Por Lucas Souza

 

Em 2016 a DC Comics começou uma iniciativa que visava fazer uma releitura dos personagens clássicos da Hanna-Barbera. Dentro dessa iniciativa foram lançadas HQ´s como “The Flintstones”, “Future Quest” (que juntava Space Ghost, Os Herculóides, Johnny Quest, Homem-Pássaro e outros), “Corrida Maluca” e “Scooby Apocalipse”.

As revistas, independentes entre si, davam liberdade para que os autores pudessem seguir o caminho que entendessem como o melhor – inclusive refazendo conceitos. A turma do Scooby foi entregue  as competentes mãos de Keith Giffen e J.M. DeMatteis (que fizeram a incrível “Liga da Justiça Internacional”) e ao artista Dale Eaglesham.

A Panini Comics está trazendo para o Brasil a saga em formato de encadernados desde 2018. Já temos publicados “Scooby Apocalipse” #1 – #3 que reúnem as 18 primeiras edições americanas da saga.

 


Scooby e sua turma sofrem alterações em “Scooby Apocalipse” da DC Comics

 

Os lançamentos da linha Hanna-Barbera variaram entre séries que modificaram drasticamente os personagens originais (como foi o caso de “Corrida Maluca”) e casos onde os principais conceitos se mantiveram intactos (“The Flintstones” é o principal representante nesse caso).

“Scooby Apocalipse” é um intermediário. Algumas características foram adicionadas ou ampliadas para tornar os personagens ainda mais diferentes entre si. Porém, o que mais chama a atenção quando comparamos a série com o clássico desenho de 1969 “Scooby Doo, Cadê Você!” (Scooby-Doo, Where Are You!) é a drástica mudança de tom – aqui os personagens levam os riscos bem mais a sério e temos ainda espaço para dramas e afins.

Em “Scooby Apocalipse”, saem de cena os tradicionais e caricatos vilões fantasiados de monstros e entram em cena monstros reais que fazem parte de uma espécie de apocalipse zumbi (substituindo zumbis por monstrengos).

É no meio dessa confusão que Fred e Velma conhecem Salsicha, Scooby e Velma. A relação da turma vai se desenvolvendo em meio a perseguições e fugas em massa e, com o passar das edições, itens e situações clássicas do desenho (como a Máquina Mistério e Velma perdendo seus óculos) vão aparecendo revitalizados para esse novo cenário. A série também faz questão de explicar – de forma científica e convincente – o porquê de Scooby falar.

 


Scooby-Doo e sua Turma investigam o mistério do apocalipse de monstros em “Scooby Apocalipse”

 

A personalidade do quarteto de amigos que acompanham Scooby sofre alterações leves – a exceção de Fred que sofre mudanças mais pesadas. Sai o líder organizador e destemido, papel agora desempenhado por Daphne, e entra em cena um atrapalhado e apaixonado personagem que insiste em pedir Daphne em casamento diversas vezes (sem sucesso obviamente).

Infelizmente, Fred em nada lembra o que estamos acostumados a ver em outras mídias. Salsicha, que está extremamente parecido com os desenhos e mantém sua relação de amizade e comilança com Scooby, ganha um ar mais hipster, ostentando um estilizado bigode, além de ser vegetariano e ter várias tatuagens.

Toda a trama de “Scooby Apocalipse” gira em torno de desvendar o surgimento dos monstros e como reverter o processo – Velma e o seu antigo local de trabalho (O Complexo), que pertenciam a sua família, estão diretamente envolvidos na bagunça e temos novidades e novos fatos a todo o momento.

Apesar de não ser tão divertido quanto os mistérios característicos do desenho, a proposta de Keith Giffen e J.M DeMatteis prende a atenção e tem seus momentos interessantes. Outro personagem que ganha uma nova roupagem, similar ao filme “Scooby Doo” de 2002, é o Scooby-Loo – que não chega a ser um vilão mas cria alguns problemas para a turma.

 


Batalhas ferozes fazem parte de “Scooby Apocalipse”

 

Como temos monstros reais em “Scooby Apocalipse”, faz total sentido termos uma dose de violência bem maior do que a vista nos antigos desenhos. Scooby-Loo e Daphne são os que acabam sendo os mais agressivos nesse sentido – e temos momentos que podem ser realmente impróprios para crianças.

“Scooby Apocalipse” é uma reformulação interessante para os personagens da Hanna-Barbera que ganham atualizações em suas personalidades e no seu cenário. Infelizmente, apesar de divertida, substituir a personalidade de Fred e Scooby-Loo de forma mais bruta e trocar os mascarados por monstros reais acabou tirando um pouco da magia e diversão que eram tão bem-vindas. O cenário mais cru e ameaçador de um apocalipse, que substituiu os castelos escuros, pântanos e galpões do desenho animado, também tira um pouco da sensação de nostalgia que sentimos ao ler a publicação.

Mesmo assim, a execução de Keith Giffen e J.M DeMatteis tornam a série um acerto que merece ser lido pelos fãs de Scooby – ainda esperamos que as máscaras e mistérios retornem em uma série no futuro!

 

 

Avaliação: Bom

 

 

Fique ligado no Ultimato do Bacon para mais reviews sobre HQ´s!

 

 


 

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