Você talvez conheça George Takei pelo seu trabalho mais célebre: Star Trek. Ele interpretava o personagem Hikaru Sulu, tanto na série pra TV quanto nos longa metragens. Nessa HQ, ele encara a função de roteirista para contar parte de sua história em Eles nos Chamavam de Inimigo.

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Conheça Eles nos Chamavam de Inimigo de George Takei

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Antes de tudo, é preciso uma introdução histórica:

Na virada do século XIX para o século XX os EUA receberam milhares de imigrantes, buscando melhores condições de vida. Os japoneses fizeram parte desse grupo, ocupando majoritariamente a Costa Oeste e o Havaí. O movimento migratório japonês foi muito grande e, para se ter uma ideia, em 1910 eles eram mais de 70 mil pessoas.

Tal crescimento resultou numa onda de racismo contra os nipônicos. Ao longo dos anos 10 e 20, cria-se que os nipo-americanos não eram americanos de verdade, pois não pretendiam assimilar a cultura estadunidense.

Eles nos chamavam de inimigo

Em 7/12/1941 as forças japonesas, compostas por seis porta-aviões e mais de 400 navios, pegaram a frota norte-americana desprevenida, e o ataque à base americana de Pearl Harbor foi um verdadeiro massacre que resultou em mais de 2 mil mortos e em cinco encouraçados afundados e muitos outros danificados do lado norte-americano. Tal ataque fez os yankees entrarem de vez na segunda guerra.

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Conheça Eles nos Chamavam de Inimigo de George Takei 1

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No mesmo dia, o presidente vigente, Franklin Delano Roosevelt, assinou uma declaração em que, todo cidadão japonês adulto, nos EUA, passasse a ser “inimigo estrangeiro”.

Impulsionado por um histeria de guerra, o governo americano assinou a Ordem Executiva 9066, em 19/01/42, pouco mais de um mês após os ataques.

Mas, no que consistia tal “ordem”?

Ela simplesmente permitia a detenção de americanos de origem japonesa em campos de internamento (ou, concentração). Cabe ressaltar que não eram campos de trabalho forçado e extermínio como os dos nazistas… não vá confundir. Eles “apenas” ficavam presos.

E é nesse ponto que a história de George Takei se cruza com a história da guerra. Ele, juntamente com sua família, foi enviado para um dos campos de concentração espalhados pelos EUA. Assim como cerca de 120 mil nipo-americanos!

Eles nos chamavam de inimigo

Takei, com uma pegada bem autobiográfica, nos conta como foi passar parte da infância por trás das cercas de arame farpado; é um relato bem sincero, comovente e inocente de uma criança, que não tinha a menor ideia do que estava acontecendo.

A família Takei contava com 5 membros. Pai, mãe, George e mais dois irmãos mais novos. E uma das coisas mais bonitas dessa obra é ver a forma como os pais “protegiam” as crianças. É notável o esforço que eles colocavam para tentar preservar a infância dos filhos e afastá-los dos problemas maiores. Se você curtiu o clássico “A vida é bela” vai entender bem do que estou falando… é nessa linha.

O gibi ainda nos relata a relação que George tinha com seu pai e como as atitudes e ensinamentos dele ecoaram em sua vida.

Eles nos chamavam de inimigo

O roteiro, desenvolvido por Takei, Justin Eisinger e Steven Scott é muito bem amarrado, e passeia entre o presente e passado, por meio de recordatórios. Você sente a injustiça e se inflama ao notar o racismo impregnado! A cada informação apresentada, o desespero se torna maior.

O ponto baixo para mim foi a arte de Harmony Becker. Não que os desenhos sejam feios ou mal-feitos. Muito pelo contrário. Mas, a meu ver, esse roteiro pedia um desenho mais pesado, mais sujo e que contribuísse com o impacto do texto. É tudo muito limpinho, leve demais e por vezes sem alma.

Há diversos quadros em que a ilustradora resume um possível cenário em simples retículas, que, se fossem mais bem desenvolvidos, com certeza contribuiriam para uma melhor narrativa. Ela desenha no estilão mangá, mas a leitura é feita na orientação ocidental mesmo.

Essa obra não se prende apenas em ser um relato do passado, mas se preocupa em relembrar uma parte pouco falada da história americana. O “racismo legalizado” que os nipo-americanos sofreram foi enorme, e é importante que isso seja relembrado para que não se repita, independentemente da cor da pele.

Ela nos mostra o que um povo, movido por ódio e medo do seu semelhante, é capaz de fazer… mesmo que isso infrinja a constituição. É mais um capítulo negro na história da nação conhecida como a maior democracia do mundo livre.

Eles nos chamavam de inimigo foi ganhador do Prêmio Eisner de 2020, na categoria de “melhor obra baseada em fatos”. Publicada no Brasil pela editora Devir, a HQ conta com 208 páginas, impressas em papel pólen bold ao preço de capa de R$ 50,00.

Indico para quem curte ler biografias, histórias sobre a segunda guerra e assuntos tocantes.

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Eles nos chamavam de inimigo

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Créditos:
Texto: Kim Martins
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse

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