Ultimato do Bacon

Vale a pena ler Zagor Classic?

Em 11 de Ago de 2023 4 minutos de leitura

Em 1961 Guido Nolitta (pseudônimo de Sérgio Bonelli) e Gallieno Ferri criaram um dos personagens clássicos mais amados da Editora Bonelli. Zagor também vive no faroeste, como seu irmão de editora Tex, mas suas histórias tendem a ser diferentes: mais fantásticas, cheias de humor (por conta do seu amigo mexicano Chico) e elementos imprevisíveis que vez o outra o tiram completamente do ambiente tradicional de um western.

Podemos dizer que Zagor é uma espécie de super-herói da Bonelli e evidências como seu uniforme e sua alcunha de “espírito da machadinha” ajudam a dar força a essa visão.

Devo dizer que sou um leitor novato de Zagor. Meu primeiro contato com o herói foi através das ótimas minisséries Zagor Origens de Moreno Burattini e Zagor Contos de Darkwood – que são contos modernos do personagem. Pouco depois desse primeiro mergulho no universo de Zagor me interessei pela publicação Zagor Classic que tem a ousada proposta de republicar as primeiras histórias do herói na mesma ordem que foram publicadas na Itália desde 1961.

Um baita desafio que a Mythos Editora tem conseguido cumprir muito bem com edições caprichadas em formato italiano com as histórias em preto e branco e preço acessível.

Por serem histórias antigas, naturalmente fica o receio de elas estarem “datadas” ou de não soarem tão divertidas assim para novos leitores. Movido pela curiosidade, me arrisquei nos primeiros 7 números da coleção e vamos falar sobre essa experiência abaixo!

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Zagor está sempre acompanhado de seu companheiro Chico nas tramas de Zagor Classic da Mythos Editora!

As Histórias de  Zagor Classic Ainda Divertem?

Vale começar dizendo que as histórias de Zagor, assim como a maioria das publicações Bonelli, são bem convidativas para novos leitores e você não precisa saber muito para mergulhar de cabeça na aventura que está sendo proposta. A leitura que fiz dos primeiros 7 números da coleção surpreende por dois motivos: as tramas tem um ritmo narrativo extremamente funcional e constante e os enredos são completamente diferentes um dos outros!

Falando do ritmo narrativo, podemos dizer que as histórias se movem em velocidade e sabem equilibrar bem ação e humor. Chico, o fiel companheiro de Zagor nas histórias, é extremamente divertido e serve como alívio cômico e eventualmente ainda salva a pele de nosso herói. A dinâmica dos dois é muito bacana e eles se equilibram bem.

Vale dizer que Guido Nolitta (pseudônimo de Sérgio Bonelli), um dos criadores de Zagor, parece gostar dessa dinâmica de herói que é acompanhado por um pard engraçado. Em uma outra criação (que antecede Zagor) vemos uma dupla similar: Tim Carter e seu fiel companheiro beberrão Dusty Ryan – os protagonistas de Um Rapaz no Faroeste. O paralelo é óbvio e Chico, apesar de ser mais útil que Dusty Ryan, é um engraçado e atrapalhado mexicano comilão.

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Chico fala sobre seu assunto favorito em Zagor Classic.. Comida!

Deixando a ótima dinâmica de Chico e Zagor de lado, é hora de falarmos sobre as tramas propostas pelos autores nessas edições. Vale dizer que G. Ferri, sob a supervisão de Bonelli, é o responsável por grande parte das tramas que tive contato nesses sete primeiros números da coleção.

A sensação de história fantástica e o heroísmo de Zagor são as únicas constantes na série e a cada edição vemos antagonistas diferentes que podem ser mais próximos de vilões de faroeste (como ladrões e assassinos) ou de supervilões (como  O Grande Marcus – um vilão que usa uma roupa especial para voar e atormentar nosso protagonista).

Essa diversidade de ideias faz com que cada história seja realmente única e as situações nas quais Zagor e Chico se metem são diversas: luta com canguru e urso, confronto com pigmeus que construíram cidades suspensas, conflito com um sósia maligno e muito mais. E isso tudo em apenas sete números!

Além dessa mudança de cenários e antagonistas, Zagor também me surpreendeu por ser capaz de entregar – mesmo nessas primeiras histórias – coadjuvantes realmente interessantes que são mais complexos do que parecem. Para exemplificar, vale citar a trama da quinta edição de Zagor Classic. Na narrativa vemos a dupla indo ao encontro de uma tribo para tentar encontrar um índio específico (não darei detalhes para não estragar a leitura).

Chegando na tribo eles se deparam com uma situação inusitada: os índios estão matando os bisontes aos montes para coletar a pele (comportamento incomum já que a caça está ligada a alimentação) e comprar armamentos de dois inescrupulosos contrabandistas.

Observe o comportamento do chefe da tribo e do jovem índio que Zagor e Chico buscam: eles mudam e aprendem com a situação e com a intervenção do Espírito da Machadinha. Honestamente, não esperava encontrar esse tipo de complexidade nessas primeiras histórias do herói da Bonelli.

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Cenários diversos aguardam o leitor nas aventuras de Zagor Classic

agor Classic é uma leitura surpreendente que me agradou em todos os sentidos! É ótimo poder acompanhar a gênese de um personagem que é uma lenda dos quadrinhos e tudo fica ainda melhor quando as primeiras histórias desse personagem são capazes de divertir mesmo depois de 50 anos do seu lançamento. O melhor é que as tramas se fecham sempre em uma ou duas edições – o que deixa o leitor livre para acompanhar as narrativas de Zagor e Chico até onde ele achar que convém.

Pessoalmente, pretendo continuar acompanhando os próximos números da coleção pois acredito que essas primeiras aventuras do herói ainda vão conseguir me entregar muita diversão! 

E respondendo a pergunta do começo: vale muito a pena ler Zagor Classic!

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Créditos:
Texto: Lucas Souza
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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