Batman
Ano: 1989 Distribuição: Warner Bros.
Estreia: 19 de Junho

Direção: Tim Burton

Roteiro: Sam Hamm (história); Sam Hamm e Warren Skaaren (roteiro); Batman criado por Bob Kane

Duração: 126 Minutos  

Elenco: Michael Keaton, Kim Basinger, Jack Nicholson, Robert Whul, Billy Dee Williams, Jack Palance, Michael Gough

Sinopse: “Após testemunhar a morte brutal de seus pais quando criança, o milionário filantropo Bruce Wayne luta contra o crime na cidade de Gotham disfarçado do herói Batman, que coloca medo nos corações dos vilões. Mas quando um louco e deformado que se autointitula Coringa começa a controlar o submundo do crime em Gotham, Batman precisa encarar seu mais perverso inimigo para proteger sua identidade e a mulher que ama, a repórter Vicki Vale.”

 

Batman - O Ultimato Retrô 1

 

 

Alexandre Baptista

Completando 30 anos em 2019, Batman de Tim Burton segue sendo uma excepcional adaptação do Homem-Morcego às telas do cinema

Cópia restaurada apresentada pela Rede Cinemark no aniversário de 80 anos do herói no último 30 de março deixou claro que o filme, salvo em alguns efeitos, envelheceu bem e ainda funciona

por Alexandre Baptista

Batman - O Ultimato Retrô 2

 

O Ultimato Retrô de hoje não poderia ser outro. Afinal, o último dia 30 de março marcou os 80 anos da chegada às bancas norte-americanas de Detective Comics #27, estreia do Homem-Morcego nos quadrinhos. Neste mesmo dia, a Rede Cinemark abriu uma sessão para a cópia restaurada de Batman (Batman, 1989) em diversas salas. O filme, completa 30 anos em 23 de Junho, data de sua estreia nos EUA.

O longa figura entre um dos primeiros que assisti nos cinemas; foi sem dúvida o primeiro que assisti sozinho, na companhia de um amigo e sua irmã, e numa sessão noturna, no saudoso Cine Windsor em Campinas.

Antes de falar do filme em si, devo lembrar a todos que, ao grande público, a imagem do Cruzado Encapuzado (que acabara de passar por uma reformulação pesada nos quadrinhos, nas mãos de Frank Miller) ainda não era a de um vigilante perigoso, vingativo e sombrio e sim, a do fanfarrão pançudinho que atendia à polícia de Gotham através de um telefone vermelho em sua mansão, legado da série clássica de 1966 com Adam West no papel principal.

O longa segue tendo uma abertura clássica e grandiosa ainda hoje, assinatura registrada de Tim Burton em muitos filmes como Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001); Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, 1988), entre outros: um close em alguma estrutura, detalhe ou local que se revela completamente ao final do Main Theme de Danny Elfman. Em Batman, é o símbolo do morcego.

A trilha sonora de Danny Elfman é impecável e, logo de cara, já coloca o espectador no clima do filme. Atualmente, ela empolga ainda mais, evocando também os temas de Batman: A Série Animada (Batman: The Animated Series, 1992-1995) e The Flash (1990-1991) e sua adequação ao filme é perfeita. Notem a variação de estilo dentro do mesmo tema sonoro nas cenas românticas entre Bruce Wayne e Vicky Vale, por exemplo, em que o tema principal se altera ligeiramente e é executado apenas por um piano. Sutil e elegante.

A direção de Tim Burton é interessante e acerta muito, dando um aspecto gótico ao personagem e uma ligeira estranheza ao relaciona-lo com a realidade, numa estilização comparável ao traço que Kelley Jones aplicava nos quadrinhos – um tanto cartunesco, um tanto exagerado, mas ainda assim sombrio e interessante (ao contrário do tropeço de Batman & Robin [1997] de Joel Schumacher).

O diretor sabe o timing perfeito para a comédia, o drama e a aventura; estabelece de forma concisa e singela a relação familiar entre Alfred e Bruce; a contraposição entre Jack Napier/Coringa (Jack Nicholson) e Bruce Wayne/Batman (Michael Keaton) e deixa claro que a produção é um filme autoral seu, algo difícil de se conseguir em um universo de filmes de super-heróis.

Outro grande mérito do longa é a inversão de partida da história. Antes de Batman, o filme de super-heróis que havia mostrado uma origem havia sido o clássico Superman, O Filme (Superman, The Movie, 1978), que mostrava a história do pequeno Kal-El desde o começo, ainda bebê, em Krypton.

Burton abre seu filme com uma cena que lembra muito o assassinato dos Wayne no Beco do Crime e, subvertendo a expectativa do público, insere o Batman punindo os vilões e já estabelecido em atividade. Aqui, não há jornada do herói e talvez seja isso o que faz o filme funcionar até hoje: seu roteiro é uma introdução do justiceiro de Gotham ao público; porém trata da “origem” do personagem de maneira superficial, destacando muito mais o vilão principal e seu arco de ascensão e queda: Batman de Tim Burton é, essencialmente, um filme do Coringa.

E que Coringa! Jack Nicholson, apesar do elenco todo ser bastante competente, rouba totalmente a cena e, se Heath Ledger fez o que fez em Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), o caminho havia sido amaciado e sedimentado por Jack quase 20 anos antes. Notem especialmente a cena em que o Coringa conversa com o esqueleto de um dos gângsters de Carl Grissom (Jack Palance): talento, técnica e improviso.

Isso sem mencionar que a história de origem de Jack Napier, gângster impiedoso que valoriza somente sua própria beleza e poder dentro da máfia que fica louco ao ser traído por seu chefe, cair em um tanque de ácido e ficar deformado para sempre, já vale por si só uma matéria.

Também é impossível não lembrar do Alfred de Michael Gough, o único a se manter ao longo dos quatro filmes daquela época. O Bruce Wayne de Michael Keaton é talvez um dos melhores do cinema, agindo como um playboy magnata em sua festa de arrecadação de fundos, sem grandes demonstrações de preocupação com a cidade, sua empresa etc.

Nota especial para Harvey Dent, ainda como procurador e sem a queimadura de ácido no rosto, interpretado por Billy Dee Williams e pensado como um possível Duas Caras no terceiro capítulo: o destaque dado ao personagem funciona muito bem e é uma pena que Batman: Arkham nunca tenha existido e Robin Williams nunca tenha feito o Charada.

Voltando ao longa original, numa época pré-CGI, Tim Burton usou de animações para realizar certas cenas (técnica já usada para o vôo do Superman, por exemplo, desde 1958); maquetes e truques de câmera, composição de cenários feitos com pinturas, entre outros técnicas usadas pela primeira vez em Metropolis (1927) de Fritz Lang e que, com alguma boa vontade, ainda funcionaria hoje em dia. É um pequeno detalhe que, aos haters de plantão, certamente incomodará, pois não apresenta o hiperrealismo da computação gráfica.

Sobre a trilha musical, as composições de Prince… digamos somente que Batdance combina mais com o bat-cartão de crédito de 1997 e deixemos o resto de lado.

Batdance: Prince, ainda na pegada do seriado de 67, confunde o Coringa com o Duas Caras.

 

Em 1989, Batman foi uma febre: desbancou a bilheteria, teve álbum de figurinhas, camiseta, boné, quadrinhos oficiais do filme e trilha sonora em “disco, fita e compact disc”.

Trinta anos depois, segue sendo um dos favoritos por aqui.

 

Batman - O Ultimato Retrô 3

Adaptação oficial do filme, que era baseado em quadrinhos, em quadrinhos. Será que vão fazer um filme sobre esses quadrinhos?

 

“O que é você?”
“Eu sou Batman”

 

 

Batman - O Ultimato Retrô 4

Avaliação: Excelente!

 

 

 

Sugestão de Leitura:

 

Batman - O Ultimato Retrô 5

 

Batman - O Ultimato Retrô 6

 

Trailer

 

 

 

 
 

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