Ultimato do Bacon

O Imortal Hulk de Al Ewing – O Ultimato

Em 25 de Jan de 2023 4 minutos de leitura
O Imortal Hulk de Al Ewing - O Ultimato (3)

Hulk é um dos personagens mais complexos e ambíguos das histórias em quadrinhos, podendo ser visto como herói ou vilão, dependendo do ponto de vista do leitor. Um monstro injustiçado, incontrolável, incompreendido e perseguido por muitos – até mesmo seus amigos mais próximos.

De fundador dos Vingadores a destruidor de mundos, o personagem evoca camadas que trazem à tona as maiores vitórias e piores mazelas da humanidade, retratadas no sentido de transparecer nossas próprias subjetividades. Acompanhe a jornada pelo Imortal Hulk que é, sem dúvidas, um grande marco narrativo do Verdão nos últimos tempos.

Nova Face do Horror

O gênero horror ganha um novo membro em seu panteão e ele se chama Imortal Hulk, saído direto da mente de Al Ewing (roteirista da revista britânica 2000 A.D. e Guardiões da Galáxia, na Marvel Comics) que revigorou o Gigante Esmeralda ao apresentar o medo em seu estado puro, além de utilizar a plataforma narrativa para abordar outros temas como fé, loucura, religião e divindades.

São vários temas alocados numa narrativa de 50 edições mensais, outros especiais e um spin-off que, possivelmente, teremos que voltar ao universo do Verdão para tratar dos assuntos em outro momento.

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Imortal Hulk é uma HQ de ação e pancadaria guiado narrativamente pelo gênero do horror, algo que não se via a muito tempo mainstream

Graficamente, é possível ver a ultra violência escancarada nas páginas da revista e que deixa claro que a narrativa vai além da mera frase “Hulk, esmaga!”. Sim, ele esmaga, tritura, arranca braços, pernas e medulas dos seus oponentes.

Para se ter uma ideia, durante uma luta contra o Homem-Absorvente (!!!), o Imortal Hulk arranca sua espinha dorsal com as próprias mãos – isto faz a gente lembrar de antigos filmes gore como, por exemplo, Evil Dead, Re-Animator, Holocausto Canibal e outros do gênero.

Ewing aborda características da natureza humana nem sempre apreciáveis – corrupção, intolerância, violência e desajustes emocionais escondidos sob a pele esverdeada.

Também não se furta em levar o personagem principal por um passeio no inferno através da porta verde, um conceito que lança um novo olhar sobre a origem do personagem e envolve radiações gama, cosmologia e entidades sobrenaturais.

O roteirista pega a já batida história de origem do Hulk e acrescenta novas nuances que deixam a mitologia do Gigante Esmeralda ainda mais interessante.

Para Ewing, a explosão gama que deu origem ao personagem foi tão intensa que abriu um portal para uma dimensão paralela, liberando um terrível mal ancestral na Terra – algo indescritível que vive nos recantos mais profundos da existência.

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A porta verde, conceito criado por Ewing para explorar cosmologia, divindades e loucura

À semelhança do grande mestre do horror H. P. Lovecraft que, através de seus contos, criou um universo próprio e surreal em que a humanidade enxerga somente sombras de uma verdade ancestral.

Homens e mulheres vivendo um estado de letargia e alienação que os impedem de ver além do plano ordinário da existência e que, no entanto, ao ser vislumbrado através de um estado de consciência alterada são capazes de observar além do véu.

Inclusive, Ewing resgata o conceito de deuses ancestrais, onipotentes e inomináveis, bem ao estilo lovecraftiano – seres míticos, quase bíblicos, alguns remontando ao conceito original de deidades do Antigo Testamento.

Com referências ao universo surreal de Lovecraft e mesclando-os à narrativa do Hulk, o roteirista consegue inferir sobre a personalidade conturbada de Bruce Banner, evocando um passado de traumas e abusos causados pelo pai, Dr. Brian Banner.

Tendo a figura paterna como ápice da vilania, Ewing acrescenta uma camada subversiva ao pai do protagonista e ao próprio conceito de moralidade dúbia, retratando um cientista pervertido e insano que utiliza o próprio filho como cobaia em seus planos diabólicos.

Banner Pai, aliás, é o responsável por trazer a Porta Verde à narrativa e, de tabela, acaba despertando um mal ancestral de proporções inimagináveis, bem ao estilo característico do horror cósmico.

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Dr. Brian Banner: Homem? Monstro? Ou ambos?

Algumas edições, inclusive, são dedicadas a Brian Banner em um tempo onde, dedicado totalmente à sua pesquisa, o obcecado cientista encontra um meio de vagar entre as dimensões por meio do cientificismo.

Parafraseando “O Chamado de Cthulhu”, de Lovecraft, “a ciência têm até agora causado pouco dano, mas um dia a junção do conhecimento dissociado abrirá visões tão terríveis da realidade que ficaremos loucos por causa dessa revelação.”

Mas não se preocupe, nem só de pai maluco se faz um herói. O panteão de inimigos do Hulk – Líder, Homem-Absorvente, mídia e militares, entre outros – estão preparados para dar dor de cabeça ao Golias Verde.

Além disso, Betty Banner, Rick Jones, Dr. Samson, Tropa Gama (anteriormente, Tropa Alfa) também estão presentes nessas histórias repletas de ação, aventura, pancadaria, insanidade e drama.

Uma Incrível Jornada Pela Loucura

Monstro ou herói? Vítima ou ameaça? Como definir o Imortal Hulk? A HQ, de fato, apresenta muito mais do que mera visualidade e abarca um tipo de horror psicológico que perturba à medida em que se avança pela leitura, tudo é bem colocado e nada do que está ali fica sem resolução.

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As múltiplas personalidades do Hulk (Joe Tira-Teima, Demônio e Selvagem, entre outros) dão o tom dramático à obra, colocando o leitor diante de uma obra com boa carga psicológica fazendo-o filosofar um bom tempo sobre vida, morte e cosmovisões.

Para além do mero espetáculo e histórias chatas que se arrastam por anos na Marvel, Imortal Hulk possui também ótimos subplots que não deixam a revista falhar.

Narrativa sequencial madura – algo que não se vê no mainstream há muito tempo – Imortal Hulk pode ser lido sem medo (aliás, só um pouquinho). O leitor não irá se arrepender, é uma boa jornada pela psique deteriorada de Bruce Banner/Hulk(s) com bastante sagacidade, emoção e brilhantismo.

Ultimato do Bacon

Avaliação: Ótimo!

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Créditos:
Texto: André “Brazuka”
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse 
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