteiro do lendário Dennis O´Neil, é um grande conto do vigilante de Gotham e o coloca em posições que poucas vezes tivemos a oportunidade der ver.

A história foi publicada originalmente nos EUA em 1991 na revista “Batman: Legends of The Dark Knight” #16 – #20. Aqui no Brasil, a Panini trouxe a saga completa em capa cartão e em formato americano com o nome “Batman: Veneno”. A história já havia sido publicada aqui no país pela editora Abril em formato minissérie em “Um Conto de Batman – Veneno” #1 – #5 (1992).

 


“Batman: Veneno” traz um cavaleiro das Trevas mais humano

 

“Batman: Veneno” se destaca de outros contos do Morcego de Gotham porque consegue colocar o personagem em uma posição vulnerável que é dificilmente abordada. Em tempos nos quais o Batman está cada vez mais f@#ão e é retratado constantemente derrotando personagens da Liga da Justiça (inclusive com chiclete de Kryptonita), é interessante revermos histórias onde ele mostra que seus limites humanos podem ser um problema e uma frustração. O arco começa o Batman fracassando em uma missão justamente por conta de seus limites físicos. Conforme a história se desenvolve, descobrimos que o pai da vítima é um cientista que desenvolve pílulas que podem ampliar a capacidade do corpo. Tomado pela culpa de sua falha, o protetor de Gotham começa a tomar o tal medicamento…

O que vemos a partir do momento que o Batman começa a consumir as pílulas é um homem morcego completamente deturpado e diferente. Mais agressivo e fora de controle, ele começa a se tornar dependente sem nem ao menos perceber o que está acontecendo. Suas ações começam a preocupar aqueles que estão ao seu redor, como o mordomo Alfred (extremamente ativo na história), e mostra como eles são afastados pelo próprio Batman – que está completamente dominado pelo vício.

 


Sádico e violento foram características adicionadas ao Batman que ficou sob efeito de drogas

 

“Batman: Veneno” mostra mais uma vez que Dennis O´Neil domina e sabe representar muito bem os assuntos relacionados a vício – como ele já havia feito em sua fase icônica ao lado de Neal Adams a frente de “Lanterna Verde / Arqueiro Verde” na qual mostra o parceiro mirim Roy Harper consumindo drogas e a triste realidade disso.. A forma como o roteiro representa a queda do Batman e o início do seu vício – que vem de forma imperceptível para ele, mas de forma clara para os que estão ao seu redor – é brilhante e extremamente real.  E as dores extremas da recuperação idem.

Os vilões da história, talvez, sejam o único ponto fraco da HQ. Sem muitos desenvolvimentos, eles soam extremamente artificiais e genéricos. Isso não chega a atrapalhar a leitura, mas, tendo em vista tantos pontos positivos, pode incomodar e até te fazer sair da história. Tente focar no drama relacionado ao vício e as vidas que são afetadas ao redor dos vilões que esse problema é minimizado e tende a parar de incomodar.

 


Momento no qual o Cavaleiros das Trevas é tentado pelas drogas em “Batman: Veneno”

 

Além de trazer esse lado mais real, “Batman: Veneno” ainda deixa espaço para excelentes cenas de ação protagonizadas pelo Morcegão e seus algozes. E temos de tudo em termos de narrativa (até confronto com tubarões!). Essa dose de ação, que vem na medida, ajuda a HQ a não se tornar introspectiva ou fechada demais, permitindo que um público amplo consiga apreciar a leitura. A história é mais um exemplo de como o Batman é um personagem que pode gerar boas histórias que se conectam com dramas reais que – quando bem trabalhados – geram histórias memoráveis que vão ficar na sua cabeça durante muito tempo!

 

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

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