Amnésia de Christopher Nolan é o segundo longa do prolífico diretor que arrasta uma legião de fãs desde colocou a mão no universo do Batman e o transformou em algo mais sombrio e realista.

Antes dele, Nolan havia dirigido 3 curtas-metragem e Seguinte (Following, 1998), um bom filme britânico, mais independente, que não alçou um vôo mundial.

Amnésia de Christopher Nolan (Memento, 2000) não deve ser confundido com o filme Amnésia (Amnesiac, 2014) de Michael Polish, com Kate Bosworth que está na Netflix. Nem com a série policial de dois episódios, Amnésia (Amnesia, 2004) com John Hannah, também no Prime Video.

Amnésia de Christopher Nolan conta com Guy Pearce no papel principal de Leonard, um homem com perda de memória recente – sim, estilo a Dory da franquia Procurando Nemo – e que tenta encontrar o assassino de sua esposa. Joe Pantoliano, o Cypher de Matrix (1999), faz um personagem que vai sendo revelado aos poucos no longa – seria ele um aliado ou vilão?

Carrie-Anne Moss, a eterna Trinity também da franquia Matrix, interpreta Natalie, uma garota que desperta algum interesse em Leonard e que tem uma história sofrida também.

Mas pode ser que não seja nada disso.

Amnésia de Christopher Nolan – o grande diferencial

Na época em que estreou, o filme causou grande alarde e balbúrdia em torno da forma como os eventos são narrados. Para simular o estado de perda de memória recente de Leonard, Nolan apresenta as cenas em intervalos e, quando ocorre seu corte ou fim, vemos a cena imediatamente anterior àquela. Confuso? Pra facilitar, basta dizer que o filme é contado de trás pra frente.

É claro, temos algumas cenas em preto e branco no meio, que são sequenciais, pra facilitar um pouco a narrativa. Nelas, Leonard, ao telefone com alguém que não sabemos quem é, narra sua condição e outros detalhes da trama que ficariam jogados demais, sem explicações, se fossem de trás pra frente.

Com essas informações, resta dizer que o filme começa com a morte de Teddy (Pantoliano) pelas mão de Leonard. E vamos retrocedendo cada vez mais nos eventos até descobrir o que leva o protagonista a matar um cara que parece estar somente o ajudando.

Na edição em DVD da época, era possível assistir ao filme na ordem “certa”. O que tirava todo o encanto do longa, mostrando que o grande mérito da narrativa era realmente colocar o espectador na posição de não saber realmente o que veio antes.

Basicamente, o que Nolan faz em Amnésia é providenciar, a cada 5 ou 10 minutos, um deus ex machina que subverte a cena anterior. Mais do que a história em si, o interessante a ser observado neste filme é a declaração de como um filme, livro, notícia ou qualquer produto em geral, pode direcionar o olhar do espectador ou consumidor, da forma como quiser.

Se em uma cena vemos Leonard confraternizando afetuosamente com um dos personagens, na cena seguinte – que seria a anterior – temos esse personagem xingando e maltratando Leonard, pelo simples fato de que o rapaz não irá se lembrar depois.

Apesar de usar um sistema de anotações e tatuagens para se manter focado nas memórias mais importantes, ao longo do filme percebemos que até isso talvez tenha furos que permitam a manipulação da vida do protagonista por outros personagens.

Depois de Amnésia, Christopher Nolan ganhou notoriedade e começou a ser visto com uma aura de gênio. Veio então Insônia (Insomnia, 2002) com Al Pacino, Hillary Swank e Robin Williams e a trilogia do Batman (2005 – 2012), com O Grande Truque (The Prestige, 2006), A Origem (Inception, 2010) e Interestelar (Interstellar, 2014) intercalando os filmes-morcego.

Por fim, um documentário curta-metragem e Dunkirk (2017), um dos filmes mais incômodos, arrastados e enfadonhos que já vi – e o melhor filme de Nolan na minha opinião.

Confesso que discordo bastante dessa pecha de gênio e considero o cara um cineasta razoável com boas ideias e muitas, muitas falhas técnicas. Como todo mundo, tem seus momentos brilhantes. Tem uma lista de bons filmes por aí, mas… gênio?

Com sua legião de fãs empolgada por conferir Tenet, que segurou ao máximo o adiamento de sua data de estreia, Amnésia de Christopher Nolan é uma boa pedida para ir esquentando os motores durante esse aguardo. É, sem dúvida, um dos melhores filmes do cineasta, especialmente por contar com uma produção mais enxuta, econômica e centrada em aspectos menos técnicos.

Uma curiosidade é que, desde 2015, conversas pontuam de que o cineasta esteja trabalhando numa espécie de remake do longa. Segundo o próprio, seria algo similar, mas não um remake propriamente dito. Fato é que o título, por enquanto, segue igual ao original e o roteiro parece estar finalizado – de acordo com o IMDB.

Seja como for, fã do cineasta ou não, Amnésia de Christopher Nolan vale o tempo empenhado e é nossa dica de hoje. Mesmo que o futuro remake seja algo parecido, similiar, com mesmo nome… mas que a gente não possa chamar de remake porque o gênio não quer.

Amnésia de Christopher Nolan está no Prime Video!

 

Poster do filme Amnésia de Christopher Nolan

Trailer:


Créditos:
Texto e Edição: Alexandre Baptista
Amnésia de Christopher Nolan (Prime Video) - Dicas de Streaming 1
Imagens: Reprodução

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