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Top Gun Maverick (2022) – O Ultimato

Em 25 de Mai de 2022 4 minutos de leitura
Top Gun Maverick (2022) – O Ultimato

Top Gun Maverick, dirigido por Joseph Kosinski, estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 26 de maio de 2022.

Índice

Top Gun Maverick – Introdução

Em 1986, Tony Scott fez história e lançou tendência com Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun), estrelado por Tom Cruise, Val Kilmer, Anthony Edwards e Kelly McGillis – e participações de Meg Ryan, Tim Robbins e Tom Skerritt.

Comerciais de cigarro passaram a ostentar aviões e voos e os acordes do hino de Top Gun (Top Gun Anthem) de Harold Faltermeyer, inconfundíveis, ganhavam nos comentários populares notas de guitarra de Eddie Van Halen (muito embora o músico jamais tenha tocado essa canção, especialmente na trilha sonora oficial).

Mais de 30 anos depois nos vemos jogados em um mundo que parece buscar incansavelmente os anos 80, com a criminalidade voltando aos borbotões, famílias passando fome nas ruas, uma guerra nada fria eclodindo e, nos cinemas, um filme que parece saído daquele período.

Se o primeiro foi tão despreocupado com a correção técnica a ponto de errar terminologias e ter sua menção proibida na verdadeira Top Gun, será que esta continuação consegue se sustentar no mundo atual? Será que somente a nostalgia dá conta de bancar um sucesso de bilheteria? Ou, ainda mais difícil, um sucesso de crítica e bilheteria?

Top Gun Maverick (2022) – O Ultimato

Top Gun Maverick – Trama

Na trama de Top Gun Maverick vemos Pete “Maverick” Mitchell (Tom Cruise) trinta e tantos anos depois do primeiro filme ainda como capitão, à frente de um projeto fadado à extinção: antagonizado pelo almirante Cain (Ed Harris), que acredita no futuro da aviação por drones, Maverick – como é da natureza do personagem – insubordinadamente prova seu ponto e consegue uma extensão temporária do projeto.

Típica subtrama irrelevante que serve como estabelecimento dos personagens e para obrigar Maverick a ser transferido de volta ao programa Top Gun. Ali ele deverá treinar os melhores pilotos da atualidade para uma missão suicida – que, se executada por Maverick, talvez desse chance de sobrevivência aos pilotos.

O resumo da coisa: todos os elementos estão ali – embora seja extremamente previsível – e funcionam perfeitamente. O superior que joga essencialmente pelas regras e não gosta de Maverick; o parceiro de campo que admira o cara; a nova geração que desdenha e aos poucos passa a reconhecer as qualidades do mentor; o par romântico; o dilema; e muito mais.

Top Gun Maverick (2022) – O Ultimato

Top Gun Maverick – Trilha sonora

Além do roteiro, extremamente formulaico e previsível – e notem que não aponto isso como algo necessariamente ruim -, outra grande qualidade do longa é a trilha sonora de Hans Zimmer. O melhor exemplo de como Zimmer faz a trilha funcionar é na música de abertura Main Titles (You’ve been called back to Top Gun).

A montagem inicial evoca os acordes de Top Gun Anthem, deixando velhos fãs animados. Porém, algo está diferente na música, que não apresenta o famoso solo de guitarra… é somente depois do final da sequência inicial, com a “vitória” de Maverick que a música retorna triunfal e entram as notas de guitarra. Um exemplo perfeito de como a trilha, neste filme, empurra a emoção do espectador mais além.

Top Gun Maverick – Fotografia

Outra grande qualidade do longa é sua fotografia: numa época de deslumbrantes efeitos em computação gráfica, parece um choque de realidade conferir um longa que foi filmado… de verdade!

Talvez seja o fato de saber que as cenas eram “reais”… mas a sensação ao conferir Top Gun Maverick é a de saber que algo ali é diferente.

Top Gun Maverick (2022) – O Ultimato

Top Gun Maverick – Elenco e personagens

Algo que não dá pra deixar de comentar é a escolha do elenco e a forma como novos (velhos) personagens, atores e atrizes retornam (ou são criados, estreiam) – e a mistura aqui é proposital. Personagens como Cain (Ed Harris), Beau “Cyclone” Simpson (John Ham), Penny (Jennifer Connely) e Warlock (Charles Parnell), inéditos na trama, parecem saídos do filme original tanto quanto Goose (Anthony Edwards em cenas do filme original) e Iceman (Val Kilmer).

Já a turma nova, com Rooster (Miles Teller) obviamente fazendo o papel principal do grupo, segue os arquétipos e estereótipos originais, com adições: a “garota que pilota melhor que os homens”; “o nerd”; “o esquentadinho que não segue ordens”; “o garoto perfeito que deixa algo atrapalhar seu pontecial”; “os camisas vermelhas prontos pra morrer”.

Com desempenhos dentro do esperado, o elenco faz bonito e entrega o filme de bandeja para Tom Cruise brilhar em sua despedida da série.

Top Gun Maverick – Memória afetiva

Muita gente critica – eu inclusive – obras que apelam ao sentimentalismo e à memória afetiva para construir uma relação com o espectador (ou leitor). Relativamente vazias, tais obras apostam somente nas muletas emocionais para empurrar o público ao êxtase do entretenimento.

Em Top Gun Maverick essa ferramenta é usada em profusão. Os fãs do filme original serão louvados e atendidos em um filme que funciona dentro do esperado e, tirando toda a carga nostálgica, não tem nada de mais – devendo até ser criticado pelos prismas da atualidade (aposto que não passa pelo Teste de Bechdel, por exemplo).

No entanto, se o intuito do cinema é deslumbrar e maravilhar os espectadores, Top Gun Maverick faz isso com maestria – apesar do roteiro simples, formulaico e direto – através de sua direção concisa, boas atuações, fotografia deslumbrante e momentos como o encontro de Maverick com Iceman, uma cena que emociona não somente os fãs de Top Gun, mas qualquer cinéfilo que saiba do que aconteceu com Val Kilmer nos últimos anos.

A cena transcende o filme e dá uma indicação do quanto Tom Cruise investe na indústria e seus valiosos membros. Trazer Val Kilmer para o filme foi algo de extremo cuidado e bom gosto, algo que acalenta os fãs e que poderia ser superado pela Warner no filme do Flash, por exemplo, se tivesse(m) essa visão e delicadeza.

E olha que eu nem vou comentar aqui que, estruturalmente, o novo filme segue o primeiro quase que cena a cena…

Top Gun Maverick – Conclusão

Top Gun Maverick certamente será criticado por muitos… e não sem motivo. O filme talvez não tenha nada de novo e talvez reforce estereótipos que já não existem.

Não vou nem comentar o final, pra não estragar surpresas… mas ele é bem óbvio. No entanto, para quem busca entretenimento, diversão, relembrar bons momentos (da infância no meu caso), viajar em paisagens deslumbrantes ou prender o fôlego em manobras radicais (o tiozão cringe escrevendo)… Top Gun Maverick é tudo isso e um pouquinho mais. A pergunta que fica… quem é o melhor piloto?

Avaliação: Excelente!


Créditos:
Texto: Alexandre Baptista
Imagens: Reprodução
Edição: Diego Brisse
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