por Alexandre Baptista

 

 

Hoje no Baú de HQs vamos trazer para vocês uma minissérie em 3 edições lançada em 1997 pela Abril Jovem: Star Wars – Império do Mal (Star Wars – Dark Empire, 1991).

Numa época em que os cânones de Star Wars eram diversos, confusos e bastante abertos, Star Wars – Império do Mal foi a primeira tentativa da Marvel em explorar em quadrinhos o tão falado universo expandido da saga.

Muitas obras literárias já haviam solidificado algumas ideias do cânone expandido, sendo a mais notória a Trilogia de Thrawn de Timothy Zhan.

Um detalhe que é importante de ser lembrado antes de começarmos: Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones (Star Wars: Episode II – Attack of the Clones, 2002) ainda estava 5 anos no futuro disso tudo.

O interessante desta HQ é evidenciar como outros autores trabalhavam as ideias dos fatos que estariam por vir após Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi (Star Wars: Episode VI – Return of the Jedi, 1983) e que hoje “não valem mais”, talvez apenas como Legends.

Nesta aventura, 10 anos após a queda da segunda Estrela da Morte, a Aliança Rebelde formou a Nova República e resquícios do Império lutam entre si.

A trama acompanha os personagens principais da saga: Luke, Leia, Han, Chewie, Lando, Wedge Antilles, C3P-0 e R2-D2, em batalhas e aventuras num estilo muito parecido com o dos filmes, seja na introdução realizada pelo famoso letter crawl de abertura, seja pela divisão das narrativas em grupos de ação.

 

O famoso letter crawl da saga dá o tom da aventura já no começo.

 

De um lado, temos Leia, Han, Chewie e os dróides – com participações de Mon Mothma e o Almirante Ackbar em uma trama mais bélica e de combate e aventura; em outra frente, vemos Luke, agora um mestre jedi, se deparando com o retorno de Palpatine – qualquer semelhança até aqui com os livros da Trilogia Aftermath – parte do cânone oficial atual – de Chuck Wendig ou das possibilidades vislumbradas nos trailers de Star Wars: Episódio IX – A Ascensão Skywalker (Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker) não é mera coincidência!

 

A volta de Palpatine em A Ascensão Skywalker não é uma surpresa… para os VERDADEIROS fãs da saga! Bwahahahahaha

 

Aqui, a volta de Palpatine é explicada de maneira muito simples – lembrando que estamos falando do início dos anos 90, auge do projeto genoma e do assunto clonagem em geral: as Guerras Clônicas, mencionadas muitas vezes nos livros do cânone expandido, tratavam do assunto de maneira bastante diversa da forma como foram tratadas no longa de 2002, havendo inclusive lendas sobre jedis que haviam sido substituídos por “clones maus” criados pelos siths; na HQ, Palpatine já havia se preparado para sua eventual derrota em batalha, deixando uma série de corpos clonados a espera de sua consciência (transferida para o corpo clonado através da Força e com auxílio da tecnologia).

 

Hmmm… será que é essa antiga ideia que despertou as expeculações de que a Rey e a Rey Sombria sejam clones?

 

A aventura como um todo vale muito a pena de ser lida atualmente como uma curiosidade daquilo que “poderia ter sido” já que o novo cânone despreza essa HQ. Ou talvez, como referência para coisas que ainda podem ser aproveitadas de alguma forma no capítulo final da saga principal.

Uma das coisas mais interessantes da história é a queda de Luke para o Lado Negro da Força – algo que pode estar sendo sugerido com a Rey Sombria do trailer – e as consequências dessa queda que, obviamente, não vou citar para não dar spoilers para quem ainda não leu a HQ.

A arte, que ficou a cargo de Cam Kennedy não é das minhas preferidas. O traço tem algo de sujo e pouco definido, uma arte-final grosseira e pouco clara. A impressão que dá é de que houve uma tentativa fracassada de mimetizar o estilo utilizado por Lynn Varley na colorização e arte-final sobre o traço de Frank Miller em Ronin (1983).

 

 

Cena de Star Wars: Império do Mal – cores chapadas confundem a visualização da página.

 

Aqui, a arte fica um tanto confusa, sendo um dos raros casos em que eu gostaria de ver a HQ recolorida e com nova arte-final.

Ainda assim, Star Wars: Império do Mal cumpre seu papel como uma boa diversão e um material até melhor do que algumas das coisas que hoje são de fato consideradas cânone na saga principal pela Disney.

Para quem é fã de Star Wars ou está apenas curioso e ansioso pelo filme no final do ano, vale a recomendação.

 

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Sugestão de Leitura (em inglês):

 

 

 


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