Os 80 anos do Lanterna Verde chegam neste ano de 2020.

No entanto, embora essa versão octagenária, publicada originalmente em julho de 1940 na revista All-American Comics #16 seja Alan Scott e não tenha nada a ver com o planeta OA, nem com a Tropa dos Lanternas Verdes, ela foi a inspiração para que Julius Schwartz criasse em 1959 o icônico e adorado Hal Jordan.

Jordan é, sem dúvida nenhuma, a versão mais querida e mais reconhecida do Lanterna Verde que teve nos anos 70, ao lado do Arqueiro Verde, uma de suas maiores fases pelas mãos de Dennis O’Neill e Neal Adams (saiba mais).

Nos anos 90, Jordan teve mais uma de suas grandes sagas – uma terrível por sinal, que alterou o status do herói para vilão – em Crepúsculo Esmeralda (leia mais ou confira o vídeo do Sobrecapa aqui). A saga, planejada pela DC Comics e começava a ser escrita por Gerard Jones quando o escritor foi condenado a seis anos de prisão por pornografia infantil.

A saga passou para as mãos de Ron Marz, com desenhos de Darryl Banks, mudando vertiginosamente de foco. Coast City foi devastada, Hal Jordan se tornou o Parallax e manteve a postura de vilão por pelo menos 15 anos.

Hal Jordan, como Parallax, ainda teve participação na Zero Hora, o reboot da editora nos anos 90 e se redimiu na saga Noite Final.

 

A melhor fase dos 80 anos do Lanterna Verde 1

Hal Jordan em Noite Final: redenção.

Trazido de volta a vida pelo Espectro, Jordan, já redimido, passou a ser o hospedeiro humano da entidade cósmica e multidimensional da DC Comics.

Foi assim que o título passou para as mãos do iniciante Geoff Johns que, em 2005, trouxe a volta de Hal Jordan, seu embate contra Parallax, sua derradeira missão com o Espectro e a volta da Tropa dos Lanternas Verdes.

Ainda que haja alguma crítica a respeito da forma como Johns anula conceitualmente os eventos de Crepúsculo Esmeraldaouça nosso podcast sobre isso aquiLanterna Verde: Renascimento foi o pontapé inicial de uma fase que entrou para a história como a maior e mais complexa fase do Lanterna Verde na história da Editora das Lendas.

A run de Johns com o Lanterna teve reforços de peso. Desenhos de Ethan Van Sciver, Carlos Pacheco, Darwyn Cooke e, claro, Ivan Reis. Além disso, contou com a run paralela – da Tropa dos Lanternas Verdes – pelas mãos de Peter J. Tomasi, outro escritor simplesmente fabuloso – confira nossa matéria sobre o Superman de Tomasi aqui.

Em primeiro lugar, Johns ocupou-se de reestabelecer Hal Jordan como um herói nato e indefectível. Suas falhas não eram suas e sim provocadas por uma entidade do medo que explorou os recônditos mais profundos de sua alma em busca de vantagem.

Em termos de roteiro, a redenção de Jordan perante todos aqueles a quem ele havia causado algum mal durante seu tempo como vilão. Em termos de cronograma geral da editora, manter o personagem mais ou menos intocado pela Crise Final que já estava planejada pela DC.

A narrativa dá conta de inserir elementos novos, conectar toda a escala cósmica que a Tropa dos Lanternas Verdes precisa ter e, ao mesmo tempo, elaborar o lado humano de Jordan de maneira razoavelmente nova, original – só que respeitando o passado do herói e todo o seu cânone anterior.

Johns insere referências a aventuras antigas – inclusive de outros personagens, como a Clemência Negra da impecável história do Superman, Para o Homem que tem tudo (For The Man Who Has Everything, 1985) de Alan Moore – trabalhando com personagens clássicos em novas versões – o Superciborgue, Superboy Primordial, o Antimonitor etc. – ao mesmo tempo em que inova e surpreende.

 

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Lanterna e Arqueiro no arco Hal Jordan: Procurado – parceria clássica.

Nunca antes a individualidade dos portadores dos anéis tinha sido tão bem representada. Sim, em Novo Amanhecer vemos que Ron Marz destaca a forma mais criativa com que Kyle Rayner passa a usar o anel.

Mas a run de Johns extrapola isso. Graficamente inclusive as artes são totalmente diferentes para representar os fachos de energia que John Stewart emite, dos de Kilowog, Guy Gardner, Tomar Re ou Jordan.

 

A melhor fase dos 80 anos do Lanterna Verde

Com todas as bases lançadas, todas as pontas resolvidas e a chegada da Guerra dos Anéis em 2007, Johns consegue finalmente desenvolver sua história principal. Sinestro já domina a energia amarela, agora relacionada ao medo.

E têm início eventos que irão eclodir no surgimento de diversas outras tropas do “espectro energético”. Algo inédito, ainda que nem tanto.

Por exemplo: o cânone do Lanterna Verde de Julius Schwartz teve, desde de muito tempo, anéis ou fontes energéticas que rivalizavam de alguma forma com a bateria central de OA. Ou mesmo tropas e grupos rivais.

Seja o anel qwardiano de Sinestro ou as Safiras-Estrela, sejam os Caçadores ou os Darkstars, a Tropa dos Lanternas Verdes sempre teve rivais a altura, numa espécie de “tropa do mal”, seja como fosse.

 

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Lanternas dos 7 espectros da emoção.

No entanto, Geoff Johns organiza essa estrutura, dá um histórico mais profundo para as tropas. Cria juramentos únicos, atrela emoções específicas para cada uma delas. E usa o arco-íris para definir as cores de cada uma delas, estabelecendo um conceito físico, real, a uma ideia fantasiosa.

Com isso, Johns impregna de verdade uma história fictícia, dando peso e profundidade a um mito que passa a fazer muito mais sentido do que as histórias anteriores do personagem.

Como já dito anteriormente, outra qualidade do autor é de pegar linhas e entrelinhas de consagrados arcos do personagem e atribuir novo sentido.

Um exemplo? Todos os leitores assíduos conhecem o juramento do Lanterna Verde:

“No dia mais claro, na noite mais densa…”

Geoff Johns não usa da frase somente como título de algum arco qualquer. Ele transforma a menção em profecia. Faz da Noite Mais Densa e do Dia Mais Claro eventos que abalam Hal Jordan, a Tropa, a Liga da Justiça, os Renegados, os Titãs e todo o universo DC.

De maneira geral, Geoff Johns pode ser criticado por requentar algumas ideias de clássicos da Era de Ouro e de Prata. Ou por desconsiderar o trabalho feito antes dele, ignorando e desrespeitando certas bases que até então eram sólidas.

No entanto é inquestionável que, apesar de fazer isso, ele sabe como quer conduzir seus personagens e suas histórias e como reconectar o passado com o presente e lançar ideias para um futuro inédito para os leitores.

A fase de Geoff Johns é uma imprescindível para qualquer leitor e está entre as melhores construções de arcos narrativos de super-heróis. É, sem dúvida, a melhor dos 80 anos do Lanterna Verde, ao lado da fase Na Estrada. Se você ainda não conhece, corrija isso assim que possível.

E se precisar de ajuda para saber como ler, o que comprar, confira o especial O Lanterna Verde de Geoff Johns – Guia de Leitura.

 


Créditos:

Texto e Edição: Alexandre Baptista

Imagens: Reprodução


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