Star Wars: Trilogia Aftermath (Star Wars: Aftermath Trilogy)
Títulos: Marcas da Guerra; Dívida de Honra; Fim do Império Editora: Aleph
Ano: 2015, 2016 e 2017 Autor: Chuck Wendig
Páginas: 464, 464, 448

Status: Finalizada

Sinopse: O que aconteceu depois da destruição da segunda Estrela da Morte? Qual o destino dos remanescentes do Império Galáctico e dos antigos Rebeldes, agora responsáveis pela fundação da Nova República? Marcas da Guerra é o primeiro livro do cânone oficial a mostrar o que acontece depois do clássico Episódio VI: O retorno de Jedi, dando pistas sobre o que podemos esperar da nova trilogia que se inicia com O Despertar da Força, a ser lançado nos cinemas em dezembro. Nesse novo panorama galáctico, vamos descobrir que a guerra ainda não chegou ao fim… e que os traumas deixados por ela ainda serão sentidos por muitos e muitos ciclos. Capitão Wedge Antilles, almirante Ackbar, almirante Sloane, o garoto Temmin e a mãe, Norra Wexley, a caçadora de recompensas Jas Emari, o antigo agente imperial Sinjir: novos personagens e velhos conhecidos dos amantes da saga, que sempre estiveram envolvidos na luta, agora devem escolher o lado a que deverão jurar lealdade. Deverão colocar-se ao lado da Nova República, procurando estabelecer um novo governo democrático na galáxia? Ou juntar-se às fileiras imperiais, na tentativa de voltar ao poder absoluto depois das mortes dos lordes Sith Palpatine e Darth Vader?

 

 

Alexandre Baptista

A trilogia Aftermath é indispensável aos verdadeiros fãs de Star Wars

Centrada em personagens laterais à saga principal, livros escritos por Chuck Wendig apresentam momentos importantes e conectados com toda a franquia

por Alexandre Baptista

 

Star Wars é uma franquia gigantesca. Já era assim muito antes de George Lucas vende-la para a planetária Disney que decidiu simplesmente jogar um fermento espacial na coisa toda e aumentar ainda mais o tamanho desse universo.

O primeiro passo da Disney foi descartar praticamente tudo o que não era a saga cinematográfica principal e estabelecer um novo cânone, construindo da maneira que achou mais apropriado, conjuntos de histórias complementares em diversos tipos de mídia como livros, quadrinhos, jogos eletrônicos, animações, séries e novos filmes.

A trilogia Aftermath, composta pelos livros Star Wars: Marcas da Guerra (Star Wars: Aftermath, 2015), Star Wars: Dívida de Honra (Star Wars: Aftermath: Life Debt, 2016) e Star Wars: Fim do Império (Star Wars: Aftermath: Empire’s End, 2017), escritos por Chuck Wendig, é uma das mais bem-sucedidas dessas histórias, especialmente ao alinhavar elementos de todo o cânone de maneira coesa e unitária com os filmes.

Neste conjunto de livros temos elementos da trilogia original de George Lucas, de sua trilogia de preambulo, e as bases de muitas coisas da nova trilogia de J.J. Abrams e Rian Johnson, além de paralelos com o filme de Han Solo e uma característica geral muito similar a de Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016).

Marcas da Guerra, o primeiro volume, começa mostrando a real situação da galáxia muito, muito distante logo após a queda da segunda Estrela da Morte em Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi, 1983). É bastante interessante atentar para o detalhe que, apesar da vitória na Lua de Endor e a celebração que a seguiu, a paz não foi alcançada magicamente com a explosão da poderosa arma imperial. Planetas e sistemas ainda sob o domínio de Palpatine resistiam no comando, através de suas tropas, generais e almirantes que, afastados da batalha principal, mantinham vivas células do Império Galático.

Toda a trama do livro, como diz o seu nome, consiste em acompanhar aquilo que a guerra deixou, através da vida de Norra Wexley, uma dos pilotos de Y-Wing que atacou a Estrela da Morte, retornando para casa após anos de batalha ao lado da Aliança Rebelde e em busca de seu marido sequestrado pelo Império, Brentin Wexley.

Marcas da Guerra é interessante por mostrar justamente o “dia seguinte” à vitória rebelde de uma maneira mais realista e menos instantânea do que na trilogia original.

É, sem dúvida, o que tem menor relação direta com os personagens da saga principal, mostrando-os em cenas curtas ou apenas mencionando-os em atividade longe do foco do livro.

No entanto, em Dívida de Honra essa situação muda bastante. Situado algum tempo após o fim do primeiro livro, essa sequência estabelece uma nova missão para o grupo improvável formado em Marcas da Guerra, liderado por Norra Wexley e contando com outros párias que não conseguem se afastar da ação e da luta contra o Império.

Só que a presença de personagens da saga principal torna-se grande. Leia Organa, grávida, é uma das personagens de destaque no livro, assim como Han Solo e Chewbacca – motivadores inclusive do título; aparecem também com bastante frequência Mon Mothma e o almirante Ackbar e, no epílogo do livro, um personagem chave de toda a franquia (que não revelaremos para não dar nenhum spoiler por enquanto), faz sua aparição.

O livro todo traça um grande paralelo entre Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, 2018) e a trilogia original e o mencionado epílogo, além de sensacional, se revela importantíssimo para as bases da trilogia atual.

Por fim, é em Fim do Império que Wendig finalmente é libertado de suas amarras e coloca nas páginas do livro aquilo que os fãs realmente estavam esperando: uma aventura de fato conectada com a saga principal. Os destaques são os mesmos do segundo livro – Han, Leia, Chewie, Ackbar, Mothma – mas sua presença é constante e a equipe de Norra Wexley contracena por grandes trechos com eles.

Como o terceiro e melhor livro da trilogia é bastante recheado de revelações tanto da saga quanto dos dois primeiros livros em si, vamos agora tratar de algumas delas – mas a partir daqui o texto contém spoilers do cânone de Star Wars, então apenas continue se não se importar com isso.

 

Leia Organa

Muita gente reclamou da participação de Leia em Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, 2017) em função de seu momento “Mary Poppins” e o uso da Força. No entanto, a trilogia Aftermath explora bastante a relação da princesa com os caminhos Jedi, mostrando seu empenho no treinamento deixado por Luke Skywalker para que sua irmã se familiarizasse com o poder da família. É inclusive com seu bebê, ainda na barriga, que Leia demonstra uma percepção além do normal, mediada pela Força.

 

Palpatine

Pelos filmes, todos sabem que o velho imperador foi atirado por Vader num fosso de ventilação do reator da Estrela da Morte, sendo dado como morto. Ao que tudo indica pelos trailers de Star Wars: Episódio IX – A Ascenção Skywalker (Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker, 2019), Darth Sidious deve voltar.

No entanto, como ficamos sabendo no epílogo de Dívida de Honra, antes de sua queda, Sheev Palpatine recrutou o jovem Galli para estabelecer a Contingência nos subterrâneos do deserto de Jakku.

O que, realmente, está abrigado por ali permanece a ser visto e, apesar da merecida morte de Gallius Rax, a jornada de Sloane pelas Regiões Desconhecidas pode estar amplamente relacionada com o retorno do Imperador.

 

Supremo Líder Snoke

Muito se especulou sobre a identidade de Snoke entre Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força (Star Wars: Episode VII – The Force Awakens, 2015) e Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, 2017).

A maior pista sobre sua vida pregressa está, sem dúvida, em Fim do Império que, em um de seus interlúdios, conta a história do jovem desfigurado Mapo.

Mapo sobreviveu ao bombardeamento pelo Império de seu planeta natal Golus. Vivendo na estação espacial acima do planeta o jovem perdeu, no entanto, seus pais na ocasião, bem como parte considerável de seu rosto e metade de um dos braços.

Realocado no planeta Naboo, Mapo – que mais tarde provavelmente se tornará o Supremo Líder Snoke – torna-se aprendiz de um artista de rua. Seu novo mestre nos dá pistas sobre o destino de outro personagem da trilogia de preâmbulo de George Lucas…

 

Jar Jar Binks

Em uma curta, porém bastante efetiva aparição no livro, temos uma pista interessante dos dias finais de Jar Jar. Relegado ao ostracismo após o fiasco no Senado Galático em Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith, 2005), Binks sobrevive em Naboo, ganhando a vida como artista de rua.

Mapo se torna seu aprendiz e, considerando como verdadeiras as suposições de que Mapo irá se tornar o Supremo Líder Snoke, talvez as teorias de internet de que Jar Jar seja um Sith não estejam totalmente erradas no fim das contas…

 

O Mandaloriano, Boba Fett e Cobb Vanth

A trilogia Aftermath resgata também acontecimentos imediatamente posteriores à morte de Jabba, o Hutt em Tatooine. Ali, ficamos sabendo como o seu pessoal e seu castelo perseverou por um tempo, mas acabou por definhar e ser abandonado pouco depois, sendo Malakili, o Mestre das Feras responsável pelo Rancor, o último a deixar o lugar.

Também ficamos sabendo que o Sarlacc que devorou Boba Fett ficou exposto no deserto, morto e com suas entranhas saqueadas por Jawas.

Além disso vemos a aparição de um mandaloriano, Cobb Vanth na história. Ex-escravo com um passado misterioso, o personagem indica em um diálogo que “Cobb Vanth” talvez não seja sua identidade original.

Posteriormente, Vanth disputa com um capanga da mineradora Red Key a armadura mandaloriana recolhida pelos Jawas e estabelece, ao lado da Twi’lek Issa-Or e do humano Malakili a lei e a ordem na Cidade Livre.

De uma maneira muito bem orquestrada, Wendig deixa em aberto se Cobb Vanth é ou não o mercenário Boba Fett buscando uma nova vida. Mas, de maneira implícita, o leitor é levado a entender que Boba Fett pode ter sobrevivido ao matar o Sarlaac a partir de seu interior, perdendo a armadura no processo.

Analogamente, o seriado The Mandalorian, que estreou no Disney+ no último dia 12 de novembro, também não deixou claro até aqui se o personagem principal é ou não Vanth.

E tudo isso fica mais interessante a cada dia que passa.

 

General Grievous

Uma das coisas mais divertidas da trilogia é descobrir que, de certa forma, o general do exército droide separatista durante as Guerras Clônicas, o kaleeshiano Grievous, viveu mais uma vez antes de sucumbir novamente, desta vez protegendo seu mestre Temmin Wexley.

Construído por Temmin a partir de uma base de um droide de batalha B1, Senhor Ossudo possui, nitidamente, partes que vieram do corpo robótico de Grievous.

 

 No entanto, a ressurreição do general fica evidente não somente por conta de seus pés em formato de garra, diferentes da configuração de um B1 ou da habilidade giratória de seus braços – o que não é uma característica exclusiva de Grievous -, mas principalmente pela lembrança que volta a Senhor Ossudo de ter empunhado diversos sabre-de-luz, girando-os como uma barreira contra seus inimigos.

No primeiro livro é descrita uma cena em que Temmin revela ter inserido um estilo de batalha de um general das Guerras Clônicas na programação do droide…

 

A Batalha de Jakku

A monumental Batalha de Jakku é, basicamente, o final da trilogia. O cenário caótico em que Rey busca peças para manter seu sustento em Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força é justamente o campo de destroços decorrente desta batalha.

E sim, estamos falando da mesma Batalha de Jakku de Star Wars: Battlefront (2015) e Star Wars: Battlefront II (2017); batalha que também aparece no livro de Claudia Gray, Estrelas Perdidas (Lost Stars, 2015) e muitos outros.

Alguém aí acha que é pouco conteúdo relacionado?


De maneira geral, a grande maioria dos materiais complementares de Star Wars é de interesse para os verdadeiros fãs. Mas a trilogia Aftermath é particularmente bastante acertada e traz um clima muito similar ao dos longas da franquia.

Num crescendo qualitativo do primeiro ao terceiro livro, é um dos componentes imprescindíveis para uma boa apreensão da grandiosidade deste universo que vai seguir ainda por muitos e muitos anos.

Boa leitura!

 

 

Avaliação: Ótimo

 

 

 

Trailer – The Mandalorian

 

 


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