Matéria especial fala detalhadamente sobre a nova superprodução que estreia nesta próxima quinta, 14 de fevereiro

por Alexandre Baptista via Assessoria de Imprensa

 

Quando se pensa no que há de melhor nos gêneros de ação e ficção científica do cinema, um nome sempre aparece na lista: James Cameron. Ele é o homem que nos trouxe filmes como O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final (Terminator 2 – Judgement Day, 1992), Aliens (1986), Titanic (1997) e, evidentemente, Avatar (2009), campeão de bilheteria e enorme sucesso no mundo todo. Cameron se especializou em apresentar histórias excitantes que se passam em mundos inteiramente novos e únicos. Ele explorou os limites da tecnologia do cinema no intuito de nos emocionar e criou personagens interessantes que atingiram grande popularidade. Concebeu realidades oníricas e cenários de pesadelos. Em cada empreitada, ele desafiou e superou as expectativas.

 

Origens do projeto

Quando soube da existência da série de mangá clássica Gunnm – Hyper Future Vision de Yukito Kishiro (rebatizado nos EUA como Battle Angel Alita), Cameron imediatamente pensou que poderia usá-la na criação de uma nova experiência cinematográfica. A história da jovem ciborgue feminina descoberta e reconstruída pelo cientista que vai se tornar uma figura paterna para ela, em um mundo futurista jamais visto antes, de abastados e destituídos, lhe dava ainda a chance de explorar um de seus temas favoritos: uma personagem feminina complexa e pertinente, cujo núcleo emocional conduz a plateia em uma jornada através de um mundo aparentemente estranho.

Anunciado pela primeira vez em 2003, o projeto do filme de Alita: Anjo de Combate levou Cameron a passar anos desenvolvendo a tecnologia para poder realizar os conceitos visuais complicados do material original. O diretor queria, logo após Titanic, empregar técnicas inovadoras e trabalhar com os melhores profissionais do mercado para resolver questões com 3D – lembrando que na época o formato ainda não havia “renascido” – e captura de movimento. No entanto, o desenvolvimento de outro projeto autoral do diretor acabou surgindo e sendo justamente o responsável pela nova febre 3D nos cinemas: Avatar. Infeliz e ironicamente, foi justamente Avatar que acabou atrasando o projeto de Alita, culminando com o afastamento de Cameron da direção do longa. Ele percebeu que desenvolver uma série ambiciosa de continuações para o mundo e o povo de Pandora consumiria todo o seu tempo disponível, sendo necessário encontrar outra pessoa que assumisse o projeto de Alita.

 

Robert Rodriguez assume a direção e altera o roteiro original

Essa pessoa foi Robert Rodriguez, escritor e diretor que provou ser capaz de lidar com qualquer gênero em seu próprio estilo inimitável, anunciado como novo diretor do longa em abril de 2016. Com um currículo impressionante, Rodriguez tem na bagagem seu primeiro filme, O Mariachi (El Mariachi, 1992), realizado com apenas 7.000 dólares e quando ainda era estudante da Universidade do Texas em Austin. Além de dirigir, Rodriguez montou e gravou o som do filme, instantaneamente marcando sua carreira com um estilo próprio e ousado de cinema, muitas vezes com orçamentos baixos que o praticamente obrigavam a ser criativo.

Assim, construiu os Estúdios Troublemaker em Austin e produziu e dirigiu mais de quarenta filmes e séries, entre eles A Balada do Pistoleiro (Desperado, 1995), Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996), Era Uma Vez no México (Once Upon a Time in Mexico, 2003), a série Pequenos Espiões (com 4 longas), a trilogia Machete, a adaptação dos quadrinhos de Frank Miller, Sin City – A Cidade do Pecado (Sin City, 2005) e sua continuação, Sin City: A Dama Fatal (Sin City: A Dame to Kill For, 2014), além da série de Um Drink no Inferno (From Dusk Till Dawn, 2014 – 2016).

Depois de ser procurado por James Cameron e pelo produtor Jon Landau, Rodriguez teve uma reunião com ambos em que pode ver os animatics e os desenhos conceituais e de produção do projeto. Bem ao estilo de Cameron, não eram simplesmente slides de apresentação e sim um álbum completo com arte gráfica realizada por vários departamentos. Encantado com a história em si e com as possibilidades em relação ao filme que poderia fazer, Rodriguez pediu para assumir o comando do projeto, começando pela redução do script original, que era muito longo.

“Eu queria trabalhar com a duração de um filme padrão, então reduzi e rescrevi algumas coisas, mas no estilo dele”, diz Rodriguez. “Ele tinha uma história de personagens excelente. A especialidade do James é o espetáculo, a grande ação, coisas que nunca vimos antes, a construção de mundos realmente enormes, mas com personagens e histórias que realmente nos afetam. Havia uma belíssima história de amor nela, uma história de pai e filha, e eu sou pai. Tentei apenas garantir que tudo seria preservado na versão mais curta.”

Cameron adorou a abordagem de Rodriguez, e o caminho estava aberto para uma forte parceria entre cineastas respeitados. Também seria um esforço conjunto entre a equipe da Lightstorm de James Cameron em Los Angeles — onde muitos artistas e equipes de efeitos foram transferidos temporariamente do desenvolvimento das continuações de Avatar para Alita — e a própria unidade de cinema dedicada de Rodriguez no Texas, onde o projeto seria filmado.

Cameron e Landau, já ocupados com as continuações de Avatar, prestaram consultoria para o filme na condição de produtores.

 

Da esq. para dir.: Jon Landau, James Cameron e Robert Rodriguez no set de Alita: Anjo de Combate.


 

“James e eu achamos que o papel de um produtor é estar lá e moldar um diretor”, explica Landau. “Mas não é estar lá e ditar o que fazer. Temos que ser o anjinho de uma orelha e o diabinho da outra. É esse o papel que eu exerço com o James nos filmes que fazemos e é esse o nosso papel com o Robert. Estamos lá todos os dias monitorando as coisas, mas deixamos a decisão final para o Robert.”

 

Criando os cenários de Alita: Anjo de Combate

Para criar o mundo da Cidade de Ferro, Rodriguez usou mais partes do seu Estúdio Troublemaker do que jamais havia usado para construir um cenário monumental com influências da Cidade do Panamá e do mundo todo.

“Projetamos um cenário que pudesse servir como a cidade inteira, mas conectando algumas ruas e tendo certos cuidados com certos ângulos, podemos fazê-lo parecer muito maior. Quando fiz O Mariachi, eu só tinha duas ruas, e todo mundo corria em círculos! Tive muito mais espaço lá. Mas eu nunca pensei que veria algo com tanto detalhe e naquela dimensão aqui, no Texas. É o maior cenário que já tivemos.”

Enquanto os dois primeiros níveis da Cidade de Ferro foram de fato construídos, ficou a cargo da Weta Digital acrescentar mais camadas e criar Zalem, ancorada à Terra por um elevadores espaciais gigantes para transporte de suprimentos para cima.

 

A utópica cidade aérea de Zalem e a Cidade de Ferro em Alita: Anjo de Combate.


 

Jon Landau calcula que a maioria das tomadas do filme tem alguns efeitos, porque a própria Alita e muitos outros habitantes da cidade são cibernéticos de alguma forma. Isso exige muita captura de movimento e substituição de membros na versão final. Rodriguez, que assim como Cameron, sempre procurou descobrir novas tecnologias em seus filmes, gostou muito do processo.

“Mesmo com o 3D, fazíamos 40 arranjos por dia, mas ainda fazíamos tudo bem depressa e isso se tornou uma coisa muito natural para nós”, admite. “Havia muita gente trabalhando nisso, pois todos tinham uma tarefa específica e ajudaram no fluxo, então nunca tivemos que parar por causa de um problema técnico, que qualquer um poderia esperar que acontecesse. Na verdade, foi muito libertador.”

 

Rosa Salazar fala sobre Alita, captura de movimento e Christoph Waltz (Dyson Ido)

Mas, enquanto os efeitos proporcionam o espetáculo, Rodriguez, Cameron e a equipe de produção acreditam que o que importa é o sentimento. E uma grande parte disso vem da personagem principal.

Depois de muita pesquisa, Rodriguez escolheu Rosa Salazar (franquia Maze Runner), para o papel principal.

“Vi o teste dela e acho que foi a primeira vez que me engasguei durante um teste”, conta Rodriguez. “Eu disse ao James que fiquei muito impressionado com ela.”

“De fato, ele ficou imediatamente impressionado e reviu o teste muitas vezes. Fizemos um teste com câmera e ela realmente superou as expectativas.”, revela Cameron.

 

Rosa Salazar diz que a chance de trabalhar com Rodriguez foi muito atraente, e atendeu suas expectativas:

“Fazer o filme com o Robert foi como fazer um filme independente de baixo orçamento onde todo mundo fazia as coisas na raça, mas foi um enorme épico de ficção científica, uma máquina de muitas partes móveis. Mas o comportamento dele é muito calmo. Ele sabe exatamente o que está filmando. Também é muito criativo.”

E, mesmo com tudo acontecendo, Rosa diz que o diretor sempre tinha tempo para falar com o elenco.

“Ele escuta, e outra coisa que eu acho que as garotas vão admirar é que eu podia dar opinião no set. Para uma mulher, uma mulher latina no cinema, isso foi espantoso. Porque a gente não quer ser difícil. Mas eu nunca me senti como se estivesse pedindo demais ou atrapalhando. E então, como eu podia falar, eu assumia uma responsabilidade. Eu pensava: ‘Oh, puxa, minhas palavras importam, então devo ser responsável.’ Ele me ensinou muito.”

Rosa diz que também se identificou com a personagem.

“A Alita é uma moça comum que, por acaso, é feita de peças cibernéticas e tem uma história traumática, insana. Para mim, tudo menos as peças cibernéticas inspiram muita familiaridade. A Alita é exatamente como eu. Tem uma gama bem diversa de emoções. É insegura. É valente. É corajosa. É forte. É curiosa e desafiadora. É forte e é fraca. Tem uma alma verdadeira e acho que ela a expõe o tempo todo.”

Interpretar uma personagem por meio da captura de movimentos pode parecer um grande desafio, mas Rosa Salazar estava preparada para ele, pois pesquisou o trabalho de mestres dessa técnica como Andy Serkis (novos filmes da séries Planeta dos Macacos).

“A captura de movimento é muito interessante. A gente pode estar em uma cena com alguém e esquecer aquilo tudo. Talvez você ouça os atores dizendo isso e pense: ‘Espere aí, a pessoa anda com um aparelho na cabeça que pesa mais de dois quilos. Como pode esquecer que está usando aquilo?’ Mas a gente esquece quando está fazendo as cenas e realmente se concentra naquilo.”

 

Rosa Salazar (esq.) teve seu rosto completamente alterado digitalmente para personificar Alita. A seu lado, Keean Johnson (Hugo) e Robert Rodriguez.


 

Sobre trabalhar com alguém como Christoph Waltz, duas vezes vencedor do Oscar® e que interpreta Dyson Ido, figura paterna da personagem de Rosa, a experiência foi tudo que ela podia desejar:

“Não sei por quê, mas eu não fiquei intimidada. Comecei logo extremamente empolgada e nunca desanimei. No primeiro dia em que o conheci, ele estava fazendo testes de câmera e eu estava espiando através da cortina, tentando vê-lo em seu estado natural. Ele é muito gracioso e não é estoico mas é muito forte e centrado. É muito presente e olha as pessoas nos olhos. Não é egoísta com seu talento. É muito engraçado, uma companhia muito divertida. Tive a impressão de que realizei um desejo importante.”

 

Keean Johnson fala sobre Hugo, Rosa Salazar, Robert Rodrigues e James Cameron

Outra parte importante da história é Hugo, interpretado por Keean Johnson. Hugo é um jovem rapaz com grandes sonhos. Ele garimpa objetos e peças, rouba e trapaceia enquanto tenta ganhar o suficiente para comprar uma passagem para Zalem. Mas, quando conhece Alita e se apaixona por ela, sua vida muda de muitas maneiras.

Johnson soube que conseguiu o emprego depois de uma série de testes, quando Rodriguez lhe enviou uma imagem de Alita beijando Hugo. E conseguir um papel tão grande em sua estreia no cinema foi empolgante, pois ele sabia o que queria fazer com o papel.

“Acho que uma coisa era muito importante para o Hugo e eu percebi assim que li pela primeira vez: ele obviamente passa impressão de ser um cara difícil, criado na rua, que não precisa de ninguém. Mas, olhando bem, vi sua profunda vulnerabilidade. Tudo que eu quis acrescentar foi só esse lado vulnerável, que ele tenta esconder.”

Ele explica que não foi difícil estabelecer a química com Rosa Salazar, principalmente porque eles haviam feito amizade durante o longo processo do teste.

“Acho que, assim que nos conhecemos, ela me recebeu de braços abertos e ficamos amigos imediatamente. Depois, quando fui confirmado para o papel, achamos que era muito importante também passarmos tempo juntos quando não estávamos filmando, para nos conhecermos melhor. E ficamos mesmo muito amigos. Além de sermos atores, somos também muito fãs e críticos de cinema. Então conversamos sobre cinema, sobre o que esperávamos para o filme e para o futuro, e tínhamos muitas ideias em comum.”

Assim como sua colega, Keean Johnson gostou de passar tempo com Robert Rodriguez.

“Robert sempre estava imediatamente pronto para esclarecer todas as minhas dúvidas sobre como ele pretendia filmar alguma coisa ou seu processo criativo para fazer os filmes. Era muito divertido conversar com ele, e ele ficava empolgado quando falava sobre seus primeiros trabalhos.”

Ele também gostou do estilo de direção de Rodriguez, bem diferente do que ele estava acostumado a ver na televisão.

“Robert não vinha falar comigo nas primeiras tomadas. Eu achava que havia alguma coisa errada. Eu achava que o meu trabalho não estava bom. Mas, depois, ele veio falar comigo em um ou dois momentos do dia e dizia algo tão profundo e especial que mudava não só a cena, mas meu personagem todo. Então, acho que é por isso que muita gente gosta de trabalhar com o ele, porque nos deixa fazer nosso trabalho e observa de longe, e só diz alguma coisa quando é realmente necessário. É o melhor tratamento que eu já tive como ator.”

E não foi só com Rodriguez. Ele também teve a chance de lidar com Cameron quando o produtor visitava o set.

“Quando o conheci, passamos uns 30 ou 40 minutos só conversando sobre O Segredo do Abismo (The Abyss, 1989) e sobre como ele fez um dos filmes mais memoráveis de todos os tempos. E ele me pareceu bem tranquilo e relaxado, um cara que adora cinema. Quando eu estava com ele, tive a sensação de aprender tanto quanto provavelmente aprenderia se tivesse frequentado a universidade por uns dois anos. Ele é uma verdadeira escola de cinema. Ele e o Robert são verdadeiras escolas de cinema, só que em forma de seres humanos.”

 

O produtor Jon Landau e Robert Rodriguez falam sobre a estreia do longa

Além dos atrasos no início do projeto, Alita: Anjo de Combate sofreu atrasos na pós-produção. Com uma pequena prévia mostrada na CCXP 2017 (e em outras sessões seletas nos EUA), o longa teve o dia 20 de julho de 2018 como data de estreia original. Em fevereiro do ano passado, a data foi alterada em 5 meses, passando para 21 de dezembro e, finalmente, a data de 14 de fevereiro de 2019 anunciada em setembro. Embora oficialmente não tenha sido revelado um motivo, especula-se que Cameron não tenha ficado satisfeito com a qualidade dos efeitos digitais de algumas cenas e que o atraso tenha sido para melhoria das mesmas.

 

A qualidade dos efeitos digitais no longa é impressionante. Na cena, Ed Skrein interpreta Zapan.


 

Ao falar sobre Alita, o produtor Jon Landau descreve o projeto como algo que ele está muito feliz por finalmente ver acontecer, ainda mais com a participação de James Cameron:

“Acho que o James está empolgado porque o público vai ver o filme. A pior coisa é ter um excelente projeto que nunca é realizado. É uma chance empolgante para dois dos mais respeitados cineastas da atualidade de produzir um filme com muita ação que nunca esquece o seu apelo emocional central durante o incrível espetáculo.”

“É uma excelente apresentação de Alita, um rito de passagem para ela descobrir quem ela realmente é, descobri-la, descobrir sua força e tornar-se alguém que é muito despretensioso, mas que é capaz de afetar e mudar o mundo de forma profunda”, diz Rodriguez. “É uma história sensacional. É cheia de emoções, humor, amor e belíssimos relacionamentos entre os personagens.”

 

Alita: Anjo de Combate estreia nesta quinta, 14 de fevereiro.

A crítica do filme pode ser conferida no Ultimato de hoje.

 

Alita: Anjo de Combate

Sinopse: “Uma ciborgue é descoberta por um cientista. Ela não tem memórias de sua criação, mas possui grande conhecimento de artes marciais. Enquanto busca informações sobre seu passado, trabalha como caçadora de recompensas e descobre um interesse amoroso.”

 

 

 

Trailer:

 

Sobrecast #050, onde falamos do trailer de Alita

 

Sugestão de Leitura: 
 

 

 

 

 
 
 

Acessem nossas redes sociais e nosso link de compras da amazon

Whatsapp

Instagram

Facebook

Amazon