Os fãs mais antigos da Casa das Ideias devem se lembrar de uma HQ que marcou bastante quando foi lançada. Escrita pelo lendário Neil Gaiman (autor de “Sandman” e “Livros da Magia” entre outras) e com arte do também lendário Andy Kubert (filho de Joe Kubert e desenhista de “Wolverine: Origens”), 1602 é uma completa reinvenção dos principais personagens da editora que são completamente modificados quando deslocados alguns séculos no tempo.

A minissérie original de 1602 da Marvel foi originalmente lançada em 2003 e contou com 8 partes. Aqui no Brasil a Panini trouxe a HQ no mesmo formato de minissérie pela primeira vez em 2004 em 4 edições. A editora ainda relançou a história completa em capa cartão e capa dura em 2007 – republicando a capa dura em 2018.

A Salvat também trouxe a aclamada história em “A Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel” #32. Vale lembrar que a minissérie original ganhou uma espécie de continuação em 2005 na minissérie em cinco partes “1602: New World” escrita por Greg Pak e em 2006 na minissérie “1602: Fantastick Four” – também em cinco partes. As duas minisséries, que não possuem o brilho da original, foram lançadas no Brasil pela Panini respectivamente em “Marvel Apresenta” #25 (2006) e “Marvel Apresenta” #32 (2007).

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Versões do Demolidor, X-Men, Nick Fury e outros heróis dão as caras em 1602 de Neil Gaiman

Os Encantos da Trama de 1602 da Marvel Comics!

1602 consegue o feito de se estabelecer rapidamente como um mundo crível onde somos apresentados a versões diferentes mas familiares dos personagens da Marvel que tanto amamos. As referências de Neil Gaiman, que sempre consegue inserir elementos consagrados dos personagens nas histórias, são sensacionais e os fãs mais atentos vão ficar em êxtase. Vale ressaltar Peter Parquagh que aparece próximo a aranhas diversas vezes.

As brincadeiras de Gaiman são apenas um bônus para premiar uma história que é bem pensada e executada do início ao fim. Podemos dizer que Sir Nicholas Fury, Conde Otto Von Doom, Grande Inquisidor Enrique (Magneto), Doutor Stephen Strange e Carlos Javier (Charles Xavier) são os grandes protagonistas da história ao lado das figuras históricas da Rainha Elizabeth e do Rei James.

Os vilões e heróis do Universo Marvel fazem com que a história se desenvolva de forma bem diferente da original com os dois personagens históricos tendo suas ações e vidas influenciadas pelos sussurros e ações desses personagens. A Inquisição, por exemplo, tem no misterioso Enrique seu principal personagem e a caça às bruxas começa a ganhar contornos diferentes quando vemos as criaturas chamadas de sanguebruxo (mutantes) surgirem naquele contexto.

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Stephen Strange é um dos grandes personagens de 1602 de Neil Gaiman

Neil Gaiman conta uma excelente história ao colocar os heróis da Marvel Comics no universo de 1602. Aqui vemos um jogo de poder onde o Rei James quer a morte da Rainha Elizabeth para unificar o reino da Escócia e da Inglaterra e se tornar o mais poderoso monarca. Os vilões, de alguma forma, acabam se alinhando ao intolerante James, enquanto Elizabeth tem em Nicolas Fury e no Doutor Stephen Strange seus principais trunfos. Conforme a história se desenrola temos os sanguebruxo (ou mutantes) adentrando o cenário e diversos outros personagens começam a mostrar sua importância.

O mais interessante desse Universo criado por Gaiman é o quanto ele fez questão de manter elementos históricos na série. Reparem o quanto a religião é importante para a maioria esmagadora dos personagens e o quanto a fidelidade à Coroa Inglesa também é valorizada e celebrada. Esse elemento religioso é também um dos grandes fios condutores da série e o mistério envolvendo o tesouro dos templários – perseguido por  Conde Otto Von Doom e pelo Rei James – é de nos fazer dar um sorriso quando é finalmente revelado.

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Carlos Javier e seus jovens sanguebruxos são figuras marcantes em 1602 da Marvel Comics

Um dos pontos que mais me chamou a atenção na construção de 1602 foi a escolha dos protagonistas e fios condutores da história que acabaram deixando de lado os medalhões da editora (afinal, quem duvida que o Capitão América e o Teioso são mais populares que Nick Fury?). O interessante é que essa ausência, sentida por todos que leram a história, se justifica e se torna um dos pontos centrais da HQ em determinado momento. A forma como Gaiman faz isso é o que impressiona de fato. Fique atento para os detalhes e tente descobrir onde estão os personagens que você sente falta ao ler a minissérie.

O roteiro de Neil Gaiman encontrou par perfeito na arte de Andy Kubert que parece feito para desenhar revistas que abordam o passado. O estilo do artista salta aos olhos e deixa as páginas de 1602 ainda mais bonitas. Os fãs de mundos alternativos vão encontrar em 1602 um universo coeso e bem pensado como poucas vezes vimos em HQs desse estilo. Os detalhes e as diferenças que separam esse universo alternativo do regular não fazem nossos personagens perderem sua essência, sua coragem e seu valor. Se você ainda não leu esse clássico, redima-se o quanto antes!

Quer conhecer mais versões alternativas interessantes? Confira nossa matéria sobre Versões Alternativas de personagens clássicos e confira ainda nossas matérias sobre versões do Batman e fases do Justiceiro!


Créditos:

Texto: Lucas Souza
Edição: Alexandre Baptista

Texto publicado originalmente em 20 de jun de 2019. Atualizado em 07 de maio de 2020.
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