Entre 2008 e 2009, a Marvel publicou nos Estados Unidos a minissérie em cinco capítulos Venom: Dark Origins, em que conhecemos um pouco da personalidade de Eddie Brock desde a infância até se juntar ao simbionte e gerar um dos vilões mais lembrados dos quadrinhos.
Neste ano, a Panini trouxe a história completa em uma edição de luxo, capa dura, como parte da coleção “Marvel Essenciais”, intitulada Venom Origens Sombrias.
O roteiro é de Zeb Wells. A arte de Angel Medina parece influenciada pelos consagrados Todd McFarlane, criador do personagem, e John Romita Jr. – inclusive com algumas estranhezas de proporção –. Nas cores, Matt Milla.
Qual a trama de Venom Origens Sombrias
A HQ começa bem. O primeiro capítulo mostra a infância de Eddie Brock em São Francisco, Califórnia, o trauma pela falta da mãe – que ele se culpa pela perda –, o relacionamento com o pai e a predisposição patológica em mentir.
O garoto chega a sumir com o gato de uma vizinha para depois “encontrá-lo” e se passar por herói. Na adolescência, a insegurança e as mentiras continuam, como quando Brock diz ser titular da equipe esportiva do colégio para impressionar uma garota.
Na HQ, revisitamos a derrocada de Brock no Globo Diário
Zeb Wells fez uma construção muito interessante para ligar a facilidade em mentir de Brock com sua obstinação em ser jornalista – profissão que deve trabalhar, justamente, com a verdade –. “Os jornalistas têm a responsabilidade de dar a última palavra, definindo o que é fato e o que é ficção…”, diz um professor, referindo-se ao Caso Watergate e como o trabalho dos repórteres conseguiu trazer à tona a realidade do que aconteceu no governo Nixon.
É claro que Brock entendeu que caberia a ele decidir o que é verdade. Com um golpe, entra no curso de jornalismo da Universidade Empire State (UES).
O segundo capítulo é dedicado à conhecida subida e derrocada de Eddie Brock no Globo Diário, investigando o “Devorador de Pecados” e publicando a identidade errada do assassino serial. Venom Origens Sombrias mostra muito bem como o futuro vilão foi vítima do próprio ego.
No terceiro capítulo, a transformação de Brock em Venom, na famosa igreja, é bem desenhada. Mas logo tudo se torna mais do mesmo. Para não ser injusto, há um breve momento de Brock em conexão com o passado dos simbiontes. De resto, temos a busca por Mary Jane no apartamento de Parker e confrontos com o Homem-Aranha. Tudo resultado do ódio de Brock e do alienígena, agora unidos, pelo aracnídeo.
Vale a pena ler Venom Origens Sombrias?
A Panini traz o encadernado Venom Origens Sombrias após o sucesso – para muitos já virando declínio – da run de Donny Cates com o personagem, onde vimos muitos acréscimos a mitologia dos simbiontes, como a origem do microrganismo e a tentativa de uso do ser em guerra pela SHIELD.
Os desenhos se destacam em alguns quadros de Venom: Origens Sombrias
Não sei dizer se editorialmente a publicação tem o objetivo de explorar um hype, mas a leitura, neste momento, foi interessante. O roteirista Zeb Wells soube criar – há mais de 10 anos – um ambiente e uma personalidade instigantes para Brock ainda na infância e juventude.
São as camadas e elementos psicológicos adicionados ao personagem que, aliás, trazem algo novo a HQ. O problema é que, para além disso, não temos muita coisa.
Quando Venom surge, válido destacar, a arte de Angel Medina ganha destaque – em contrapartida do roteiro –. O simbionte é bem desenhado, lembrando o ímpeto que o fez ser um dos principais vilões dos anos 1990: grande, monstruoso e bizarro.
A conclusão é a de que Venom Origens Sombrias passa longe de ser uma leitura obrigatória ou necessária. É mais para quem tem curiosidade específica ou é fã do personagem.
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Avaliação: Regular!.
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Créditos:
Texto: David Horeglad – @hq_ano1
Imagens: Reprodução
Edição:
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