Ultimato do Bacon

Batman de Matt Reeves (2022) – O Ultimato

Em 1 de Mar de 2022 7 minutos de leitura
Batman de Matt Reeves (2022) O Ultimato Capa
O novo voo do morcego chega aos cinemas nesta terça-feira, 01 de março de 2022.

Índice

Batman de Matt Reeves – apresentação

O Batman de Matt Reeves estreia hoje, nem 20 anos depois do sucesso do Nolanverso, trilogia que remodelou o homem-morcego no cinemas. Recebido de forma morna quando anunciado, o projeto na verdade era uma sobra do projeto original de Ben Affleck para o cruzado embuçado.

Quando escalado para Batman v. Superman – O origem da justiça, Affleck também foi chamado para escrever, dirigir e atuar no filme solo do herói, um longa que focaria em um Batman mais velho e em linha com o Snyderverso.

As dificuldades que já conhecemos e diversas mudanças de última hora requisitadas pela Warner acabaram com esse projeto aos poucos, primeiro com a saída de Affleck da direção, depois do roteiro e por fim do projeto todo, culminando no filme que temos agora: Matt Reeves passou a dirigir e Robert Pattinson foi escalado no lugar do Batman, agora bem mais novo e com um intérprete recebido com certo receio por parte dos fãs.

Já podemos antecipar: o cineasta e os atores mostraram neste longa que o Batman de Matt Reeves cumpre as expectativas.

Mas será que este filme era mesmo necessário?

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Batman de Matt Reeves – A Trama

A trama do Batman de Matt Reeves bebe diretamente das grandes sagas das HQs, o que é um dos grandes pontos e méritos do filme ao adaptá-las de maneira respeitosa, porém original.

De todos os arcos já comentado pelo cineasta, o mais evidente é, sem dúvida, O Longo Dia das Bruxas e sua continuação, Vitória Sombria, de Jeff Loeb e Tim Sale. Vou só lembrar que o filme começa em um 31 de outubro, Dia das Bruxas.

No entanto, também podemos ver referências a outros arcos, seja de maneira estética ou cosmética, ou ainda como pequenas referências ou indicativos do comportamento dos personagens. Citando diretamente, há muito do Batman de Tom King no filme e até mesmo da obscura Os Portões de Gotham de Scott Snyder, Kyle Higgins e Trevor McCarthy.

Vale citar também que a dinâmica entre Batman e Selina também usa muito de Batman Ano Um de Frank Miller e David Mazzucchelli; um Charada que mais parece o vilão Feriado, da já citada O Longo Dia das Bruxas e um departamento de polícia de Gotham que em momentos lembra os arcos de Ed Brubaker e Greg Rucka em DPGC (Gotham Central).

Na história do Batman de Matt Reeves, o morcego de Gotham já atua há pelo menos dois anos. James Gordon é o capitão da polícia e já usa um bat-sinal para acionar o herói quando necessário. No entanto, a figura do Batman não é unânime entre os policiais e nem todos os bandidos o conhecem. Sua “marca”, o uso do medo e da escuridão, ainda está sendo perpetrada; sua mitologia construída; e o Batman tem mostrado a cada investida contra os bandidos quem manda na cidade.

Porém, principalmente entre os grandes chefes mafiosos de Gotham, o Morcego ainda é apenas um rumor que não assusta tanto quanto deveria.

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É neste cenário que um vilão começa a atacar figuras importantes da cidade, começando pelo prefeito que busca reeleição e partindo para promotores e policiais. Os horríveis assassinatos têm pequenas pistas endereçadas ao Batman. O vilão em questão assina como Charada, muito embora seja praticamente o vilão Feriado – para quem o conhece das HQs -, e as mortes começam a indicar que há algo de podre entre os proeminentes de Gotham.

O filme, desde seu início, está muito mais para um grande thriller policial do que um filme de super-heróis.  A continuidade dos assassinatos coloca o Batman em investigação, se envolvendo cada vez mais numa trama de proporções maiores do que aparentava no princípio. Em um comentário, o colega jornalista Robinson Samulak sabiamente comparou o Batman de Matt Reeves com o clássico Chinatown de Roman Polanski, estrelado por Jack Nicholson. Se Coringa se inspira em O Rei da Comédia, Batman aparenta muito se inspirar em Chinatown.

A trama segue e, em uma dessas investigações, Batman/Bruce Wayne esbarra com Selina Kyle no Iceberg Lounge, boate comandada pelo Penguim. Selina está obviamente envolvida com os chefões da cidade – de que forma, é algo que vai sendo revelado ao longo da trama.

Batman de Matt Reeves – elenco

O elenco em Batman de Matt Reeves está fantástico. Se havia alguma dúvida de que Robert Pattinson conseguiria representar bem o Morcego, em poucos minutos de cena ele acaba com qualquer dúvida.

Não há muito espaço para Bruce Wayne neste filme, o que faz bastante sentido e mesmo o Alfred interpretado de maneira brilhante por Andy Serkis acaba tendo um espaço menor no cenário deste Batman – de certa forma. Vale pontuar, para os fãs leitores que este Alfred é o mais próximo já visto de sua versão de Batman Terra Um de Geoff Johns e Gary Frank (confira a matéria completa clicando aqui), o que é bacana demais de se ver no cinema.

Digna de grandes elogios também é a atuação de Colin Farrell como Pinguim e John Turturro como Carmine Falcone – a maior interpretação do vilão já vista tanto em filmes live action como animações.

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Zoe Kravitz entrega uma Mulher-Gato deslumbrante, perfeita em sua apresentação: forte, decidida e de moral fluída – muito em linha com a Mulher-Gato de Tom King e da série de Loeb e Sale. Uma pena que sua máscara seja um gorro de motociclista mal cortado… a ideia de algo “caseiro” é legal, mas ficou tosco e, com o tanto que mostra do rosto da atriz, totalmente inútil.

Por fim outro destaque para o Charada de Paul Dano: perturbado, assustador, imprevisível. Seria infinitamente melhor se fosse chamado por qualquer outro nome.

Batman de Matt Reeves – aspectos técnicos

Batman de Matt Reeves apresenta um filme extremamente sério, sem piadinhas e sem espaço para galhofa ou coisas mirabolantes. Tudo é muito crível e real, num clima neonoir e uma paleta de cores baseada no vermelho e preto.

O uniforme do Batman é todo tático e funcional, com facas que são encaixadas no local do símbolo peitoral; pequenas as flechas estão em sua manopla e o carro, o “batmóvel”, é nada mais que um muscle car modificado, com propulsores e thrusters.

Ainda assim, Matt Reeves consegue inserir pequenas menções a outros filmes e séries do herói como uma referência ao batmóvel de 66 nestes propulsores mesmo; ao Charada de Batman Eternamente, interpretado por Jim Carey; além de falas, frases, nomes que remetem a arcos e HQs, bem como seus criadores.

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Porém tudo de uma forma tão sutil que pode passar batido pela maioria dos espectadores.

Certamente esta é a maior qualidade do filme, pois a trama vai encadeando de maneira natural e ganhando contornos muito críveis: o Batman raramente faz qualquer malabarismo espetacular, e chega nas cenas geralmente caminhando, com passos pesados e retumbantes. Uma maneira assustadora de “aparecer”, mas bem diferente da “passagem do vampiro” vista em outros longas, com bandidos sumindo do nada e o herói surgindo magicamente no meio das lutas.

Não, este Batman sobe e desce escadas, usa elevadores e entra no meio da briga como um forasteiro encrenqueiro que está chegando em um saloon do Velho Oeste. Ele apanha tanto quanto bate. A diferença é que este Batman não para por nada. Ele não se deixa derrubar até que o último inimigo esteja no chão. Um louco obstinado que não vai descansar enquanto houver um alvo de pé.

Batman de Matt Reeves – trilha sonora e outros detalhes

Falando rapidamente sobre a trilha sonora, Michael Giacchino fez um trabalho incrível com o o score do Batman e é possível perceber pequenos acenos à trilha de 1989 de Danny Elfman para o filme de Tim Burton.  Ainda assim, a trilha atual é cheia de novidade, extremamente sombria e lembra em alguns momentos o arranjo de “My Body is Cage” do Arcade Fire feito por Peter Gabriel, além de uma versão mais lenta da Marcha Imperial de John Williams da saga Star Wars.

A trilha de Giacchino é extremamente adequada ao filme, dando todo o clima soturno da obra. Comento sobre outros detalhes, uma curiosidade é a presença de Jay Licurgo como membro de uma gangue – a primeira a ser enfrentada no longa pelo Batman.

Na série dos Titãs, Jay interpreta Tim Drake e possivelmente se tornará o próximo Robin em breve. No filme, ele é o único membro que foge do Batman sem apanhar, justamente por se mostrar titubeante em ferir inocentes, reconhecendo seu erro durante o ato. Seria um aceno para um futuro Robin?

Batman de Matt Reeves – análise geral

Como é possível ver pela nota final, não há muita coisa que se possa falar mal neste filme. O filme é redondinho, muito bem feito, atuado e dirigido. Porém fica aqui a critica: quantos filmes mais são necessários para que o público geral absorva esse conceito dos anos iniciais de atividade de Bruce Wayne como Batman? Parece assim um filme desnecessário, já visto em vários filmes, séries, animações e, especialmente, arcos dos quadrinhos.

Do Batman de Tim Burton e Batman, o Retorno ao Batman Begins; ou ainda o seriado Gotham ou a animação de Batman Ano Um – a fase insegura e inicial do vigilante já foi mais do que explorada.

Sim, isso parece um choro das viúvas daquele Batman mais velho interpretado por Ben Affleck; mas parece extremamente mais interessante explorar um universo deste Batman – ou mesmo do Batman que figura na série dos Titãs – ainda que tenham usurpado o personagem na terceira temporada…

Ainda assim, é nítido o esforço de Matt Reeves em realizar um filme incrível que estabelece uma nova altura de qualidade para o personagem – sim, este Batman é melhor do que o mostrado por Christopher Nolan, ainda que Reeves também “não saiba” realizar cenas de perseguição automotiva.

Talvez o único defeito do cineasta tenha sido colocar referências demais, de muitos arcos distantes e diferentes entre si das HQs. Talvez funcionasse melhor focar em adaptar O Longo Dia das Bruxas somente, enxugando cerca de meia hora do longa.

As 3h00 de duração do Batman de Matt Reeves parecem exageradas e desnecessárias; o terceiro ato do filme parece ter uma pequena barriga, daquelas que surgem depois que tudo se conclui e ainda temos mais uma hora de filme para ocupar.

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Isso se reforça uma vez que tudo o que remete ao Longo Dia das Bruxas está adaptado da melhor forma possível: sem ser idêntico, mantendo a essência e utilizando uma linguagem própria.  Como já foi dito, um vilão desconhecido, fosse o Feriado ou qualquer outro nome que se desse a ele, talvez funcionasse ainda melhor que o Charada, já que estamos falando de um Batman iniciante e que dispensa vilões famosos de sua galeria para além dos mafiosos de Gotham.

De toda forma, apesar da meia hora extra, o Batman de Matt Reeves funciona muito bem e traz um Batman nunca foi visto no cinema: lacônico, obstinado, falível, incansável.

Batman de Matt Reeves – conclusão

Se o Batman de Matt Reeves pode parecer bastante desnecessário para alguns, talvez pela cultura atual de seriados com porte cinematográfico que os streamings têm veiculado. O Batman de Matt Reeves poderia, de maneira extremamente orgânica, ter sido apresentado como seriado, em seis episódios, no HBO Max dando inclusive continuidade para algo mais procedural da polícia de Gotham em temporadas vindouras. Um exemplo disso – apesar de ter um clima totalmente diverso – é a série de James Gunn do Pacificador.

Para isso, no entanto, a Warner precisaria abrir mão de sua mania de “preservar” a trindade – Batman, Superman e Mulher-Maravilha – de aparições em séries e produtos “menores”. Como pode ser visto por Superman e Lois, é possível trabalhar bem os grandes personagens, basta investir em bons arcos e roteiristas, com um eventual acréscimo de orçamento.

A nota deste filme segue máxima apesar disso e agora resta aos fãs aguardar por mais um Batman em breve: a volta de Michael Keaton no filme do Flash.

Confira nossa matéria sobre O Batman no Cinema clicando aqui!

Avaliação: Excelente!.

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Créditos:
Texto: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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