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Capitão América: Sam Wilson vol. 2 por Nick Spencer – O Ultimato

Em 24 de Nov de 2023 4 minutos de leitura

Conheça o arco que colocou o Sentinela da Liberdade na política norte-americana em Capitão América: Sam Wilson vol. 2 por Nick Spencer

Capitão América: Sam Wilson Vol. 2 segue com as histórias do Sentinela da Liberdade após o antigo Falcão assumir o manto. O encadernado saiu pela Panini em capa dura, 140 páginas, em agosto de 2022. Nele, temos o arco Não é o meu Capitão América, publicado originalmente nas revistas Captain America: Sam Wilson (2015) de #1 a #6.

A equipe criativa mudou. Nos roteiros Nick Spencer. A arte é dividida entre o espanhol Daniel Acuña e o sul-coreano Mike Choi nos três primeiros capítulos, o francês Paul Renaud nos dois seguintes, e o brasileiro Joe Bennett (O Imortal Hulk) no último. As cores são do filipino Romulo Fajardo Jr.

Qual a tramade Capitão América: Sam Wilson vol. 2 por Nick Spencer

De início, percebemos que o Capitão América rompeu com a SHIELD e com o governo dos EUA, em um movimento que nos lembra razoavelmente o da fase Guerra Civil (2006). Wilson, porém, permanece um cidadão livre. Na verdade, um dos principais motivos para a independência dele como herói é poder se posicionar politicamente.

De onde esse Capitão América vem, não é possível fechar os olhos para as divisões sociais de um país que se tornou, nas palavras dele, “uma máquina ruidosa cuspindo intolerância e medo, naufragando o bom senso”.

A HQ começa com os reflexos de Sammy abandonar a SHIELD para ter liberdade política

Gera consequências. As duas principais são a divisão da opinião pública e a falta de orçamento e tecnologia que tinha na agência secreta. A equipe de Wilson, agora, conta com Misty Knight, Asa Vermelha e Dennis Dunphy, o Demolição, responsável pelo maquinário e apoio.

E nesse contexto, a trama em si. Wilson recebe o pedido de socorro de uma senhora que teve o neto desaparecido. Joaquin Torres é um samaritano que leva água, remédios e comida para os imigrantes ilegais que tentam atravessar o deserto do México para os EUA. De acordo com ela, um grupo chamado Filhos da Serpente está sumindo com dezenas de pessoas na região.

Ao investigar, o Capitão América descobre que há algo maior acontecendo. O cientista Dr. Karl Malus está fazendo experimentos de hibridização humana-animal com os imigrantes, a mando da nova Sociedade da Serpente que, ainda por cima, com a liderança de Jordan Stryke, leva a quadrilha a Wall Street – ops, não é um déjà vu, estamos lembrando de Aleksander Lukin –.

Agora com o nome Soluções Serpente, os vilões tentarão lucrar, a partir dos experimentos de Malus, com os mercados da beleza, farmácia, esportes e biotecnologia militar. Sam Wilson precisará encontrar formas de financiamento e, com a ajuda de Misty e Dunphy, salvar Torres e os outros imigrantes sequestrados, além de pôr um fim nos planos de Jordan Stryke.

Temos a volta do Capitão Lobisomem. E Misty fará muitas piadas com isso

Nesse meio de caminho, teremos a volta do Capitão Lobisomem – leia a incrível e estapafúrdia sequência de Captain América (1959) #402 à #407 –; o surgimento do Sussurrante, hacker que terá grande importância nas histórias dos Vingadores; a volta de Rachel Leighton, ex-vilã Cascavel, que teve um caso de amor com Steve Rogers no passado; e a história de origem do novo Falcão. Tudo sem bagunçar o roteiro. Na verdade, se encaixando muito bem.

Vale a pena ler?

Enquanto Rick Remender preparou as coisas para o surgimento do Capitão América Sam Wilson, é Nick Spencer que acerta o tom. Neste primeiro arco, Não é o meu Capitão América, o título já mostra que o autor tocará em assuntos políticos – com muito mais habilidade que Remender –. A frase é utilizada nos quadrinhos por cidadãos de bem na melhor idade que não aceitam um negro como Sentinela da Liberdade, ainda mais com o discurso afiado.

A leitura nos faz traçar alguns paralelos com a run de Ed Brubaker, o que parece proposital, porque Spencer faz questão de mostrar as diferenças entre os Capitães América nas mesmas situações. O principal exemplo é que, enquanto Steve Rogers acredita na justiça, Sam Wilson espera que ela ocorra, mas não é tão crente. Enquanto um é o exemplo do ideal norte-americano, o outro é o exemplo do real.

Wilson faz até aqueles que sofrem nas mãos do governo dos EUA se sentirem representados. Nesse ponto, a escolha dos imigrantes ilegais foi providencial. E é por isso que Wilson precisa assumir posições publicamente.

Nick Spencer introduz o novo Falcão, um samaritano que ajuda imigrantes ilegais

A crítica da HQ vai ainda mais longe. Spencer estabelece diversas referências a acontecimentos da época. Apenas para contextualizar, a história foi publicada nos meses que antecederam a eleição de Donald Trump à presidência dos EUA, derrotando a democrata Hillary Clinton. O período foi marcado por extremismos no discurso e temas como a imigração e o ultranacionalismo voltaram a ganhar terreno. Nada tão distante de hoje.

Outros paralelos são fáceis de detectar. O analista de sistemas Edward Snowden pode ser visto no Sussurro e os escândalos do Pentágono são parelhos aos da SHIELD. Sem falar dos casos de ganância e inescrupulosidade cometidos por agentes da Nyse. Alguns fechariam acordos secretos facilmente com a Soluções Serpente.

Em Capitão América: Sam Wilson Vol. 2, a forma de narrativa é incrível. Spencer não utiliza a ordem cronológica padrão, mas linhas temporais simultâneas, não entregando todas as informações de uma vez – no melhor estilo Tarantino –. Os diálogos são interessantes e a curiosidade do leitor vai às alturas.

Outro ponto positivo é o senso de humor do roteirista, que sabe quando precisa ou não se levar a sério. Desde o humor escrachado, como em ver Sam Wilson uivando para a lua e revirando lixos, até as piadas ácidas em tom de deboche, mais políticas. Colocar tudo isso em 140 páginas com dinamismo e coesão é para poucos.

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Avaliação: Ótimo!

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Créditos:
Texto: David Horeglad – @hq_ano1
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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