Junte-se a nossa congregação: um dos melhores álbuns do Leprous completa 5 anos em 2020

por Alexandre Baptista

 

Bem-vindos a sua Playlist! E hoje vamos com um som que é pesado demais pra algumas pessoas mas que se revela bastante suave depois de se criar o costume.

Depois de ter lançado o excelente Coal (2013), o Leprous voltou com uma obra-prima em The Congregation (2015), imediatamente aclamado pelo público como um dos melhores álbuns daquele ano.

Nos bastidores, o ano marcou muitas mudanças para a banda e The Congregation marca a última participação do guitarrista Øystein Landsverk gravando com a banda norueguesa. O baterista Tobias Ørnes Andersen, que havia saído em 2014, foi substituído por Baard Kolstad e o álbum contou com baixos de Simen Daniel Børven. Ambos seguem até hoje no Leprous.

Quarto disco de estúdio da banda, precedido pelo já mencionado Coal, o revelador Bilateral (2011) e Tall Poppy Syndrome (2009), foi lançado em 25 de maio de 2015 na Europa.

Uma curiosidade é a participação de Heidi Solberg Tveitan e Ihsahn no desenvolvimento dos vocais do álbum. Além de músicos respeitadíssimos, ambos são respectivamente a irmã e cunhado do vocalista Einar Solberg.

The Congregation abre com The Price e seus poderosos acordes iniciais. Provavelmente a mais conhecida e radiofônica das músicas do Leprous, The Price tem um clipe belíssimo, além de uma assinatura de tempo bastante interessante e empolgante.

A sensação de uma angústia crescente que vai explodir no refrão é reforçada pelo maravilhoso e bem desenvolvido lado instrumental e os vocais que sobem em falsete, dando corpo à afirmação de que a maior proeza de todas na música é executar algo impressionantemente difícil de maneira que pareça simples e sem esforço.

 

 

De forma geral, o Leprous soa simples. E é isso que torna The Price ainda mais impressionante.

A sequência, com Third Law, mantém a quebradeira, num som um pouco mais visceral. As melodias vocais aqui se contrapõem com a sequência propositalmente repetitiva do riff de abertura até as mudanças melódicas e rítmicas da ponte e do refrão. Tudo coroado com mais um falsete impressionante de Solberg.

Rewind chega então com seus harmônicos e um soundscape que poderia facilmente figurar em alguma grande produção de Hollywood. O ataque bélico da bateria, logo na abertura da música é bastante marcial e eleva o clima do álbum. Numa peça bastante cênica, a harmonia assume tons menores – com a quebradeira na bateria seguindo – e crescendo espetaculares. A grandiosidade não para de aumentar até o final da música. Espere pelos vocais guturais pra entender exatamente do que estou falando.

Então chega The Flood, particularmente uma das minhas 10 favoritas do álbum. Com uma base bastante simples e uma melodia easy listening – com outro arranjo, poderia ser facilmente transformada em uma música de Elis Regina, por exemplo – até a explosão do refrão que intensifica a base e abre espaços pra alguns coloridos na melodia vocal. A música parece devagar pra muitos, mas é interessante perceber a construção lenta e bem orquestrada, com sutis alterações nas linhas instrumentais, introdução de variações dos riffs, bateria, aumento da intensidade, num preparo crescente para a inundação: o último trecho da música é simplesmente maravilhoso. Uma verdadeira apoteose construída ao longo de exatos 6 minutos de música.

O clima marcial volta em Triumphant, mas a guerra aqui é contra si mesmo e a depressão. Assim como sugere a letra, a música é uma vitória que precisa ser conquistada constantemente e as linhas instrumentais parecem duelar e se alterar o tempo todo para obtê-la. Os riffs dão impressão de estarem sendo repetidos, mas não são exatamente iguais, sempre inserindo novos elementos, mudanças de tempo e uma base viva – em constante batalha – para um vocal que floreia vitorioso sobre ela.

Whitin My Fence entra então com uma guitarra que tem uma ginga bastante interessante e brasileira até. Mas é a bateria que rouba a cena ao longo de toda a peça, deixando sinceramente difícil prestar atenção em qualquer outra coisa que esteja rolando na música além da virtuose de Baard Kolstad e seus incessantes repiques.

Caso até aqui você já esteja acostumado com o som do Leprous, Red pode ser considerada um breather no álbum. Uma canção mais suave – ainda que não seja de fato – pra acalmar os ânimos de leve. Só que com tempos quebrados que se quebraram e deixaram alguns pedacinhos quebrados ainda mais quebrados.

A melodia vocal angelical é extremamente contrastante com o caos orquestrado da cozinha bem organizada e impecável em Red, como duas forças antagônicas em equilíbrio. As alterações de tempo são executadas de maneira impressionante aqui (e, nesse álbum, onde não?) e toda a construção realizada para que elas aconteçam de maneira orgânica é de deixar o queixo caído.

Eu disse mais leve? Esquece.

Slave prossegue com o álbum, num tom bastante emocional e tradicional – em termos de tempos e arranjos – evoluindo sempre as partes instrumentais até a sessão gutural do vocal que pega os desacostumados também desprevenidos. Apesar disso, é a terceira das mais radiofônicas de The Congregation.

A segunda mais palatável para o rádio é Moon, que vem em seguida. Outro exemplo de linhas instrumentais complexas, numa assinatura de tempo bastante interessante, mas que parece bastante simples e comum. O baterista Baar Kolstad tem um vídeo de playthrough em seu canal no youtube que pode ser conferido abaixo. Difícil mesmo é fazer parecer fácil.

 

 

Os últimos 10 minutos do álbum fecham com Down e Lower e, provavelmente, se até aqui você não se convenceu com The Congregation, é bastante improvável que as duas últimas canções mudem sua opinião.

Em um álbum extremamente coeso, o aspecto geral das músicas sedimenta uma espécie de tema musical recorrente em toda a obra. Ainda que não seja identificável, ele é extremamente perceptível e o ouvinte atento e conhecedor do catálogo da banda dificilmente confunde alguma das peças de The Congregation com outra dos demais álbuns, incluindo os mais recentes Malina (2017) e Pitfalls (2019). Deixando mais claro: uma música deste álbum dificilmente entraria nos demais

Definitivamente The Congregation se configura como um grande clássico contemporâneo e o Leprous como uma banda a ser acompanhada por muito tempo ainda.

Bons tempos pra se ouvir música.

 

 

Leprous – The Congregation

1. The Price (5:14)
2. Third Law (6:19)
3. Rewind (7:07)
4. The Flood (7:51)
5. Triumphant (4:26)
6. Within My Fence (3:16)
7. Red (6:35)
8. Slave (6:38)
9. Moon (7:13)
10. Down (6:26)
11. Lower (4:40)

Tempo Total: 65:46

Ouça no Spotify ou Deezer

 


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