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Arena de Alexandre Callari – O Ultimato

Em 1 de Dez de 2023 4 minutos de leitura

Conheça o quadrinho que leva a maior competição de MMA para São Paulo em Arena de Alexandre Callari

Alexandre Callari, ao lado de Bruno Zago e Daniel Lopes, é um dos três nomes a frente da premiada editora Pipoca & Nanquim, que surgiu a partir do site e canal de vídeos com o mesmo nome. Formado em Letras, Callari tem larga experiência como tradutor de livros e quadrinhos, foi editor da DC na Mythos e é autor de diversas publicações, como a trilogia Apocalipse Zumbi (2011-2017) e o guia Quadrinhos no Cinema (2011-2014). Até 2022, porém, apesar de a proximidade com o tema, faltava a criação de uma HQ no currículo.

Arena saiu após 10 anos de trabalho, mudanças de mídia – inicialmente, foi pensado como literatura e cinema – e alguns períodos engavetado. A edição tem 252 páginas, capa dura e acabamento de luxo. A arte é do Alan Patrick, quase toda em P&B, com rafes de Joe Bennett, que não trabalhou mais na obra porque iniciava sua célebre passagem pela revista O Imortal Hulk (2018-2021).

Assim como Knock Me Out (2020), de Felipe Folgosi, Arena acrescenta bem ao gênero, que merece muito mais produções nacionais. Principalmente se pensarmos que o Brasil criou duas artes marciais praticadas no mundo todo: a capoeira e o brazilian jiu-jitsu.

Arena é a competição de MMA e José fará de tudo para que seja um sucesso

Qual a trama de Arena de Alexandre Callari

O quadrinho possui dois protagonistas envoltos em um torneio que deverá ocorrer na capital paulista: o Arena. A primeira história é a de José Prado, que investiu todo o dinheiro dele e da esposa na organização do evento, de formato Grand Prix, onde o vencedor ganhará R$ 100 mil. A ideia era trazer o espírito dos antigos desafios da família Gracie e do início do Utimate Fighting Championship (UFC), juntando 16 atletas para descobrir quem é o melhor lutador em dois dias de mata-mata.

O problema é que José e seu sócio, Ercílio, não conseguem nem grandes nomes para lutar nem, por consequência, para patrocinar o Arena. Apesar de o prêmio principal ser alto, não havia qualquer garantia financeira significativa para os demais participantes, sobretudo se comparado ao UFC.

Paralelamente, acompanhamos a vida Rômulo, professor de defesa pessoal que dá aula na academia Ludus para alunos do curso de reciclagem para vigilantes patrimoniais. Apesar de perceptivelmente gostar das artes marciais, alguma coisa estava errada em sua vida. De noite, solitário, enchia a cara com whisky, e uma vez por semana ia a boate Olimpo para ver a dançarina Ana Maya, sem tomar nenhuma atitude.

Enquanto isso, José e Ercílio vão conseguindo alguns lutadores para o Arena e acabam buscando a ajuda de um agiota, Fred Silveira. Obviamente, em algum momento isso gerará problemas. Os dois enredos se cruzam após o anúncio de lançamento do Arena ser um total fracasso. Os lutadores vão aliviar a tensão na Olimpo e o resultado é que, bêbados, após criarem confusão com os clientes, são todos nocauteados por um dos presentes: Rômulo.

Um dos destaques do enredo, é que se passa nas ruas de São Paulo

O Arena começa a aparecer na mídia, ainda que da pior forma possível. O único jeito de o evento funcionar, concluem José e Ercílio, é chamar Rômulo para participar das lutas, promovendo uma revanche e mantendo o assunto na mídia. O desafio, agora, é convencer o recluso lutador a entrar no pride.

As lutas do Arena ficam para o fim do quadrinho, como normalmente acontece no gênero. O grande momento rende sequências dignas de Rocky Balboa. Vale destacar que um representante de Silveira, o Bate-Estaca, cara gigantesco que o nome fala por si, será um dos grandes adversários do torneio.

Vale a pena ler?

Callari busca dar profundidade aos personagens durante toda a HQ, o que faz valer o termo novela gráfica. Não é um quadrinho só de porradaria, cada personagem tem seus próprios dramas e passado, ainda que envolvidos nas artes marciais.

E os dois protagonistas têm o apoio de personagens femininas fortes. No caso de José, a esposa Sandra Prado, que o ajuda a colocar a cabeça em ordem e tomar as melhores decisões sempre que chega em casa. Nas sequências de Rômulo, vemos como se dará o relacionamento dele com Ana Maya, que também enfrentará situações conturbadas por conta do trabalho.

No meio da HQ, existem páginas incríveis com cores e estilo diferente de arte

A arte de Alan Patrick é espetacular, em nanquim e aquarela, combina com o roteiro. Em algumas páginas específicas, o desenhista faz avatares coloridos do casal Rômulo e Ana como Lobo e Vênus, com estilos diferentes de arte, o que dá um ótimo respiro e rende belos quadros.

Segundo o autor no posfácio, diversos elementos do quadrinho foram inspirados em fatos reais, autobiográficos ou relatados por terceiros. Já a arte tem referências tanto em lutadores profissionais, como Lyoto Machida e Minotauro, quanto nos cinemas. A semelhança entre José e Christian Bale é notável.

O ponto questionável do enredo, por vezes, é a ingenuidade e pudor de Rômulo. Nada que comprometa. Dizer que Arena é para um determinado nicho, no caso quem curte artes marciais, é reduzir a qualidade da obra, mas com certeza ela chamará mais a atenção desse público. Vale a leitura.

Gostou do texto? Leia outras matérias do David Horeglad (HQ Ano 1) para o UB!

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Avaliação: Ótimo!

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Créditos:
Texto: David Horeglad – @hq_ano1
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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