Ultimato do Bacon

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

Em 8 de Set de 2021 5 minutos de leitura
Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato
 

Buscando trazer novos personagens para seu Universo Cinematográfico, a Marvel começa com Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis a trazer personagens ainda mais obscuros para o grande público.

Com trailers que prometiam um caminho um pouco diferente de outros filmes do UCM, apostando em uma mistura de Kung Fu com artes místicas, eu esperava ver O Mestre do Kung Fu abordado de forma no mínimo interessante com esse filme.

Só que novamente, fui surpreendido… negativamente!

Índice

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

Na trama do filme acompanhamos Shang Chi (Simu Liu), filho de Zheng Zu (Tony Leung) chefe da organização Dez Anéis (sim, aquela citada em 2008 no primeiro filme do Homem de Ferro). Shang Chi vive “escondido” do pai, em uma vida pacata e simples, até que seu passado retorna para confrontá-lo e ele se vê obrigado a mostrar suas habilidades e buscar sua família.

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis tem um início até promissor! Contando a história de origem de Zheng Zu, que mescla os personagens clássicos Mandarim e Fu Manchu e ainda adapta os dez anéis de forma até interessante.

É interessante o clima e o visual mais “folclórico” no início do filme, bem semelhante a obras como O Tigre e o Dragão (2000), onde temos lutas um pouco mais “poéticas”. Foi legal ver essa homenagem aos clássicos do Kung Fu.

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

As cenas de luta do filme são bem competentes, a sequência em Macau é muito bem feita e me fez acreditar de verdade que eu estava vendo um filme autocontido, quase urbano. Por mais que seja uma pancadaria fofa no estilo Marvel/Disney, funcionou bem comigo e me deixou empolgado.

Mas a busca da Marvel pela mediocridade venceu e aí começaram os problemas…

A partir da metade do filme, Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis adota um outro rumo. Na  verdade vários, tornando o filme quase confuso. O que começou como um filme de Kung Fu e aventura galhofa, foi se tornando algo até difícil de descrever.

Os atores não possuem nenhum carisma, mas essa atuação mais fria estava fazendo um certo sentido na primeira parte do filme. O que agrava demais essa questão é o péssimo uso da atriz (ou comediante) Awkwafina que interpreta Katy, a melhor amiga de Shang Chi.

A personagem beira o insuportável, tem um tempo de tela mais do que exagerado e entrega um humor tão bizarro que chega a dar dores de cabeça. Não culpo a atriz, talvez nem a personagem, foi nítida a escolha da Marvel em trabalhar dessa forma. Inexplicável!

As relações familiares de Shang Chi, que é a espinha dorsal da trama, não têm quase nenhuma lógica plausível e muitas coisas são forçadas ao extremo. Mesmo para uma adaptação de quadrinhos, toda a trama é desenvolvida de forma rasa, incoerente.

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis tem como objetivo trazer mais um personagem para o UCM, porém estamos falando de um personagem conhecido popularmente como O Mestre do Kung Fu, cujas habilidades são… adivinha só, artes marciais. Então a Marvel precisava acrescentar o elemento místico de forma mais intensa a Shang Chi na forma dos Dez Anéis afim de encaixar melhor o personagem em um mundo onde temos de poderes cósmicos a armaduras high tech.

Infelizmente parece que a Marvel não vai mais explorar os personagens e histórias de forma mais urbana…

Essa adaptação tinha um potencial legal, porém é feita de forma extremamente exagerada e descaracteriza o personagem quase que em sua totalidade. Ao final do filme, fica difícil até mesmo lembrar que lá no começo vimos sequências tão legais que fariam jus a Mestre do Kung Fu.

Mas tem algo pior, muito pior em Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis, e para falar isso eu preciso falar sobre um detalhe mais profundo da trama. Não serei explícito, porém para os mais atentos pode ser um spoiler.

Vamos lá…

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

ALERTA DE POSSÍVEIS SPOILERS

Em 2013 a Marvel entregou o que considero o pior filme de seu catálogo, Homem de Ferro 3, o que eu considero o marco zero para a fórmula que viria a impregnar todos os seus filmes e toda sua era de mediocridade. Um dos pontos que me fizeram quase levantar do cinema foi a revelação do vilão Mandarim, que era na verdade um ator e comediante se passando por um líder terrorista.

Isso foi algo tão desagradável que a própria Marvel no curta All Hail The King, presente no bluray de Thor Mundo Sombrio, fez um certo pedido de desculpas e deixa explícito que o verdadeiro Mandarim está por aí.

Em Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis já começamos com a informação de que Zheng Zu é sim o Mandarim, líder da organização Dez Anéis. Essa organização já foi citada como um grupo terrorista já no primeiro Homem de Ferro de 2008, o que mesmo com uma adaptação mais pé no chão como a Marvel insinuava na época, dava a entender que veríamos um confronto entre Tony Stark e um de seus vilões mais clássicos, o Mandarim.

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

Essa expectativa mediante o exposto pela própria Marvel no filme de 2008, foi o verdadeiro motivo de tanta raiva quando vimos Trevor Slattery (Ben Kingsley) se revelar um ator e logo após no mesmo filme, Aldrich Killian (Guy Pearce) gritar a plenos pulmões “Eu sou o Mandarim!”.

Isso deixou um gosto muito amargo e a Marvel prometia um certo pedido de desculpas pelo fiasco, que acabou sendo um grande deboche aos fãs que tornaram todo o UCM possível!

Se hoje o UCM é um sucesso, foi porque gente como eu, que lia os quadrinhos e sempre foi fã dessa marca hoje tão maltratada nos quadrinhos, acreditamos e difundimos a palavra. Lá em 2008 quando a Marvel tentava erguer seu universo cinematográfico, debaixo de deboches e descrenças dos fãs do Batman de Nolan, eu era um dos milhares que falava sobre a importância de darmos uma chance, que iria valer a pena. Eu era um dos que fazia todo o grupo esperar as cenas pós créditos, um dos que falava que se tudo desse certo iriam fazer os Vingadores algum dia!

Esse Mandarim em Homem de Ferro 3 foi mais que um deboche, foi uma ofensa quase que pessoal e imperdoável. Sim a Marvel acertou muitas coisas, mas ainda precisava se desculpar pelo fiasco.

E a oportunidade seria em Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis. Coisa que não aconteceu…

Na verdade foi um pouco pior! Ao tentar se retratar, a Marvel fez as piores escolhas e acabou cometendo outro erro grotesco. Já temos que conviver com a impossibilidade do encontro entre o Homem de Ferro e seu vilão mais clássico, coisa muito compreensível, mas novamente descaracterizar o vilão, mesmo ele sendo uma amálgama de dois personagens, foi persistir no erro e mais uma vez debochar dos fãs que tornaram o UCM possível. Muito triste…

FIM DOS SPOILERS!

Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis – O Ultimato

Em Shang Chi e A Lenda dos 10 Anéis a Marvel mais uma vez não só abraça a mediocridade em seu universo cinematográfico como se lambuza nela. Um filme com potencial absurdo de mostrar uma trama mais autocontida, mas que acaba se afundando nos mesmos clichês apocalípticos de sempre, coisa que nem é exclusividade da Marvel, mas que ela faz sempre da forma mais exagerada.

Felizmente para aqueles que assim como eu, não são mais o público alvo do UCM, nos resta o bom trabalho que a Marvel tem feito com suas séries Wandavision, Loki e Falcão e Soldado Invernal. Para aqueles que aplaudem absolutamente qualquer película medíocre como se fosse uma obra prima somente porque tem uma logo vermelha, quando vocês forem adultos “a gente” conversa.

Não deixe de conferir nosso guia cronológico da Saga do Infinito clicando aqui e nossa lista com as Melhores HQs da Marvel clicando aqui

Avaliação: Regular!


Créditos:
Texto: Diego Brisse
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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