A série da HBO acabou, mas seu universo segue vivo e séries derivadas em desenvolvimento. Entenda o que esses cinco momentos representam na mitologia do Mundo de Gelo e Fogo

por Alexandre Baptista

Game of Thrones: cinco momentos do episódio final que significam mais do que parecem 1

 

Muitos odiaram o final da série; outros acharam simplesmente ok. E alguns acharam perfeita para aquilo que a série propunha: longe de ser extremamente fiel aos livros – que ainda não foram finalizados – os episódios semanais da HBO de Game of Thrones faziam uma livre adaptação com muita, muita coisa negligenciada de seu material original.

Veja nossas críticas da 8a temporada aqui.

Dessa forma, os produtores não tinham outro caminho senão realizar o final como acabou sendo: contrariando expectativas como a série fez desde o começo.

Em nossa lista estão alguns momentos que significam mais do que está de fato revelado em cena; alguns deles, provam que muitos momentos estavam em sintonia com todo o resto da trama anunciada desde as primeiras temporadas.

 

1 – A profecia da Casa dos Imortais

Na segunda temporada, Daenerys adentra a Casa dos Imortais, sede dos magos de Qarth onde tem uma série de visões vívidas. Algumas com seu irmão, outras diretamente ligadas ao Trono de Ferro e Porto Real devastada. A sala do trono não tem mais cobertura e está nevando cinzas sobre ela.

 

 

Quando a Mãe dos Dragões adentra a sala do trono no episódio final, não é de se espantar que os diretores tenham utilizado inclusive os mesmos ângulos de câmera em muitas das cenas.

Game of Thrones: cinco momentos do episódio final que significam mais do que parecem 2

Cena da segunda temporada…

Game of Thrones: cinco momentos do episódio final que significam mais do que parecem 3…e a cena da oitava temporada.

 

2 – O fim é o começo

Na primeira temporada, quando a comitiva real de Robert Baratheon visita Winterfell, lar de Ned Stark, Tyrion Lannister, o Duende, e Jon Snow, o Bastardo, acabam se encontrando e desenvolvendo uma certa amizade… o mais correto aqui seria dizer uma certa empatia e reconhecimento entre dois párias em suas próprias famílias.

A situação e os laços se estreitam ainda mais quando Jon decide se juntar à Patrulha da Noite e Tyrion Lannister decide acompanhar a comitiva até lá, para conhecer a Muralha e “mijar da borda do mundo”.

A última cena entre Tyrion e Jon no último episódio da série ecoa a conversa que ambos têm na primeira temporada, do alto da Muralha; o destino de Jon, acaba sendo o mesmo que ele escolheu pra si tantos anos atrás, por circunstâncias diferentes.

 

"Entregar você aos Imaculados começaria uma guerra." Tyrion diz. “Deixar você andar livre iniciaria uma guerra. Então nosso novo rei escolheu mandá-lo para a Patrulha da Noite”.

"Ainda há uma Patrulha da Noite?", pergunta Jon.

“O mundo sempre precisará de um lar para bastardos e homens quebrados. Não tomarás mulher, não possuirás terras, não terás filhos. Os Imaculados queriam sua cabeça, claro, mas Verme Cinzento aceitou a justiça de uma sentença de prisão perpétua. Sansa e Arya queriam que você fosse libertado, mas elas entendem que nosso novo rei precisa fazer as pazes. Ninguém está muito feliz. O que significa que é um bom acordo, suponho”.

“Foi certo? O que eu fiz?"

"O que fizemos."

"Não parece certo."

"Pergunte-me novamente daqui a 10 anos", diz Tyrion.

"Eu não acredito que nos vejamos novamente", diz Jon a Tyrion.

"Eu não tenho tanta certeza. Alguns anos como Mão do Rei fariam qualquer um querer ir mijar na borda do mundo”, diz Tyrion.

 

3 – Brienne e o Livro dos Irmãos

No episódio final, Sor Brienne de Tarth, além de Cavaleiro da Guarda Real, foi nomeada Senhora Comandante da Guarda Real, posto ocupado na primeira temporada por Sor Barristan Selmy.

Em uma das cenas do episódio, vamos Brienne na Torre da Espada Branca, diante do Livro dos Irmãos, mais conhecido como o Livro Branco dos Cavaleiros de Westeros. Como Senhora Comandante, cabe a ela atualizar o livro, descrevendo as histórias e feitos dos Cavaleiros da Guarda Real. E assim ela finaliza a história de Jamie Lannister, o Regicida.

Além de poética, a cena ecoa seu momento de despedida de Sor Jamie na 4a temporada, quando ela toma contato com o livro pela primeira vez e lê a entrada do cavaleiro em voz alta.

Outra nota interessante é que, do ponto de vista do Reino, ela narra a história de Sor Jaime de maneira “imparcial”, tratando Stannis Baratheon, os Stark e os Tully (por quem lutou) como baderneiros e revoltosos.

 

Game of Thrones: cinco momentos do episódio final que significam mais do que parecem 4

 

"Capturado em batalha no Bosque dos Murmúrios.
Libertado por Lady Catelyn Stark em troca de um juramento para encontrar […] e suas duas filhas.
Perdeu sua [mão].
Tomou Correrrio dos rebeldes Tully, sem perda de vidas.
Atraiu os Imaculados a tomar Rochedo Casterly, sacrificando o lar de sua infância em favor de uma estratégia maior.
Sobrepujou as forças Targaryen para dominar Jardim de Cima.
Lutou bravamente na Batalha de Estrada Real, escapando por pouco da morte pelo fogo do dragão.
Jurou-se às forças dos homens e cavalgou para o norte para se juntar a eles em Winterfell, sozinho.
Enfrentou o Exército dos Mortos e defendeu o castelo contra probabilidades impossíveis até a derrota do Rei da Noite.
Fugiu do aprisionamento partindo para o sul na tentativa de salvar a capital da destruição.
Morreu protegendo sua rainha".


 

4 – Um Lannister sempre paga suas dívidas

Na cena do Pequeno Conselho de Bran, o Quebrado, Tyrion pergunta a Sor Bronn da Água Negra, agora senhor de Jardim de Cima, se o Cavaleiro e também Mestre da Moeda considerava a dívida paga. A pequena pergunta parece corriqueira, um leve comentário, respondido com um “totalmente paga” um tanto desinteressante.

Na verdade, a dívida em questão havia sido contraída apenas dois episódios atrás, quando Cersei contrata Bronn para matar Jamie e Tyrion com a mesma besta usada pelo Duende para matar Tywin Lannister. Na ocasião, Cersei havia prometido a Bronn uma volumosa recompensa pela morte de Tyrion, incluindo fazê-lo senhor de Correrrio.

Pois Tyrion lembra o cavaleiro de um acordo feito ainda na primeira temporada: sempre que alguém oferecer qualquer recompensa por sua morte, o Duende dobrará a oferta para que Bronn poupe-o.

A cena final ecoa não somente o acordo do episódio 04 da 8a temporada, mas também todas as outras vezes em que precisou reforçar a oferta perante o habilidoso oportunista.

A cena também é irônica ao mostrar quão longe um campesino sem escrúpulos e moral é capaz de chegar desde que tenha argúcia e habilidade… de praticamente indigente a Sor Bronn da Água Negra, senhor de Jardim de Cima e Mestre da Moeda, com brasão, casa e uma história no Livro dos Irmãos da Guarda Real. Um brinde a Sor Bronn!

https://youtu.be/31SZUZLsLaM

 

 

5 – O fim de Daenerys Targaryen

Depois da triste despedida entre Jon e Daenerys – fico imaginando o hate que Shakespeare levaria no Twitter se tivesse escrito Romeu e Julieta em 2019 – vemos a fúria de Drogon numa cena que contém tanto significado que é normal que muitos espectadores achem realmente ruim. O span de atenção da maioria é curto e o romance, o final feliz e a lacração precisam sobrepujar toda e qualquer nota mais comedida e elegante que se tente realizar.

Além de Drogon não atacar Jon Snow por não conseguir sobrepujar a força de comando de um Targaryen que, ainda por cima é um warg, o dragão, revoltado, derrete o Trono de Ferro numa cena que resume o fim do jogo dos tronos: tanto sofrimento, angústia e amor não correspondido em função de uma obsessão de poder e glória representada pelo trono de milhares de espadas.

Mas a cena ainda vai mais longe e Drogon toma o corpo de Daenerys, voando com ela sem um destino que possamos projetar. No final do episódio porém, sabemos que o dragão está levando a Mãe para o Leste.

De acordo com a Game of Thrones Wiki, temos a seguinte entrada sobre dragões:

“Cinco mil anos atrás, o Povo Livre Valiriano aprendeu a dominar e montar dragões como bestas de guerra e os usaram para forjar um império que se estendia pela maior parte do continente de Essos, dominando quase metade do Mundo Conhecido. Quatrocentos anos antes da Guerra dos Cinco Reis, todo o império valiriano e quase todos os seus dragões foram destruídos em um único dia, durante uma erupção vulcânica cataclísmica conhecida como a Perdição de Valíria. Uma família nobre valiriana, os Targaryens, sobreviveu à Perdição na ilha distante de Pedra do Dragão no Mar Estreito – junto com os últimos sobreviventes dragões valirianos.”

 

Ora, o Mar Estreito e Pedra do Dragão ficam a alguma milhas a leste de Porto Real, indicando que Drogon provavelmente levou Dany para o lar de seu nascimento e de seus ancestrais, ecoando também o fato de que Daenerys foi a última Targaryen nascida lá.

 

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Bônus – A piada mais engraçada do mundo

O episódio termina numa cena do Pequeno Conselho, sugerindo que a roda que Dany tanto quis quebrar só mudou de mãos novamente. No entanto, o que se destaca é que, finalmente Tyrion parece ter a oportunidade de contar sua engraçadíssima história envolvendo “um burro e um favo de mel que certa vez levei a um bordel".

 

Desde a primeira temporada, o Duende tenta, sem sucesso, contar a anedota – que ele alega ter vivido – sendo, no entanto, sempre interrompido. Desta vez, como Mão do Rei e condutor da reunião do Pequeno Conselho, parece que os presentes serão obrigados a ouvir até o final… infelizmente o episódio acaba antes que nós possamos ouvi-la.

 

Os membros remanescentes do Monty Python devem ter ficados orgulhosos.

 

O episódio final ainda tem outras referências e menções dignas de nota.

Quer saber todas elas?

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