Matrix (The Matrix, 1999) está completando 20 anos agora em 2019, tendo estreado originalmente em 31 de março, duas décadas atrás. É por isso que a Dica de Streaming hoje é focada nesse clássico da ficção científica que iria estrear na Netflix em maio, foi anunciado para novembro e, já com página própria na plataforma, deve finalmente estrear após a temporada de reexibição nos cinemas de todo o Brasil agora em dezembro.

A história de Matrix

Dirigido pelas Wachowskis, Lilly e Lana, a história de Neo segue a cartilha da Jornada do Herói à risca, com Keanu Reeves no papel do herói vacilante que irá passar por momentos de incerta e insegurança antes de se provar o grande Escolhido e salvador do filme.

Se na estrutura básica e nos diálogos o longa é um tanto óbvio, a maquiagem filosófica e as referências visuais colocadas no longa pelas diretoras – que também assinam o roteiro de Matrix – aliadas às técnicas então revolucionárias de filmagem, funcionaram de maneira histórica e agradam até hoje.

Não é para menos: das duas horas e meia de exibição, uma hora inteira é gasta em situar o universo em que se passa a história, preparando o terreno para a ação que se segue; as bases de inspiração são nada menos que grandes clássicos da ficção científica, como Alice no País das Maravilhas (Alice’s Adventures in Wonderland, 1865) e Alice Através do Espelho (Through the Looking Glass and What Alice Found There, 1871) de Lewis Carroll; a trilogia do Sprawl de William Gibson – Neuromancer (1984), Count Zero (1986) e Mona Lisa Overdrive (1988); Akira (1988) de Katsuhiro Otomo; Simulacros e Simulação (Simulacres et Simulation, 1981) de Jean Baudrillard; O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell, 1995) e muito mais.

Além disso, Matrix carrega a essência do cyberpunk e envelheceu muito bem até agora. Seus efeitos continuam críveis e a estilização geral, incluindo aqui a atuação ligeiramente acima do ponto do elenco, dão vida própria àquele universo. Não se trata de um filme realista, especialmente depois que a verdade sobre a Matrix é revelada. E é justamente por isso que parece tão verdadeiro.

Um exemplo disso é a cena lá pro final do filme, quando Neo foge dos agentes após uma dura luta contra Smith. Os figurantes nas ruas de Nova York se comportam como bonecos de parques de diversões ou NPC (non-playable characters) de jogos eletrônicos, com movimentos repetitivos e expressões mecânicas – quase como se quem está ainda inserido na Matrix estivesse em um modo de rotina.

A direção de arte – só lembrando aos amantes de quadrinhos que o design de produção ficou nas mãos de Geoff Darrow – presta homenagem aos filmes noir e a narrativa deixa um pezinho no hard-boiled, dando aquele gostinho, até certo ponto do longa, de uma bela história de detetives; a trilha sonora de Don Davis captura de maneira magistral esse clima, com claras inspirações nas trilhas mais sombrias de Danny Elfman nos anos 90 e uma pitada de música industrial, bem de leve mesmo. Uma das trilhas mais marcantes do final do milênio.

Se você nunca viu Matrix e tudo o que sabe sobre o filme é aquela cena famosa, não perca mais tempo. Vá conferir o quanto antes esse clássico que, apesar de não ser perfeito, conquistou seu espaço merecidamente na história do cinema. E que está de aniversário!

*curiosidade: Chad Stahelski, diretor da franquia John Wick, foi dublê de Keanu em Matrix, sabia?

 

Matrix chega em breve na Netflix!

Matrix (Netflix) - Dicas de Streaming 1

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Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista

Imagens: Reprodução

Matéria publicada originalmente em 06 de dezembro de 2019. Atualizada em 10 de abril de 2020.

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