Entre as pré-vendas anunciadas pela Panini, está o encadernado Batman Reis do Medo, que conta com o roteiro de um dos editores mais importantes do Batman, Scott Peterson e com a arte marcante de Kelley Jones.

Qual a trama de Batman Reis do Medo

Numa noite comum em Gotham, Batman acaba de levar o Coringa de volta ao Arkham, quando uma fuga distrai o Morcego por tempo suficiente para que o Espantalho consiga escapar.

É claro, o título “Batman Reis do Medo” faz uma referência aos dois “reis” do medo de Gotham: Batman que coloca o medo nos criminosos e o Espantalho que usa o medo como arma.

 

Batman Reis do Medo

O Espantalho confronta o Homem Morcego em Batman Reis do Medo

 

Ao longo das edições da minissérie, o Espantalho droga o homem morcego com uma nova versão de seu gás do medo, deixando o herói cada vez mais vulnerável. E para quem não se lembra, ser vilão do morcego não é mole, e exige diploma de nível superior, e o Espantalho por acaso é um psiquiatra.

Com o gás colocando diferentes visões na cabeça do Batman, cabe ao Espantalho aproveitar a brecha para tentar invadir a mente do herói, retomando uma antiga questão: o que é o Batman e que bem ele traz a Gotham?

Será que o modo de combate do Batman é obsoleto? Será que ao responder com violência aos vilões ele está apenas justificando-os, lhes dando motivos para retornar? Quão bem o Batman poderia fazer se utilizasse a fortuna de seus pais de outra maneira?

 

Batman Reis do Medo

Em Batman Reis do Medo o morcego é atormentado por alucinações

 

Vale a pena ler Batman Reis do Medo

A trama de Batman Reis do Medo é realmente bastante instigante, ao colocar a insanidade do Espantalho aliada à sua perversão da própria profissão para tentar quebrar a psique do Batman. Mas, entretanto, talvez a história perca um pouco da originalidade.

Apesar do traço de Kelley nos dar a impressão de que estamos lendo um quadrinho dos anos 80, época em que por acaso Peterson era um dos editores, o fato é que a história foi lançada em 2018.

E o que isso tem a ver? Bem, mais ou menos na mesma época, Peter Tomasi em seu run da Detetive Comics nos apresentou a sua versão do Cavaleiro Arkham, baseado no personagem do jogo, mas com uma história original. O “vilão” estava disposto a provar que a cruzada do Batman era uma das principais responsáveis pela manutenção do status quo de Gotham como uma cidade nas trevas.

Um pouco antes, tivemos a questão do “Sindicato das Vítimas” de James Tynion IV onde o Batman foi confrontado com algumas das vítimas civis de seus confrontos contra os vilões, de maneira similar como no mundo real as pessoas ficam no fogo cruzado entre a polícia e bandidos.

O fato é que questionar o posicionamento do Batman não é nenhuma novidade, e apesar de a trama colocar o Espantalho como interlocutor para que haja um contraponto seja algo interessante, acabamos caindo num terreno um tanto comum.

No final das contas, para quem não perde as publicações do morcego, a história acaba parecendo demais um assunto já razoavelmente gasto. Porém, a abordagem de Peterson não deixa de ser muito interessante em bem embasada, nos dando momentos únicos.

Aqui resta apenas dizer que para os leitores assíduos do Batman a história não irá acrescentar nenhum fato desconhecido para a mitologia do cruzado encapuzado, mas para aqueles que gostam de comprar encadernados justamente com histórias fechadas e razoavelmente livres de cronologia, o roteiro de Peterson e a arte de Jones compõe uma obra incrível que irá enriquecer a coleção.

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Batman Reis do Medo (2018) – O Ultimato 1
Avaliação: Bom!
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Batman Reis do Medo (2018) – O Ultimato 2
 

 


Créditos:
Texto: João Pedro Maia
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse

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