por Alexandre Baptista

 

A HQ de hoje no Baú de HQs completou 15 anos agora em 2019, tendo sido publicada originalmente em Superman: Secret Identity #1 – #4, a partir de janeiro de 2004.

No entanto, só fui conhecer a história com a republicação feita pela Panini no encadernado de luxo Superman: Identidade Secreta, nos 80 anos do herói. A edição vem com poucos extras, basicamente um texto de Kurt Busiek justificando as inspirações que usou na história e alguns cards – no formato de postal – com três artes da obra.

Confesso que a princípio levei um tempo para me acostumar com a premissa: um jovem, no mundo “real”, chamado Clark Kent, que sofre todo tipo de bullying e provocações por ter o mesmo nome que o famoso personagem das revistas em quadrinhos.

 

O jovem Clark Kent é assediado pela imprensa em Superman: Identidade Secreta

 

Esse Clark do mundo real, muito por conta do assédio sofrido por, basicamente, todo mundo, desenvolve um desprezo e asco pelo Superman, uma vez que sua vida é praticamente um relicário dedicado ao personagem de Siegel e Shuster.

No entanto, num belo dia, Kent se descobre detentor dos mesmos poderes que seu xará dos quadrinhos e assim, tudo muda em sua vida.

A princípio a premissa me pareceu batida… mais uma história alternativa de origem do Super; mais um “Túnel do Tempo” ou Elseworlds… mas aos poucos percebi que Kurt Busiek estava focado em algo além disso.

Com painéis e paisagens incríveis pelas mãos de Stuart Immonen – é bastante legal ver o artista fazendo algo diferente de cenas de ação e combate – Superman: Identidade Secreta trabalha de uma forma mais humana o mito do super-herói.

Busiek insere a dimensão do “real” na história e a premissa de que todos sabem o que é um super-herói, ainda que eles estejam “apenas” nas revistas em quadrinhos, desenhos animados e filmes. Com a descoberta de seus poderes, Clark passa a lidar não só com um segredo – e o mistério da origem de seus poderes – mas também com a materialização de um mundo de possibilidades antes tidas como ficção.

Caso essa abordagem não seja o suficiente pra te convencer a conferir o material, adicione à mistura um enfoque em problemas reais de nosso mundo – algo similiar ao que Paul Dini falhou em realizar com Superman: Paz na Terra (Superman: Peace on Earth, 1998) ao lado de Alex Ross – como o resgate a vítimas de um furacão, uma barragem rompida; os desafios de um relacionamento; o monitoramento do governo; a formação de uma família; a vida adulta; o envelhecimento; o futuro e a perspectiva da morte.

Perigos do mundo real preenchem as atividades de Clark Kent em Superman: Identidade Secreta

 

Ao contrário da obra de Dini, que precisa da arte de Ross para se sustentar, em Superman: Identidade Secreta o texto de Busiek se sustenta sozinho, fazendo com que a arte de Immonen funcione como um álbum de recortes dinâmico: um tanto quanto um filme sem diálogos mas que conta com uma narração.

Bill Murray, digo, Clark Kent, em seus anos de velhice.

 

Superman: Identidade Secreta não está na minha lista pessoal das 10 maiores histórias do Super. Mas com certeza está entre as 20. Tratando-se de um personagem que abre pouco espaço para experimentação, Busiek e Immonen souberam extrair sua essência, extrair aquilo que faz do Azulão dos quadrinhos quem ele é, trazendo um Clark Kent bastante diferente do original, mas um Superman tão Super quanto todos os que vieram antes dele.

 

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