Sequência altera a fórmula do primeiro, mantendo mescla de gêneros e muito humor

por Alexandre Baptista

A Morte te Dá Parabéns 2: confira entrevista com o diretor Christopher Landon 1

 

A Morte Te Dá Parabéns 2, continuação do grande e inesperado sucesso de 2017 de acontecimentos repetidamente eletrizantes e cômicos da Blumhouse (produtora de Vidro, Fragmentado, Corra!), estrela mais uma vez Jessica Rothe no papel de Tree Gelbman.

Antes de mais nada, confira nossas críticas de A Morte te Dá Parabéns (Happy Death Day, 2017) e A Morte te Dá Parabéns 2 (Happy Death Day 2U, 2019) – sem spoilers, para saber mais sobre a conexão entre os dois filmes.

Na continuação, morrer várias vezes parece ser surpreendentemente mais fácil que os novos perigos a serem enfrentados. Tree irá retomar contato com parentes; confrontar pessoas do seu passado, como o Professor Gregory (Charles Aitken); e novos vilões, como Dean Bronson (Steve Zissis).

Repetindo a mescla de gêneros, com pitadas de terror, comédia e viagem no tempo, o novo filme do produtor Jason Blum (Vidro, Fragmentado e Corra!) e do diretor e roteirista Christopher Landon (Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal) busca repetir o sucesso do primeiro longa, sem cair na aposta fácil de reutilizar a velha fórmula.

Quando A Morte Te Dá Parabéns estreou em primeiro lugar nas bilheterias e faturou mais de 26 milhões de dólares em 2017, a crítica se surpreendeu com a adoração do público pela ideia da heroína que tinha a chance de aproveitar ao máximo o último dia da sua vida, revivendo muitas vezes as 24 horas que terminavam com o seu assassinato.

A personagem Tree Gelbman não precisou da permissão de ninguém para virar a mesa contra o seu agressor e persegui-lo até dominá-lo e o filme, indo além das formulas clássicas do gênero do terror, divertiu o público por sua história encantadoramente original, que assumidamente se inspirava em clássicos como Feitiço Do Tempo (Groundhog Day, 1993).

O diretor Christopher Landon, que já havia feito Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal (Paranormal Activity: The Marked Ones, 2014) e Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse, 2015), revelou um gosto fascinante por obter inspiração de vários filmes do gênero do terror. Felizmente, ele não estava ainda muito pronto para abandonar o universo de Tree.

“Não tínhamos a intenção de fazer uma continuação de A Morte Te Dá Parabéns, mas eu tive uma ideia durante a pós-produção que se encaixava muito bem. De repente, vi que ela seria uma continuação perfeita para a história da Tree. Minha ideia era de que ela teria assuntos ainda pendentes em sua vida. Um mundo multidimensional em que tudo era igual, mas diferente, e isso me permitiria explorar sua perda pessoal”, disse o diretor.

Buscado por amigos, fãs e teóricos de conspiração após o lançamento da A Morte Te Dá Parabéns, o diretor ficou feliz ao ver o quanto o público gostou da narrativa e criou suas próprias teorias sobre o que acontecia na história.

“Quando fizemos o primeiro filme, todo mundo tinha sua própria ideia sobre o que havia causado a repetição no tempo. Só depois que eu tive essa ideia percebi que as pistas estavam enterradas o tempo todo. Construímos este filme com esse ponto de partida. O público queria saber o que havia causado o fenômeno, e esta foi uma forma divertida de explorar a ideia.”.

Mergulhando mais profundamente nas vidas dos personagens e escrevendo as ideias novas, Christopher Landon também percebeu que havia uma série de mecanismos de roteiro inexplorados no primeiro filme que ele poderia usar a partir de então.

“No primeiro filme, acontecem blackouts. Neste filme, os blackouts acontecem sempre que o SISSY é ativado. Consegui ligar todos esses pontos e descobrir coisas que podiam já existir desde antes. Enquanto eu escrevia, era divertido fazer a ligação entre os blackouts do primeiro filme e deste filme novo.”.

Enquanto Tree enganava a própria morte em A Morte Te Dá Parabéns, a continuação deu aos produtores a oportunidade de explorar mais a fundo no que estava acontecendo por trás das cenas— e fora do alcance do público – para explicar o loop temporal e revelar mais sobre o passado da heroína. No início de A Morte Te Dá Parabéns 2, a protagonista já se resolveu, perdoou a si mesma e é feliz finalmente. Mesmo assim, ela irá se ver em um novo inferno e terá de tomar difíceis decisões:

“A Tree está numa situação muito difícil e tem que escolher entre o passado e o futuro. Ela pode permanecer em uma dimensão (…) É um pouco como a Dorothy em Oz. Ela precisa descobrir como pode voltar para casa.”, diz Landon.

Para ele, a jornada de Tree é de empoderamento absoluto.

“Ela acha que ainda existe um assassino perseguindo-a e não quer ser vítima. Ela se recusa a ser a garota do fim e vai reprogramar o próprio dia para salvar seus amigos. Isso dá um aspecto muito heroico à personagem. No primeiro filme, ela é a pessoa mais egoísta. Bem, ela vai fazer de tudo para salvar seus amigos e a si mesma.”

O produtor Jason Blum, da Blumhouse Productions, em sua sexta parceria com o diretor e roteirista, estava pronto para participar da continuação quando leu o roteiro.

A Morte Te Dá Parabéns foi um sucesso comercial e com a crítica porque o público adorou a Tree, interpretada pela extremamente talentosa Jessica Rothe. As coisas que ela vive no primeiro filme a tornam uma pessoa mais bondosa e agradável. No fim, ela sai triunfante, uma versão melhor e mais gentil de si mesma, e acho que isso satisfaz a plateia”, diz Blum.

Blum ficou impressionado por ver o quanto Landon havia expandido o universo e como havia explorado a fina linha que separa a comédia do terror:

“Normalmente, continuações permanecem dentro do mesmo gênero, mas o Chris explora os limites e intensifica a comédia. Quando ele teve a ideia de continuar a história da Tree como um gênero diferente dentro de série, fiquei com muita vontade de fazer. Em primeiro lugar, é um filme de terror, e uma grande parte dele é engraçada. O Chris é um diretor e roteirista extraordinário e sabe trabalhar com essa divisão incrível. É difícil fazer um filme em que a plateia ria em um instante e sinta medo no outro. Ele é uma das poucas pessoas que sabem fazer isso”.

Da mesma forma, o produtor gostou da profundidade do desenvolvimento da personagem que Landon conseguiu imprimir à história.

“O impacto emocional é maior (…) O Chris manteve a história interessante ao fazer um filme de elenco mais diverso. O escopo do que foi feito é bem maior. Conhecemos as pessoas responsáveis pela máquina que interfere no tempo. Existe um grupo de estudantes que criou o magnífico — ou terrível — dispositivo, dependendo de como a gente vê”.

 

Voltando Para o Futuro: Velhos Amigos e Novos Inimigos

Embora a produção da continuação tenha começado quase um ano e meio após a produção do primeiro, Christopher Landon teve a impressão de nunca ter saído de Louisiana, graças ao espírito de união entre os atores do primeiro longa. Da mesma forma, o novo elenco integrou-se muito bem à família:

“Senti muita amizade e camaradagem entre os atores. Eles encarnavam seus personagens com muita facilidade. Todos eles entenderam profundamente seus personagens e pontos de vista. Era como se o elenco novo estivesse conosco desde o primeiro dia.”

 

Tree Gelbman – Jessica Rothe

Quando Landon e Blum escolheram Jessica Rothe para o papel de Tree no primeiro filme, ficaram imediatamente impressionados não só com o talento da atriz, mas também com sua tenacidade e resistência, que foram exigidas em praticamente todas as cenas do filme.

Ao interpretar uma personagem que passa de vítima indefesa para uma justiceira fria e vingativa, Jessica Rothe mostrou competência, bravura e carisma que auxiliaram o sucesso estrondoso do filme.

O diretor e roteirista ficou entusiasmado porque sua estrela aceitou participar da produção mais uma vez:

“A Jessica sabe lidar muito bem com sua raiva cômica (…) [ao mesmo tempo] ela realmente entendeu os temas emocionais dos dois filmes e trabalhou muito bem nos dois, de forma cuidadosa e emotiva. Nós dois achávamos importante que fosse mais do que apenas mais um filme de terror sanguinário. Queríamos que houvesse emoção e consciência, e que tivesse algo a dizer”.

Sobre por que escolheu retornar para a continuação, Jessica Rothe diz:

“O papel da Tree é um desafio único. O Chris desenvolveu uma personagem incrivelmente complexa e valente, e eu tenho muita sorte pela oportunidade de interpretá-la. Então, quando ele me abordou com a ideia da continuação, fiquei extremamente empolgada para retornar. Nunca havia repetido um papel antes, então é claro que houve momentos em que fiquei preocupada por não estar ‘fazendo o que a Tree faria’ ou não estar lhe fazendo justiça. Mas a coisa bonita dessa experiência foi que a maior parte do elenco e equipe originais retornaram, e isso fez uma enorme diferença. Era como uma colônia de férias, e o Chris é um líder incrível. Ele sempre verificava se estávamos todos entendendo tudo corretamente”.

Como Tree recusa o papel de vítima — e interfere diretamente no interesse de salvar a própria vida, Jessica Rothe descreve sua personagem como “uma legítima musa do terror moderno que desfaz a bagunça que outras pessoas fizeram”.

A atriz acredita que a força auto conquistada da personagem é o que continua agradando o público.

“Todo mundo adorou o primeiro filme. Acho que foi por isso que Chris quis fazer uma continuação. Não só temos uma incrível mistura de terror com comédia, mas os personagens também são complexos. São pessoas profundas e maravilhosas de quem a gente gosta e quer sabe o que acontece. A Tree toma as rédeas do próprio destino agora. Ela sabe as regras do jogo e se diverte um pouco enquanto participa. (…) Presa na repetição, Tree evolui e se torna uma pessoa muito respeitosa, consciente e gentil. No fundo, ela sempre foi assim, mas, em vários anos de sofrimento, ela foi erguendo uma parede”.

Embora o segundo episódio comece com a ideia implícita de que Tree aprendeu sua lição, alguns elementos centrais que consolidaram sua valentia ainda estão lá.

“Quando o filme começa, a Tree acha que passou a praga da repetição para outra pessoa. Agora, é o Ryan que vive o mesmo dia repetidamente. Então, apesar de estar confusa e ter de lidar com isso, não é mais problema dela. Sem dúvida, é um grande alívio”, diz Rothe.

Mas, como nada é o que parece no mundo de A Morte Te Dá Parabéns, Tree logo descobre que algumas coisas estão diferentes:

“Ela demora um pouco para perceber porque as alterações são muito pequenas (…) O Chris, nossa incrível equipe de cenografia e outras pessoas, esconderam muitos detalhes para a plateia encontrar no mundo novo. Por exemplo, a estampa da camisa de Tree é um pouco diferente”, comenta a atriz.

Assim como no primeiro filme, Jessica ficou fascinada que as questões morais levantadas pela série.

“Passa a ser uma questão de achar que, nesta versão de sua vida, ela não se encaixa na verdade. (…) É muito raro encontrar questões emocionais como essas em um filme de terror. É incrivelmente inspirador.”

Jessica Rothe é tão fã da série quanto seu próprio público e adora as cenas de ação inusitadas e como a equipe explora a fundo a criatividade com elas. A atriz é a primeira a elogiar a equipe de dublês:

“Minha incrível dublê [Kelly Phelan] saltou em queda livre do alto de um prédio de nove andares! Ainda bem que ela fez, porque eu teria molhado as calças”, diz rindo.

A Morte te Dá Parabéns 2 está em cartaz nos cinemas.

 

A Morte te Dá Parabéns 2

Sinopse: “Dois anos após reviver o dia de sua morte várias vezes, Tree acredita estar finalmente livre desse pesadelo até que se vê novamente no meio de um loop. Mas dessa vez, tudo está diferente, o assassino é outro e os alvos também. Além de se preocupar em salvar a sua própria vida, Tree terá que salvar a vida de seus amigos e do seu namorado Carter na tentativa de acabar com isso de uma vez por todas.”

 

A Morte te Dá Parabéns 2: confira entrevista com o diretor Christopher Landon 2

 

Trailer:

 
 
 

Acessem nossas redes sociais e nosso link de compras da amazon

Instagram

Facebook

Amazon