Todos Já Sabem é um filme do iraniano Asghar Farhadi que abriu o Festival de Cinema de Cannes em 2018.

Passado na Espanha e mencionando a Argentina, onde parte dos personagens vivem, o longa aborda uma realidade que está mais evidente em tempos de pandemia, reclusão física e fake news.

Em sua trama, Laura, personagem interpretada por Penelope Cruz, volta a sua cidade natal na Espanha para um casamento em sua família. Seu marido Alejandro, interpretado pelo excepcional Ricardo Darín, não acompanha sua esposa e filhos e permanece em Buenos Aires onde moram.

Na cidadezinha, próxima a Madri, Laura reencontra Paco, interpretado por Javier Bardem, um antigo namorado de quem toda a cidade parece não ter se esquecido.

Confrontada com seu passado, Laura é obrigada a enfrentar dificuldades quando as coisas se complicam durante a festa de casamento.

Falando assim, a premissa parece um tanto inocente e batida. No entanto, acredite: estou tentando evitar que você tenha spoilers da trama do filme que vai muito além da repetitiva “saga mediterrânea da mulher-que-reencontra-grande-amor e blablabla”.

Durante a festa de casamento surge um imprevisto que muda todo o rumo da narrativa e é esse fato imprevisto que provoca interações inusitadas, revelações inesperadas e confissões apaixonadas.

No entanto, Todos Já Sabem.

A trama é, propositalmente, óbvia até certo ponto. O espectador insiste em querer imaginar ou descobrir o que há de tão secreto e revelador nas relações entre os diversos personagens, mas isso é o de menos.

Toda a trama é elaborada em torno das relações entre as pessoas – do trio principal, da família, da cidade – e, embora o mistério em torno de um sequestro seja extremamente inquietante, a chave de leitura principal está no título do filme.

A crítica mais ácida e refinada que se pode encontrar em Todos Já Sabem é justamente a postura tradicional encontrada em cidadezinha do interior de qualquer país, especialmente os latinos: a “rádio-peão”, a conversa de muro, as namoradeiras de janela, as comadres de varanda…

A crítica à tradicional fofoca, que se antecipa a toda e qualquer notícia. É a mulher que é traída pelo marido e tenta esconder dos vizinhos – que já sabem tudo, mas fingem que a situação não é sabida para o “bem” da pobre corna.

Por fim, todos já sabem. A única que não sabe é aquela que tenta esconder um fato público e notório.

Caso você ainda precise de mais motivos para conferir este divertido e diferente filme, saiba que conta com astros latinos da maior qualidade: o trio principal, Penelope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín dão simplesmente um show de interação e dinâmica.

A atuação deles faz com que o triângulo amoroso seja tenso e imprevisível, extremamente crível e factível e deixa os espectadores ansiosos para descobrir como as coisas irão se resolver e assentar.

Além disso, a direção de Asghar Farhadi é interessante e valoriza muito as belas locações espanholas do longa.

Mais conhecido pelo premiado O Passado (Le Passé, 2013), Farhadi tem o dom de trazer familiaridade a esse tipo de narrativa íntima e ao mesmo tempo dar contornos – em momentos específicos – de filme de suspense ou ação para a trama.

Como mencionei em minha crítica desta obra – que pode ser conferida aqui – qualquer um que tenha vivido em uma cidade pequena, no interior de algum estado, ou mesmo que tenha uma família numerosa e próxima, conhece na pele a verdade explicitada pelo longa.

Seja qual for o assunto, especialmente aqueles que deveriam ser pessoais, particulares ou secretos, todos já sabem. Às vezes, com detalhes. E geralmente, só não o sabem os diretamente envolvidos.

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Javier Bardem e Penélope Cruz em poster do filme Todos Já Sabem de Ashgar Farhadi

 

Trailer:

 


Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista

Imagens: Reprodução

 

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