Ultimato do Bacon

David Boring (2000) – O Ultimato

Em 31 de Ago de 2022 3 minutos de leitura
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Conheça o romance gráfico de Daniel Clowes listado entre os dez melhores de todos os tempos pela Time: David Boring

David Boring (2000) é uma novela gráfica de Daniel Clowes – roteiro e arte – publicada no Brasil pela editora Nemo em 2019, com 144 páginas, capa cartonada, P&B.

Do mesmo criador dos clássicos Ghost World (1997) e Paciência (2016), a história é dividida em três atos: “O Raio Amarelo”, “Cais dos Hulligan” e “Crime e Judy”.

Clowes volta com seu traço limpo, arte agradável e personagens de psique bem aprofundadas, desta vez, em favor de uma ambientação misteriosa envolvendo fetiche, intrigas, assassinatos, obsessões e romance.

O quadrinho foi serializado originalmente nas edições #19, #20 e #21 da publicação independente Eightball, reunido em 2000 pela Pantheon Books. Em 2005, a revista Time elegeu David Boring entre as dez melhores obras de arte sequencial de todos os tempos.

Qual a trama de David Boring

O primeiro ato nos apresenta o protagonista, David, um vigia noturno de 19 anos morando com a amiga Dot Paar em um apartamento na cidade grande.

O ano é 1998 e a narrativa é em primeira pessoa. Por meio de seus relatos e pensamentos, bem como do “livro secreto” de recortes compilados na juventude, percebemos que Boring tem comportamento neurótico obsessivo. Segundo a amiga, ele consegue “descrever a aparência da bunda de uma mulher só de olhar pra cara dela…”

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Surgimento da icônica Wanda para David, amor à primeira vista

Boring cresceu na pequena Merryvale Township. Lá, tinha como amigo um “caipira metido a cosmopolita.” Whitey era enigmático, daqueles que contam histórias mirabolantes para justificar coisas provavelmente simples.

O pai do protagonista desenhava quadrinhos e sumiu cedo. Uma rara edição de “O Raio Amarelo” era dos poucos elos de Boring com seu genitor. A mãe, dominante e castradora, o proibia de ter e ler as publicações. No último ano do colégio, ele foi para uma escola de alunos “excepcionais”, onde conheceu Dot e falavam de seus interesses por garotas.

Já na metrópole, Whitey aparece meio que de surpresa, após mais de um ano sem conversarem. No happy hour de recepção, o amigo do interior sai com uma mulher do bar e, no dia seguinte, a polícia avisa David que ele morreu. É o acontecimento que se desdobrará em todas as tramas da HQ e, obviamente, Boring é um dos suspeitos.

No ônibus para o aeroporto, a caminho da cidade natal para o velório do amigo, o protagonista conhece Wanda Kraml, com os atributos de sua “mulher perfeita”. É paixão – ou obsessão – à primeira vista.

Ao menos para ele. Na volta, o vigia noturno a persegue e acaba forçando alguns encontros, até gerar um breve relacionamento. Ela termina com um telefonema e some de sua vida deixando uma lacuna. Boring toma um tiro na testa de um desconhecido.

O segundo ato mostra David, a mãe de difícil convívio, Dot e outros personagens no “Cais dos Hulligan”, ilha comprada por seu bisavô. Um tempo após a chegada, o tio August aparece no local fugindo de uma guerra biológica que está acontecendo no continente.

Isolados, o comportamento humano gera tensões e desaparecimentos acontecem, em cenários dignos de Alfred Hitchcock. O último ato tem Boring recorrendo à ajuda de outro ex de Wanda para encontrá-la.

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O Cais dos Hulligan, isolado, é palco de intrigas e desaparecimentos na HQ

Os motivos que levaram Wanda a se relacionar e a desaparecer da vida de Boring, qual a realidade sobre o passado de seu pai, quem é o responsável pelos desaparecimentos no Cais dos Hulligam e como Boring se resolverá após tantas perdas estranhas – e com sua fixação – serão questões trabalhadas na HQ.

Vale a pena ler?

Os três atos de David Boring misturam elementos de suspense, drama e romance. Boa parte dos personagens tem caráter misterioso, o que é um dos grandes acertos de Daniel Clowes, prendendo a leitura.

Alguns quadros coloridos de “O Raio Amarelo” surgem, metaliguisticamente, no meio dos quadros de David Boring. Soa como uma homenagem aos quadrinhos de super-heróis, embora os ângulos e sombras utilizados por Clowes na maior parte do tempo pareçam muito influenciados pela sétima arte – da qual Dave e Dot são amantes –, sobretudo noir.

Essas características, junto da mistura indefinida de gêneros, nos dão impressões semelhante as que temos com obras do cinema pós-moderno.

Apesar de a obsessão de Boring, o autor consegue tratar de questões eróticas sem em nenhum momento soar vulgar. Além disso, acontecimentos aparentemente despropositais acabam sempre tendo um significado ou dando dicas de algo importante que irá acontecer na trama. Então, uma boa dica para a leitura é se ater aos detalhes.

David Boring nos apresenta um protagonista apático por fora. Por dentro, está um turbilhão. Diferente de Ghost World, bem fincado na realidade, o quadrinho tem sequencias nosense. Não é um surrealismo exagerado, porém. Há, ainda, viradas interessantes e inesperadas, mantendo o clima soturno e de solitude. Vale a leitura.

Gostou do texto? Leia outros Ultimatos do David Horeglad (HQ Ano 1) para o UB!

GHOST WORLD (1997) – O ULTIMATO

O BULEVAR DOS SONHOS PARTIDOS (2017) – O ULTIMATO

SONHONAUTA (2022) – O ULTIMATO

Avaliação: Bom!

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Créditos:
Texto: David Horeglad – @hq_ano1
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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