Dennis O’Neil foi um grande nome dos quadrinhos, responsável por grandes histórias da Era de Prata. Infelizmente ele nos deixou na noite do dia 11 de junho de 2020. Confira conosco alguma das grandes contribuições que ele deixou para a industria dos quadrinhos.

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Durante o tempo de O’Neil como escritor e editor tanto na DC quanto na Marvel, dos anos 60 até os anos 90, ele tocou muitos dos personagens mais conhecidos nos universos destas companhias. E durante seu tempo como chefe do escritório editorial do Batman, muitas das mais influentes histórias e conceitos tomaram forma.

Ainda que seu impacto nos quadrinhos esteja além de qualquer artigo, em comemoração ao aniversario do escritor/editor, nós vamos analisar o top 6 grandes impactos que ele teve nos ícones culturais de hoje e a indústria de quadrinhos em geral.

Quais foram 6 das maiores contribuições de Dennis O’Neil nos quadrinhos

6- Heróis de rua/ O Questão

 

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Ainda que personagens de ficção cientifica estivessem em alta quando Denny O’Neil estrou em cena, foi sob a sua caneta e liderança que o herói de rua ganhou um novo nível de respeito e popularidade. Da introdução do alter ego “Matches Malone” para o Batman, até sua decisão de colocar Frank Miller no Demolidor, até suas histórias que trouxeram o herói espacial Hal Jordan até o nível do Arqueiro Verde. O’Neil deu um novo nível de poderes e importância para a barulhenta e suja vida dos heróis nas ruas cruéis.

Talvez o lugar onde isto tenha ficado mais evidente foi no aclamando run de O’Neil no Questão, onde seu estilo noir levou o protagonista através de histórias intensas e perturbadoras. De acordo com vários especialistas, essa poderosa serie inspirou gerações de escritores.

5- Batalhas psicológicas/O Coringa

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Sob a tutela de O’Neil, diversas das mais interessantes batalhas tanto da Marvel quanto da DC foram disputadas dentro das mentes dos personagens. Suas histórias do Batman normalmente mergulhavam nas patologias de seus vilões, mas ate mesmo o Batman sofria de um preocupante nível de obsessão sob sua caneta (e depois, sob suas mãos com editor).

Por exemplo, em “Não há esperança no Beco do Crime” (Detetive Comics #457 com Dick Giordano), o escritor apresentou a benfeitora Leslie Thompkins e estabeleceu o lugar onde os pais de Bruce Wayne foram mortos, explorando as origens obsessivas do personagem de uma forma completamente nova.

O’Neil também escreveu Tony Stark lutando contra o desespero e o alcoolismo durante seu run nos anos 80, apresentando o nêmeses de Tony, Obadiah Stane, que destruiu a vida do Homem de Ferro, roubando sua companhia e se tornando o vilanesco Monge de Ferro (um elemento de plot usando no primeiro filme do Homem de Ferro. E claro, há também o já mencionando run de Frank Miller no Demolidor (sob a tutela editorial de O’Neil) que destruiu psicologicamente Matt Murdock.

Mas nenhuma história demonstra tão bem a influência de O’Neil na psicologia dos personagens quanto as mudanças feitas por ele no Coringa, estabelecidas durante a história de 1973 “A Vingança em Cinco Partes do Coringa” (Batman #251 com Neal Adams).

Antes de O’Neil, o Coringa era representado (por grande parte de sua existência) como um brincalhão pateta. Mas na história (e o spin-off que se seguiu), o vilão se tornou um assassino sadista – uma versão que continua consistente até os dias de hoje.

4- Todos os Robins

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As primeiras edições de O’Neil a frente do Batman se livrou do Robin em favor de um Batman solo, mandando Dick Grayson para a Universidade Hudson. Essa decisão abriu o caminho para as histórias mais pesadas que O’Neil queria contar.

Mas essa não foi a última vez que O’Neil ajudaria a se livrar de um Robin. Quando ele era editor do Batman nos anos 80, ele ajudou outro Robin a se despedir dos quadrinhos quando os leitores foram convidados a votarem (pelo telefone) se Jason Todd, o mais novo Robin, viveria ou morreria. E eles votaram para que ele morresse.

O’Neil depois contou para a 13ª Dimensão que a resposta da mídia por todo o mundo fez com que ele percebesse que ele não estava apenas editando histórias no papel, ele era um “guardião do folclore”.

Como parte de seu trabalho de guardião, O’Neil ajudou os escritores a rapidamente introduzirem um novo Robin que fosse mais agradável aos leitores, Tim Drake. O legado de todos esses Robins continua até os dias de hoje, ainda que o Robin atual seja provavelmente mais influenciado por uma outra criação de O’Neil…

3- Ra’s Al Ghul 

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Quando O’Neil estava escrevendo Batman no começo dos anos 70, o editor Julius Schwartz disse a ele que introduzisse um vilão chamado Ra’s Al Ghul, que em arábico se traduz como “a cabeça do demônio”. O personagem que O’Neil e o artista Neal Adams inventaram – o brilhante e desafiador da morte líder da Liga dos Assassinos – influenciaria as histórias do Batman através de diversas mídias por gerações.

Ra’s Al Ghul tinha centenas de anos, um eco terrorista que queria trazer equilíbrio para o mundo matando grande parte da população. Ele foi introduzido quando sua filha, Talia, se apaixonou pelo Batman e Ra’s então armou um teste para o seu futuro genro.

A introdução de Talia e Ra’s trouxe uma infinidade de novos conceitos, incluindo os poderes de ressurreição dos Poços de Lazaro, que seriam utilizados em diversas histórias do Batman, sejam nos quadrinhos, TV ou filme. E claro, o filho dela com o Batman, o jovem e bem treinado assassino Damian Wayne, eventualmente se tornou o Robin atual, agora uma parte já bem estabelecida do Universo DC.

2- Quadrinhos socialmente conscientes/Lanterna Verde/Arqueiro Verde

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O run de O’Neil e Adams no Lanterna Verde/Arqueiro Verde que começou com a edição #76 em 1970, introduziu uma abordagem revolucionária para os quadrinhos, uma que se importasse com os problemas sociais e políticos do dia a dia.

Através da união entre um policial espacial militarmente treinado com um anel do poder e um arqueiro do nível de rua com inclinações para a esquerda, abriu-se a porta para o time explorar diferentes lados dos problemas da época. De conflitos raciais urbanos até o problema com drogas do jovem pupilo do Arqueiro Verde, o Ricardito, o quadrinho não se esquivou de temas difíceis, e influenciou anos de quadrinhos “socialmente relevantes” na indústria.

O’Neil recentemente horado pela “Jimmy Carter Presidential Library” por suas “conquistas de uma vida buscando causas de paz e justiça”, reconhecido especialmente por seu papel em influenciar a mudança através de quadrinhos.

1-Batman

 

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A influência de O’Neil no Batman moderno e incomensurável. Servindo como escritor e editor por décadas das mudanças mais drásticas e histórias aclamadas, O’Neil e aqueles influenciados por ele deram o tom do Batman por gerações.

Sob sua influência, as histórias do Batman se tornaram mais experimentais, se movendo para mais próximo do urbano, contemplando temas da vida real, explorando as psique de Bruce e seus adversários, e se tornou mais próximo de todos os outros adjetivos já usados para descrever as abordagens de O’Neil para os quadrinhos.

E sua influência não para apenas nos quadrinhos. Sementes de suas próprias histórias – e daquelas escritas por pessoas que O’Neil guiou – aparecem em histórias do Batman através de diversas mídias.

Dennis O’Neil também já foi homenageado pela Biblioteca Presidencial (confira aqui). O Ultimato do Bacon lamenta muito a perda deste ícone e deixa aqui nossos pêsames a toda a família.


Créditos:

Texto e Edição: João Maia
Imagens: Reprodução
Texto publicado originalmente em 05 de maio de 2019. Atualizado em 12 de junho de 2020.

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