Vindo diretamente do Renascimento com numeração clássica, e Detective Comics de James Tynion IV trouxe uma nova e empolgante fase para a batfamília!

O Renascimento da DC Comics foi a oportunidade perfeita para novos roteiristas assumirem personagens com uma liberdade um pouco maior. Foi o caso da icônica revista do Batman, “Detective Comics”, que ficou nas mãos do escritor americano James Tynion IV.

O autor iniciou seu run em “Detective Comics” #934 e se despediu em “Detective Comics” #981 em maio de 2018. Toda a fase do autor foi publicada aqui pela Panini em Detective Comics da edição #1 até a #25, sendo a revista reformulada na mudança do autor.

Vamos falar da Detective Comics de James Tynion IV.

James Tynion IV enfrentou o mesmo problema que o autor Peter Tomasi, que é inclusive quem assumiu a “Detective Comics” após a sua saída, quando ele escrevia “Tropa dos Lanternas Verdes”: apesar da ótima fase e história, ambos foram ofuscados por outros autores que faziam um ótimo trabalho no título principal de seus personagens.

No caso de James Tynion, o run de Tom King (que envolve inclusive o casamento do Batman) ganhou mais atenção e no caso de Tomasi, o run de Geoff Johns (que trouxe o conceito de novas tropas e personagens) foi quem levou destaque. O fato é que, de forma geral, a “Detective Comics” do autor foi bem acima da média de forma consistente e merece – sem sombra de dúvida – mais destaque do que recebeu.

A Detective Comics de James Tynion IV 1A Detective Comics de James Tynion IV focou em uma nova equipe do Batman

O primeiro grande passo que James Tynion IV tomou para diferenciar seu run de trabalhos anteriores, foi criar uma nova equipe para o Batman composta por personagens do passado e do presente do Homem Morcego, que rapidamente se tornam muito identificáveis. Robin Vermelho (Tim Drake), Spoiler (Stephanie Brown), Órfã (Cassandra Cain), Batwoman, Cara de Barro, Batwing e Azrael são os principais personagens destas histórias da revista que foca na dinâmica da equipe e nos desafios mais grandiosos de Gotham que não podem ser vencidos pelo solitário Batman.
 

O interessante é que o autor é extremamente bem sucedido ao dar personalidades distintas para cada um dos integrantes da equipe e, em certo ponto, conseguimos antever o que eles irão dizer e pensar de cada situação mostrando o quanto o roteiro foi bem sucedido nesse aspecto. Dentro do Campanário (base da equipe) a líder Batwoman era quem mais tinha voz ao lado do próprio Batman, afinal ela foi chamada por ele para liderar a equipe, e ditava o ritmo da ação.

Boa parte dos vilões do run são ligados a personagem diretamente (como no caso de seu pai) ou indiretamente, o que bagunça bastante a cabeça da heroína que se torna até mais sombria e fechada do que o Morcego em determinados momentos. Destaque também para a relação de amizade dos traumatizados Cara de Barro e Cassandra Cain (aliás, grande acerto trazer o personagem para o time dos mocinhos).

A Detective Comics de James Tynion IV 2

Batman é acuado por Spoiler em uma das muitas situações tensas da Detective Comics de James Tynion IV

A Detective Comics de James Tynion IV mostra que o autor teve liberdade para fazer o que bem quis durante o seu run. Criou novas personalidades e destinos para Cassandra Cain e Stephanie Brown, introduziu o Sindicato das Vítimas, deu um destino extremamente triste ao Cara de Barro, “matou” Tim Drake e ainda trouxe de volta a versão futurista do personagem (criada por Geoff Johns em seu run de Titãs lá no início dos anos 2000).

A ousadia do autor deu vida a uma equipe extremamente dinâmica e interessante que apresentou – de forma consistente – boas histórias sem ser repetitiva e dando espaço para todos os integrantes terem seu momento ao sol.

Um bom exemplo dessa rotatividade de protagonismo é dada pelos arcos “Liga das Sombras” (“Detective Comics” #10 – #12 no Brasil), “Inteligência” (“Detective Comics” #13 – #15 no Brasil) e “A Queda dos Morcegos” (“Detective Comics” #19 – #21 no Brasil).

O primeiro arco destaca o passado e o destino da Orfã (Cassandra Cain) e coloca a equipe em rota de colisão com Ra´s Al Ghul.

O arco “Inteligência” foca na história de Azrael e na sua recuperação e mostra a Ordem de São Dumas tentando recuperar controle de seu antigo guerreiro (temos várias referências muito interessantes ao tempo de Azrael como Batman nos anos 90).

O arco “A Queda dos Morcegos” traz uma história focada no desfecho do Cara de Barro e no confronto final com o Sindicato das Vítimas. Esse revezamento no foco dos arcos foi primordial para não deixar as histórias caírem na monotonia.

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BatWoman foi a personagem mais polêmica e ambígua da Detective Comics de James Tynion IV

A Detective Comics de James Tynion IV se tornou uma das revistas mais regulares da DC Comics nesse tempo. As histórias ousadas e o conceito da equipe que o autor construiu deram espaço para uma dinâmica de relacionamento que a muito tempo não se via nas histórias do Homem Morcego – que se tornou um coadjuvante que nem sempre sabia o que fazer para trabalhar com o seu próprio time.

O resgate de personagens queridos, como Azrael, também ajudou a tornar a Detective Comics de James Tynion IV ainda mais especial. Nos despedimos de seu belo trabalho desejando sorte ao igualmente competente Peter Tomasi (de “Superman” e “Tropa dos Lanternas Verdes”) que assume o desafio de manter o padrão da publicação.

Fique ligado no Ultimato do Bacon para mais matérias, notícias e reviews sobre Quadrinhos, e não deixe de conferir nossa matéria sobre o run de Peter Tomasi na Detective Comics!

 


Créditos:
Texto: Lucas Souza
Imagens: Reprodução
Edição: Alexandre Baptista
Matéria publicada originalmente em 20 de abril de 2019. Atualizada em 03 de agosto de 2020.

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