Ultimato do Bacon

Conheça 05 HQs com Robert Johnson nos quadrinhos

Em 28 de Jun de 2022 6 minutos de leitura
Robert Johnson nos quadrinhos capa

Robert Johnson foi o músico de blues que inaugurou o Clube dos 27

Índice

Robert Johnson nos quadrinhos – introdução

Robert Johnson (1911 – 1938) é um dos mais influentes músicos de blues da história mundial. Sua forma de tocar e suas composições inspiraram outros músicos como Keith Richards dos Rolling Stones, Eric Clapton e Jimmy Page do Led Zeppelin.

Além de sua indubitável qualidade musical, outro fato que aumenta a notoriedade do “rei dos cantores de blues do Delta do Mississippi” são as lendas acerca de sua vida.

Com muitos fatos e documentos perdidos, até mesmo seu túmulo verdadeiro é colocado em dúvida, havendo 3 locais onde supostamente o músico está enterrado.

Diz a lenda que o músico aprendeu a tocar violão após realizar um pacto com o demônio em uma encruzilhada; que morreu envenenado após tomar whisky de uma garrafa deslacrada; que teve várias mulheres; e que, de todas as suas composições, uma delas, a trigésima, permanece até hoje inédita e perdida.

Com essas e outras lendas e boatos ao redor de sua figura, era óbvio que muitos autores se inspirariam para colocar Robert Johson em quadrinhos.

Curiosidade… Johnson morreu em 1938, meses depois da estreia de Superman nos quadrinhos.

Vamos listar aqui 05 das HQs que mencionam o músico, vamos lá?

Robert Johnson nos quadrinhosAmor em 12 compassos de Isaque Sagara

AMOR EM 12 COMPASSOS Robert Johnson

Robert Johnson se despede do amor de sua vida em Amor em 12 compassos.

Apesar de já existirem diversas HQs falando sobre o músico, a Ultimato do Bacon Editora não pode recusar esta versão de Robert Johnson nos quadrinhos.

Isaque Sagara, autor de Tecnodreams, teve a ideia para sua HQ – ainda chamada Robert Johnson: o demônio do Mississipi – em 2019, quando participou do projeto Narrativas Periféricas, da Mino. A editora, porém, sugeriu que Isaque buscasse outro tema para sua HQ, já que eles haviam lançado O diabo e eu de Alcimar Frazão havia pouco tempo.

Então, no início de 2022, o autor apresentou uma nova versão, em que, mais que o pacto com o demônio, o sucesso, a bebida, as lendas e a parte misteriosa da vida de Johnson, a trama reflete uma narrativa de busca por amor e redenção.

Em pré-venda no Catarse, a HQ ainda conta com uma playlist exclusiva, referenciando as músicas citadas nas páginas, seja diretamente, seja através de pequenos easter eggs gráficos. A HQ tem 52 páginas em couché fosco e é colorida em tons de azul e sépia, contrastando emoções e cenários de uma maneira extremamente simbólica.

Robert Johnson nos quadrinhosO diabo e eu de Alcimar Frazão

O DIABO E EU Robert Johnson

Johnson vê o diabo na figura de seu padrasto em O diabo e eu.

Como já citamos acima, a editora Mino lançou em 2016 o álbum O diabo e eu, de Alcimar Frazão, também interpretando a vida de Robert Johnson nos quadrinhos.

Com 64 páginas em pólen bold, capa em papel kraft de alta gramatura e hot stamping dourado, o álbum é realmente muito bonito e bem executado. A escolha do papel faz com que o desenho em alto contraste de Frazão se destaque nas páginas, e a aspereza combina com o estilo do traço.

Um detalhe bastante cativante da narrativa é que ela não apresenta nenhuma fala, diálogo, onomatopeia ou recordatório, sendo transmitida totalmente em suas imagens. Aqui, a dinâmica é focada entre o jovem Robert Johnson e seu padrasto, de maneira muito diferente das outras HQs.

Um detalhe que aumenta ainda mais a qualidade da edição é a presença de treze histórias de uma página – no lugar de simples pin-ups – escritas e desenhadas por Lourenço Mutarelli, Bruno Seelig, Arthur Daraujo, Marcelo Costa, Fabio Cobiaco, Pedro Cobiaco, Dalton Cara, Diego Sanchez, Magenta King, Magno Costa, João Azeitona, Shiko e Wagner William.

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Robert Johnson nos quadrinhosO cão da encruzilhada de Estevão Ribeiro, Rob Saint, Sandro Zambi e Ítalo Silva

O CAO DA ENCRUZILHADA Robert Johnson

O demônio coloca uma corda extra no violão de Johnson em O cão da encruzilhada.

A produção nacional é bastante rica em representar Robert Johnson nos quadrinhos. Esta produção da Skript veio de um desejo dos editores Douglas Freitas e Diego Moreau em retratar o rei do blues. O nome de Estevão Ribeiro para o roteiro de O cão da encruzilhada veio por indicação de ninguém menos que Jefferson Costa e Rafael Calça. E o resultado não decepciona.

Ilustrado por Rob Saint e arte-finalizado e colorido por Sandro Zambi e Ítalo Silva, a HQ tem uma pegada bastante diferente das demais que têm um tom mais sério e realista.

Aqui, a narrativa toma contornos de aventura e o traço de Saint, que lembra o estilo dos mangás shonen, reforça a ideia de que veremos um combate entre as forças do bem e do mal.

Na narrativa, acompanhamos os momentos finais de Robert após ser envenenado pelo whisky da garrafa violada e, em retrospectiva, outros momentos lendários da vida do músico.

Maior destaque ainda vai para o formato escolhido pela Skript para a publicação: miolo em couché brilhante, valorizando os desenhos; capa em couché de alta gramatura com reserva de verniz, imitando um “bolachão” – o apelido que era dado aos discos de vinil; e luva em papel cartão, imitando a capa dos discos, com arte maravihosa de Igum D’jorge. Esta é uma daquelas edições que, para colecionadores, vale nem que seja só pelo design e projeto gráfico.

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Robert Johnson nos quadrinhosBlues de Robert Crumb

BLUES Robert Johnson

Robert Crumb ilustração Johnson para a capa de 78 Quaterly, de 1988 na edição de Blues.

Robert Crumb é um dos mestres do comix americano. Sim, com “x”, em função da revista idealizada pelo autor, Zap Comix. Para que o leitor não familiarizado com Crumb possa ter ideia… para este estilo de quadrinho, estamos falando de alguém do tamanho de Robert Johnson para o blues.

A HQ Blues (Robert Crumb draws the blues, no original), publicada no Brasil pela Conrad em 2004, tendo já diversas novas edições, tanto em capa dura como capa cartão, é um compilado de histórias envolvendo o estilo musical em questão.

Não se trata de uma obra que retrate Robert Johnson nos quadrinhos por si só e sim os “dois centavos” de opinião de Robert Crumb sobre o estilo musical como um todo, em releituras de capas dos discos, HQs de algumas páginas e a HQ Patton, que narra em 10 páginas a vida de Charley Patton, um dos pais do blues.

É nesta HQ que Robert Johnson aparece em uma das páginas, como que em uma participação especial, ainda iniciante, para retornar um ano depois com um estilo próprio.

Para além dela, Johnson aparece numa ilustração de Crumb para a 78 Quaterly, de 1988 e nada mais.

No entanto, aos amantes do gênero – ou do mestre Crumb –, Blues segue como uma obra imprescindível, dada a variação de estilo narrativo, traço e a visão do autor não só sobre música como sobre a história dos Estados Unidos, ainda que mencione pouco o rei Robert Johnson.

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Robert Johnson nos quadrinhosOs Homens do Blues/A canção da paz de La Neve, Santarelli, Leoni e Cardinale

OS HOMENS DO BLUES Robert Johnson

A relação entre paz e ódio, criação e destruição através da música em Martin Mystère.

Para finalizar nossa lista, não poderíamos deixar de fora a versão de Robert Johnson nos quadrinhos da Sergio Bonelli Editore: Os Homens do Blues/A canção da paz.

Publicada originalmente em duas partes na revista Martin Mystère #261 e 262, em 2003 e 2004, saiu no Brasil em Os Grandes Enigmas de Martin Mystère – O Detetive do Impossível  #16 e 17 pela Mythos Editora em 2020.

Com roteiro de Michelangelo La Neve e Stefano Santarelli e desenhos de Lucio Leoni e Roberto Cardinale, a história começa com um prólogo na África, onde tribos de diferentes etnias se enfrentam em um banho de sangue, até que um conselho de anciãos, inspirada por uma canção de ninar, se utilizam deste meio para interromper as batalhas e promover a paz.

Nos tempos atuais, um braço da Ku Klux Klan caça antigos músicos de blues e seus instrumentos enquanto, coincidentemente, Martin Mystère fala de Robert Johnson em seu programa de tv.

A ligação de Big Bill Flower, último bluesman vivo, para Martin, dizendo ter informações sobre a música perdida de Johnson, colocam o arqueólogo e seu fiel companheiro Java em viagem para o Mississippi.

Mais uma história que, a princípio, envolve pouco a história real de Robert Johnson, tratando muito mais da mitologia do ícone e seu legado, bem como trata-o mais como um verdadeiro personagem de quadrinhos e menos como uma figura real. A qualidade de escrita dos italianos é simplesmente impressionante e o desenho – típico das publicações Bonelli – é deslumbrante.

Com cerca de 100 páginas em preto e branco em cada edição, no formato italiano, a leitura é envolvente e carrega o leitor por um mundo de música, harmonia e paz, com ação para nenhum fã de super-heróis botar defeito.

Se você gostou de nossa lista e é fã de música, confira também a lista de Hqs e Rock’n’Roll. Não deixe também de conferir a pré-venda de Amor em 12 compassos clicando aqui.


Créditos:
Texto: Alexandre Baptista 
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse

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