Descubra se vale a pena ler JoJo’s Bizarre Adventure, a obra-prima mais bizarra de um escritor de Araki.

Entendeu? “Escritor de Araki”. Essa foi engraçada.
“Não”? Como assim, “não”?
Que seja, só leia o post.

Cansado de ler sempre o mesmo tipo de coisa quando o assunto é mangá? Nenhum mangá te prende mais, ou te cativa? Você quer ver homens de 1.95m fazendo poses extravagantes e/ou anatomia questionável, enquanto canalizam o poder do Sol pelo sangue, utilizando a respiração?

Você já ouviu alguém dizer “ORAORAORA” “WRYYYY“, ou “ZA WAARUDO!” em uma convenção e se perguntou de onde vieram essas referências? Quer ver vampiros que podem parar o tempo, lutando ao lado de padres com nome de roupa de grife?

Você quer ver poderes bizarros, que quase não fazem sentido? Ou, quem sabe, pessoas (que podem ser, ou não, E.T.s) com alergia a sons altos? Assassinos em série que têm fetiches com mãos?

E tudo isso muito bem amarrado com um laço vermelho de referências a bandas e cantores que vão de (mas não limitados a) Queen, Yes, Prince, Elvis Costello a até mesmo Michael Jackson?

Se você respondeu “sim” a pelo menos uma dessas perguntas super específicas (ou ficou no mínimo intrigado), JoJo’s Bizarre Adventure pode ser o mangá perfeito pra você!

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 1

Se respondeu sim para qualquer uma das perguntas, você provavelmente já é fã da série JoJo´s Bizarre Adventure
Ou tem gostos muito… peculiares.

A História de Jojo´s Bizarre Adventure

Criado em 1987 e sendo escrito até hoje por Hirohiko Araki, JoJo no Kimyou na Bouken (lit. As Bizarras Aventuras de JoJo ou JoJo´s Bizarre Adventure) foi publicado inicialmente na Weekly Shounen Jump e conta a história da linhagem Joestar e sua eterna rivalidade com a linhagem Brando.

A história é dividida em partes que seguem protagonistas diferentes, em outras eras da história da humanidade, com uma coisa em comum: todos ganham, por algum motivo, o apelido carinhoso JoJo.

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 2

Eu nem consigo imaginar a confusão nas reuniões familiares do pessoal de Jojo´s Bizarre Adventure


Com o mangá JoJo´s Bizarre Adventure ainda tendo muita lenha pra queimar, seguindo a trama da oitava parte da saga publicada no Japão (JoJolion), com a atual produção e lançamento do animê da quinta parte (Vento Aureo) e com a explosão de popularidade mundial da série, o mangá tinha que ser lançado aqui no Brasil também – e já não era sem tempo.

E quem atendeu aos nossos pedidos foi a editora Panini, que iniciou a publicação da tradução brasileira do mangá em julho de 2018, por onde tudo começou: Phantom Blood, a primeira parte.

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JoJo’s Bizarre Adventure: Phantom Blood – Mangá está sendo lançado no Brasil pela Panini Comics


O começo de Jojo´s Bizarre Adventure

Jojo´s Bizarre Adventure Phantom Blood conta a história do jovem Jonathan Joestar, herdeiro único da ilustre e nobre família britânica Joestar.

Seu sonho é se tornar um cavaleiro, ajudando as pessoas em sua volta e vivendo pacificamente. No entanto, tudo isso muda quando Dio Brando chega na mansão Joestar, fazendo de tudo para tornar a vida de Jonathan um verdadeiro pesadelo e tomar para si a herança da notória família.

Após muitos anos morando com Dio, Jonathan começa a estudar a enigmática Máscara de Pedra, comprada por seu pai quando Jonathan era apenas um bebê. Mal sabia Jonathan que o poder da Máscara mudaria a sua vida, seu próprio destino e de todos que carregam seu sangue.

Se essa pequena sinopse não pareceu muito bizarra, pode confiar que JoJo’s Bizarre Adventure chega e ultrapassa as suas expectativas de bizarrice, fazendo jus ao nome, sempre intrigando (por vezes até assustando) o leitor.

A arte de Hirohiko Araki reflete isso muito bem. Desde seu estilo inicial, meio tosco, até o estilo mais atual, mais refinado (mas ainda tosco), Araki sempre transmite suas ideias no papel de forma orgânica e rica em detalhes.

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Comparação dos estilos artísticos de Araki ao decorrer das partes de JoJo´s Bizarre Adventure
Parece que cada parte é feita por uma pessoa completamente diferente.

A Panini está fazendo um ótimo trabalho com a tradução até agora, não fazendo uma tradução literal, mas sim adaptando o texto original.

A única coisa com a qual me preocupo são os nomes – aos que não sabem, nas aventuras mais posteriores existem personagens e habilidades com nomes de álbuns e músicas muito mais óbvios e sujeitos a processos do que “William Zeppeli” ou “Robert Speedwagon” – no sentido de ver personagens literalmente gritando “AEROSMITH!” pra lá e pra cá.

Nas legendas do animê feitas pela Crunchyroll, os tradutores mudaram os nomes dessas habilidades com resultados, digamos… Não muito favoráveis.

Eu entendo que possa dar algum tipo de problema com os donos dos direitos das músicas, mas as referências musicais fazem parte da identidade que o autor criou pra série. Sem elas, JoJo’s Bizarre Adventure não é a mesma coisa. Mas no final, isso só o futuro dirá.

No fim, eu recomendo muito a tradução da Panini: tanto para fãs revisitarem o clássico de forma física quanto para os novatos se apaixonarem pelo jeito louco do autor de escrever e desenhar mangá.

E, Panini, se vocês estiverem lendo isso, lancem também uma edição de luxo colorida e com capa dura, por favor!

‘Gradicido!

Quer conhecer mais mangás imperdíveis? Confira nossa lista dos melhores mangás já publicados no Brasil!

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 5

Avaliação: Excelente!

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 6

Eu já mencionei que o Araki já teve uma exposição no Louvre? Não? Pois é.


Leitura recomendada:

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 3

Ler ou não ler: JoJo's Bizarre Adventure 8


 

Créditos:

Texto: Lucas Pontes

Imagens: Reprodução

Edição: Alexandre Baptista

Texto publicado originalmente em 21 de junho de 2018. Atualizado em 30 de abril de 2020.

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