Ultimato do Bacon

Batman – O Ultimato Retrô

Em 4 de Abr de 2019 5 minutos de leitura
Batman
Ano: 1989 Distribuição: Warner Bros.
Estreia: 19 de Junho

Direção: Tim Burton

Roteiro: Sam Hamm (história); Sam Hamm e Warren Skaaren (roteiro); Batman criado por Bob Kane

Duração: 126 Minutos  

Elenco: Michael Keaton, Kim Basinger, Jack Nicholson, Robert Whul, Billy Dee Williams, Jack Palance, Michael Gough

Sinopse: “Após testemunhar a morte brutal de seus pais quando criança, o milionário filantropo Bruce Wayne luta contra o crime na cidade de Gotham disfarçado do herói Batman, que coloca medo nos corações dos vilões. Mas quando um louco e deformado que se autointitula Coringa começa a controlar o submundo do crime em Gotham, Batman precisa encarar seu mais perverso inimigo para proteger sua identidade e a mulher que ama, a repórter Vicki Vale.”

 

 

 

[tabby title=”Alexandre Baptista”]

Completando 30 anos em 2019, Batman de Tim Burton segue sendo uma excepcional adaptação do Homem-Morcego às telas do cinema

Cópia restaurada apresentada pela Rede Cinemark no aniversário de 80 anos do herói no último 30 de março deixou claro que o filme, salvo em alguns efeitos, envelheceu bem e ainda funciona

por Alexandre Baptista

 

O Ultimato Retrô de hoje não poderia ser outro. Afinal, o último dia 30 de março marcou os 80 anos da chegada às bancas norte-americanas de Detective Comics #27, estreia do Homem-Morcego nos quadrinhos. Neste mesmo dia, a Rede Cinemark abriu uma sessão para a cópia restaurada de Batman (Batman, 1989) em diversas salas. O filme, completa 30 anos em 23 de Junho, data de sua estreia nos EUA.

O longa figura entre um dos primeiros que assisti nos cinemas; foi sem dúvida o primeiro que assisti sozinho, na companhia de um amigo e sua irmã, e numa sessão noturna, no saudoso Cine Windsor em Campinas.

Antes de falar do filme em si, devo lembrar a todos que, ao grande público, a imagem do Cruzado Encapuzado (que acabara de passar por uma reformulação pesada nos quadrinhos, nas mãos de Frank Miller) ainda não era a de um vigilante perigoso, vingativo e sombrio e sim, a do fanfarrão pançudinho que atendia à polícia de Gotham através de um telefone vermelho em sua mansão, legado da série clássica de 1966 com Adam West no papel principal.

O longa segue tendo uma abertura clássica e grandiosa ainda hoje, assinatura registrada de Tim Burton em muitos filmes como Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001); Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, 1988), entre outros: um close em alguma estrutura, detalhe ou local que se revela completamente ao final do Main Theme de Danny Elfman. Em Batman, é o símbolo do morcego.

A trilha sonora de Danny Elfman é impecável e, logo de cara, já coloca o espectador no clima do filme. Atualmente, ela empolga ainda mais, evocando também os temas de Batman: A Série Animada (Batman: The Animated Series, 1992-1995) e The Flash (1990-1991) e sua adequação ao filme é perfeita. Notem a variação de estilo dentro do mesmo tema sonoro nas cenas românticas entre Bruce Wayne e Vicky Vale, por exemplo, em que o tema principal se altera ligeiramente e é executado apenas por um piano. Sutil e elegante.

A direção de Tim Burton é interessante e acerta muito, dando um aspecto gótico ao personagem e uma ligeira estranheza ao relaciona-lo com a realidade, numa estilização comparável ao traço que Kelley Jones aplicava nos quadrinhos – um tanto cartunesco, um tanto exagerado, mas ainda assim sombrio e interessante (ao contrário do tropeço de Batman & Robin [1997] de Joel Schumacher).

O diretor sabe o timing perfeito para a comédia, o drama e a aventura; estabelece de forma concisa e singela a relação familiar entre Alfred e Bruce; a contraposição entre Jack Napier/Coringa (Jack Nicholson) e Bruce Wayne/Batman (Michael Keaton) e deixa claro que a produção é um filme autoral seu, algo difícil de se conseguir em um universo de filmes de super-heróis.

Outro grande mérito do longa é a inversão de partida da história. Antes de Batman, o filme de super-heróis que havia mostrado uma origem havia sido o clássico Superman, O Filme (Superman, The Movie, 1978), que mostrava a história do pequeno Kal-El desde o começo, ainda bebê, em Krypton.

Burton abre seu filme com uma cena que lembra muito o assassinato dos Wayne no Beco do Crime e, subvertendo a expectativa do público, insere o Batman punindo os vilões e já estabelecido em atividade. Aqui, não há jornada do herói e talvez seja isso o que faz o filme funcionar até hoje: seu roteiro é uma introdução do justiceiro de Gotham ao público; porém trata da “origem” do personagem de maneira superficial, destacando muito mais o vilão principal e seu arco de ascensão e queda: Batman de Tim Burton é, essencialmente, um filme do Coringa.

E que Coringa! Jack Nicholson, apesar do elenco todo ser bastante competente, rouba totalmente a cena e, se Heath Ledger fez o que fez em Batman: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), o caminho havia sido amaciado e sedimentado por Jack quase 20 anos antes. Notem especialmente a cena em que o Coringa conversa com o esqueleto de um dos gângsters de Carl Grissom (Jack Palance): talento, técnica e improviso.

Isso sem mencionar que a história de origem de Jack Napier, gângster impiedoso que valoriza somente sua própria beleza e poder dentro da máfia que fica louco ao ser traído por seu chefe, cair em um tanque de ácido e ficar deformado para sempre, já vale por si só uma matéria.

Também é impossível não lembrar do Alfred de Michael Gough, o único a se manter ao longo dos quatro filmes daquela época. O Bruce Wayne de Michael Keaton é talvez um dos melhores do cinema, agindo como um playboy magnata em sua festa de arrecadação de fundos, sem grandes demonstrações de preocupação com a cidade, sua empresa etc.

Nota especial para Harvey Dent, ainda como procurador e sem a queimadura de ácido no rosto, interpretado por Billy Dee Williams e pensado como um possível Duas Caras no terceiro capítulo: o destaque dado ao personagem funciona muito bem e é uma pena que Batman: Arkham nunca tenha existido e Robin Williams nunca tenha feito o Charada.

Voltando ao longa original, numa época pré-CGI, Tim Burton usou de animações para realizar certas cenas (técnica já usada para o vôo do Superman, por exemplo, desde 1958); maquetes e truques de câmera, composição de cenários feitos com pinturas, entre outros técnicas usadas pela primeira vez em Metropolis (1927) de Fritz Lang e que, com alguma boa vontade, ainda funcionaria hoje em dia. É um pequeno detalhe que, aos haters de plantão, certamente incomodará, pois não apresenta o hiperrealismo da computação gráfica.

Sobre a trilha musical, as composições de Prince… digamos somente que Batdance combina mais com o bat-cartão de crédito de 1997 e deixemos o resto de lado.


Batdance: Prince, ainda na pegada do seriado de 67, confunde o Coringa com o Duas Caras.

 

Em 1989, Batman foi uma febre: desbancou a bilheteria, teve álbum de figurinhas, camiseta, boné, quadrinhos oficiais do filme e trilha sonora em “disco, fita e compact disc”.

Trinta anos depois, segue sendo um dos favoritos por aqui.

 

Adaptação oficial do filme, que era baseado em quadrinhos, em quadrinhos. Será que vão fazer um filme sobre esses quadrinhos?

 

“O que é você?”
“Eu sou Batman”

 

 

Avaliação: Excelente!

 

 

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