por Lucas Souza

 

Muitos leitores tem alguma dificuldade em ler histórias mais antigas. Seja pela simplicidade do texto ou pelos desenhos com estilos diferentes, a maior dificuldade é entender que épocas mais simples demandam roteiros e soluções mais simples. É exatamente esse o caso da saga de 1973 intitulada A Guerra Vingadores – Defensores. Idealizada por Steve Englehart, escritor das revistas das duas equipes na época, a proposta era colocar as duas equipes em lados opostos e trazer aqueles confrontos épicos entre heróis que os leitores tanto gostam.

A saga foi publicada originalmente em Avengers #115 – #118 e Defenders #8 – #11. Aqui no Brasil ela foi publicada pela Panini em Maiores Clássicos dos Vingadores Vol.4 e pela Salvat na Coleção Marvel Graphic Novels #101. Para os fãs de edições antigas,a Bloch publicou em Os Defensores #3 – #4 as edições de Defenders da Saga e muitos anos depois a editora Abril publicou em Capitão América #72 e Grandes Heróis Marvel #8 a saga completa pela primeira vez.

Vale lembrar que os Defensores em questão não são aqueles do seriado da Netflix. A equipe da HQ era composta por Namor, Hulk, Dr Estranho, Surfista Prateado, Valquíria e Gavião Arqueiro (que participa da equipe apenas durante a saga). Do lado dos Vingadores tínhamos Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Visão, Feiticeira Escarlate, Pantera Negra e Mantis.

 

Hulk vs Thor é um dos grandes momentos da Saga Vingadores x Defensores

 

A história parte de uma premissa bem interessante. O Deus trapaceiro Loki está cego e, para recuperar sua visão, recorre a ajuda de Dormammu. O ser poderoso pede em troca para que ele faça com que a Terra seja transportada para a sua dimensão maligna – só assim ele poderia tomá-la, uma vez que ele tinha um trato de não invasão da dimensão do planeta com o Dr. Estranho (pacto esse inquebrável).

Nessa época, o Cavaleiro Negro estava transformado em pedra e os Defensores estavam empenhados em trazê-lo de volta. Sendo assim, Loki e Dormammu enviam uma falsa mensagem para a equipe dizendo que eles deveriam unir e usar um artefato místico chamado de Olho Maligno (dividido em partes espalhadas pelo planeta) para trazer o cavaleiro de volta. Loki rapidamente percebe que seu companheiro não pretende ajudá-lo a recuperar a visão e resolver impedi-lo avisando aos Vingadores das intenções dos Defensores – e dando a entender que eles querem reunir o artefato para conquistar o mundo. Estava montado o cenário para os confrontos.

 

Apesar da grande trama, os confrontos entre os heróis foram o grande chamariz de Vingadores x Defensores

 

Apesar da grande expectativa para os confrontos que a história gera, podemos dizer que eles são em geral bem fracos, sem graça e rápidos. A exceção dos incríveis Dr. Estranho vs. Pantera Negra e Menphis e Hulk vs. Thor os outros confrontos não conseguem emocionar e – mais uma vez – fica a sensação de que os personagens são verdadeiros trogloditas que não conseguem dialogar. Ok.. Não dá pra conversar com o Hulk, mas personagens mais dotados de inteligência como o Dr. Estranho deveriam ser capazes de observar quando algo “inusitado” está acontecendo. Nessa hora vale lembrar: tempos mais simples demandam roteiros e soluções mais simples. Se eles conversassem, não poderíamos vê-los brigar, certo?

A Guerra Vingadores – Defensores é mais um exemplo de sagas antigas que não envelhecem muito bem por conta do roteiro da época. Os confrontos pouco emocionantes acabam atrapalhando uma premissa que tinha de tudo para gerar uma história épica. Se a intenção não fosse “fazer os heróis brigarem para vender gibi” poderíamos ter tido um outro desenvolvimento – os últimos atos da HQ (sabe, depois que os heróis saem no braço e percebem que estão do mesmo lado?) mostram lampejos das boas ideias que a história tem. Mesmo assim, a saga merece ser lida e apreciada por aqueles que conseguem curtir e gostar de soluções mais imediatistas de tempos mais simples nos quadrinhos.

 

Avaliação: Bom!

 

 

 

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