Por Lucas Souza

O novo universo de Super-Heróis brasileiros chegou com tudo através da Guará Entretenimento. O grande carro-chefe dessa nova iniciativa é “O Doutrinador”, o anti-herói (ou herói?) brasileiro criado por Luciano Cunha – que é também um dos idealizadores da Guará. O herói, que chegou a ganhar seu próprio filme em 2018, chega às bancas brasileiras em um belo encadernado capa dura que reúne todas as HQ´s produzidas com o personagem. Vale lembrar que “O Doutrinador” foi criado no formato atual em 2013 pouco antes de se iniciarem os protestos que varreram o país – o autor relata que a ideia já existia com uma outra roupagem desde 2008

O personagem de Luciano Cunha é tido como uma mistura do Justiceiro com o Batman: uma figura extremamente violenta que leva aos políticos brasileiros uma resposta das ruas para a corrupção que eles propagam. Com uma teatralidade digna do Cavaleiro das Trevas e uma sede de sangue que faria o Justiceiro corar, o Doutrinador não tem vergonha de ser cruel ou de aplicar penas extremas. Parece haver uma justiça poética na forma como o personagem enxerga suas ações.

 

 

O Universo de “O Doutrinador” da Guará Entretenimento 1

O Doutrinador de Luciano Cunha tem na classe política seu principal alvo

 

A HQ de Luciano Cunha gera uma identificação quase que imediata por conta dos cenários e das formas como o autor vê a situação. Em uma passagem particularmente boa, o Doutrinador diz que “algumas pessoas não sabem de sua luta, outras acham que ele é uma lenda urbana, outras sabem o que está acontecendo e alguns só querem aparecer e ganhar dinheiro”. Nesse último trecho ele mostra uma mulher dizendo que já havia ido para a cama com o personagem diversas vezes – se pensarmos um pouquinho vamos conseguir ver diversas pessoas da mídia atual se encaixando nessa crítica. E esse é o maior trunfo da HQ “O Doutrinador”: parecer extremamente real.

Outro ponto positivo na HQ do autor é a representação da nossa classe política que mesmo tendo seus nomes alterados seguem muito identificáveis. A criatividade do Doutrinador ao aplicar seus castigos também é digna de ser lembrada e é muito interessante como as situações, por mais similares que possam ser, apresentam diferenças relevantes e acabam prendendo a nossa atenção.

 

 

O Universo de “O Doutrinador” da Guará Entretenimento 2

O Doutrinador mostra sua revolta diversas vezes durante a HQ de Luciano Cunha

 

Se “O Doutrinador” possui algum ponto falho que possa ser mencionado é a origem do primeiro homem a vestir a máscara que parece plástica e pouco inspirada na nossa realidade (me pareceu muito a origem do famoso “Bazuca” da Marvel Comics – soldado altamente treinado que sofre lavagem cerebral criado por Frank Miller e David Mazzucchelli). A tentativa de criar uma espécie de “batalha final” com um antigo aliado que continua a favor do governo também não desce bem e o final da primeira HQ do herói pode parecer pouco animadora para a continuação.

O segundo Doutrinador porém é tudo que esperávamos em termos de história e o mistério envolvendo sua identidade acaba sendo muito bem explorado por Luciano Cunha. Na segunda HQ temos a sensação de que o autor já sabia a história que estava querendo contar e a obra parece-se menos com uma junção de pequenas histórias e mais com um grande e planejado plot. “Dark Web”, a continuação da HQ que também está contida no encadernado, mostra que o Doutrinador é mais do que uma boa ideia ou um apanhado de pequenas história e rende uma história muito boa que possui início, meio e fim muito bem identificado.

 

O Universo de “O Doutrinador” da Guará Entretenimento 3

O Doutrinador aterroriza a classe política na HQ de Luciano Cunha da Guará Entretenimento

 

Vindo de um universo extremamente pessimista onde a classe política faz o que quer (qualquer similaridade com a realidade NÃO é mera coincidência) o Doutrinador é a resposta óbvia de alguém habilidoso e cansado da forma como as coisas funcionam. Luciano Cunha usa sua HQ para criticar não apenas a classe política mas também a passividade do brasileiro de maneira geral. Com uma primeira HQ que derrapa no final, o Doutrinador consegue se recuperar muito bem em sua continuação e se mostra um personagem sólido. Sua participação na revista “Pérola” (saiba mais clicando aqui) nos dá esperança de ver mais desse personagem e de um universo coeso ao seu redor!

 

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