Vidro (Glass)
Ano: 2019 Distribuição: Disney / Buena Vista
Estreia: 17 de Janeiro (Brasil)

Direção: M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Duração: 129 Minutos  

Elenco: Samuel L. Jackson, Bruce Willis, James McAvoy, Spencer Treat Clark, Sarah Paulson 

Sinopse: “Após a conclusão de Fragmentado (2017), Kevin Crumb (James McAvoy), o homem com 24 personalidades diferentes, passa a ser perseguido por David Dunn (Bruce Willis), o herói de Corpo Fechado (2000). O jogo de gato e rato entre o homem inquebrável e a Fera é influenciado pela presença de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que manipula seus encontros e guarda segredos sobre os dois.”

 

 

 

Alexandre Baptista

Vidro é um filme espetacular mas a expectativa alta pode torna-lo decepcionante

Longa de M. Night Shyamalan que encerra a trilogia de Corpo Fechado e Fragmentado é inesperado e anti-climáctico

por Alexandre Baptista

 

M. Night Shyamalan é um prolífico e polêmico diretor e ator. Polêmico não porque esteja envolvido em alguma escândalo, mas justamente por seu estilo de direção. Embora seja um dos grandes diretores da atualidade, não é abraçado pelo público como um Christopher Nolan ou J.J. Abrams, por exemplo. Entre seus 16 títulos como diretor, destacam-se O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999) que o revelou ao mundo; Sinais (Signs, 2002); A Vila (The Village, 2004); A Dama da Água (Lady in the Water, 2006); O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010) – o grande flop; e a trilogia que se encerra em Vidro (Glass, 2018), iniciada com Corpo Fechado (Unbreakable, 2000) e Fragmentado (Split, 2016), a segunda parte.

Uma grande característica de seus filmes (especialmente os autorais), além de sempre contarem com Shyamalan em uma pontinha, é a preparação para o desfecho ou revelação presente no terceiro ato do longa, magistralmente executada em Sexto Sentido e Fragmentado, mas repetida em maior ou menor grau nos demais títulos: a confirmação dos poderes de Dunn em Corpo Fechado; os aliens em Sinais; o monstro em A Vila; a sereia e o monstro em A Dama da Água; a Fera em Fragmentado.

Talvez por isso a expectativa do gran finale em Vidro estivesse tão alta na minha cabeça, aguardando uma apoteose, um showdown épico e de proporções “Marvélicas”, antecipada desde 2000 quando, após ter conferido Corpo Fechado, reconheci estar vendo a melhor adaptação da síntese dos quadrinhos de super-heróis para as telas. Um resumo respeitoso e reverente da estrutura das amadas histórias de tantos e tantos personagens.

Numa opinião pessoal, Vidro receberia no máximo uns 3 bacons, frente a decepção daquilo que eu esperava, como fã do filme. No entanto, a qualidade do diretor, dos atores e da produção como um todo me obriga a ser imparcial e dar uma nota melhor.

Há quem reclame de que David Dunn, papel reprisado por Bruce Willis magistralmente, apareça pouco no longa; ou que a Fera de James McAvoy (junto com Patricia, Dennis, Hedwig e toda a Horda, apresentados novamente de forma brilhante pelo ator) já se estabeleça cedo demais sem muito espaço para a multi-personalidade/multi-interpretação mostrada em Fragmentado; mas a verdade é que Vidro enfoca, como sugere o título, em Elijah Price, o Sr. Vidro, interpretado espetacularmente por Samuel L. Jackson. Em sua vez no foco da história, Jackson demonstra sutilmente a genialidade do vilão, em micro expressões perfeitamente capturadas pelo diretor. O restante do elenco, com Sarah Paulson, que interpreta a Dra. Ellie Staple e Spencer Treat Clark, o agora jovem adulto Joseph Dunn, também entregam boas interpretações e seguram a qualidade do longa lá em cima.

A fotografia e a produção do filme de modo geral é, como de praxe nos filmes de Shyamalan, belíssima e muito bem realizada. Seus ângulos de câmera são surpreendentes, belos e agradáveis, dando ao público novos olhares em filmes do gênero.

A trama, bem construída, começa acelerada e, a partir do segundo ato, diminui bastante o ritmo, sendo talvez aí um dos pequenos pecados do filme. Após um primeiro ato de mais ação, o segundo entra num ritmo de O Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975), belissimamente orquestrado, mas quebrando e subvertendo a expectativa criada até ali.

Aliás, a quebra de expectativas é a tônica do longa, com plot twists e reviravoltas espetaculares a cada frase ou revelação das personagens. Essa característica, no entanto, decepciona no terceiro ato, justamente quando uma conclusão épica é antecipada e até prometida, mas jamais acontece.

A trilha sonora é bem realizada e retoma alguns dos motivos do primeiro e do segundo filmes. Não é memorável, mas é competente e cumpre seu papel.

Por fim, a ponta do diretor em cena desta vez é mais divertida e menos relevante para a trama do que em outras vezes, o que é um ponto positivo.

Vidro encerra bem uma grande trilogia, abrindo (talvez) caminho para novos projetos relacionados ao mesmo universo para Shyamalan e reforçando algo que sempre repetimos por aqui: quanto maior a expectativa, maior a chance de decepção. Analisando de forma imparcial, é um longa que merece ser conferido em todo seu contexto e pretendo vê-lo novamente, justamente para tirar a má impressão inicial.

 

 

Avaliação: Ótimo!

 

 

Trailer:

 
 
 

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