por Alexandre Baptista

 

E hoje o Baú de HQs vem com a saga de São Paulo dos Mortos, obra nacional lançada por Daniel Esteves a partir de 2013.

A saga já conta com 4 volumes: teve o primeiro (2013) e o terceiro (2016) volumes financiados através do Catarse. O volume 2 (2014), com menos páginas, conta com uma história fechada; e o volume 4 (2018), o mais recente, lançado na CCXP do ano passado.

O roteiro é inteiramente de Daniel Esteves e a arte conta com participações de Al Stefano, Alex Rodrigues, Alexandre Santos, Lucas Perdomo, Jozz, Samuel Bono, Will, Laudo Ferreira, Omar Viñole, Denis Mello, Wagner de Souza, Wanderson de Souza, Ibraim Roberson, Sueli Mendes, Fernanda Oliver, Pedro Pedrada e Alcimar Frazão ao longo dos quatro volumes.

A premissa pode parecer básica: a distopia urbana de um apocalipse zumbi, nas ruas de São Paulo. No entanto, como o autor revela logo no primeiro volume, por não ser apaixonado pela temática zumbi, ele não se prende a conceitos e cânones, sejam de George A. Romero ou de Robert Kirkman; tampouco faz uma versão tupiniquim de The Walking Dead ou de Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978).

Pelo contrário, São Paulo dos Mortos parece habitar no mesmo universo de outros roteiros de Esteves como Archimedes Bar (2015) – apesar de ser situada no espaço – 147 (2015) e Pelota (2014), uma vez que estabelece diretamente com o leitor uma relação de realidade brasileira inexistente em qualquer outra publicação do gênero.

 

Um dos socos no estômago, Churrasco Grego vem no traço impressionante de Ibraim Roberson.

 

Não é o “universo dos mortos” que chegou a São Paulo… é o universo da Zapata Edições que foi invadido por zumbis. E isso faz toda a diferença: o humor ácido é um dos componentes que mais fala alto nas sequências do primeiro volume, Itaquerão e Com Você no Fim do Mundo; mas é a crítica social e o olhar inusitado que realmente movem as demais sequências, seja em Antes dos Mortos e Carona para o Governador; Churrasco Grego; Zoológico; Vício; e nas ótimas Zegna, Templo e Mortoboy.

 

Deivison, o sensacional Mortoboy, fazendo seus corres nas quebradas… Da ZL ao Templo de Salomão, passando pela Liberdade!

 

Surpreenda-se com algumas inversões inteligentemente manobradas pelo autor, colocando o leitor sob a ótica dos zumbis; a luta pela sobrevivência que na verdade é só “mais um corre” para o trabalhador subempregado de São Paulo; as hordas violentas e sanguinárias do esquadrão especial da PM (zumbi) do governo do estado; as elites religiosas que dominam hordas acéfalas de fiéis, digo, mortos-vivos… e muito mais.

 

Aqui é Curíntia! Arquibancada do Itaquerão não ficou muito diferente após o apocalipse…

 

Daniel Esteves não inventou a roda em São Paulo dos Mortos. Nem a Ferrari em nenhum de seus famosos modelos automobilísticos. Afinal, quem disse que você precisa necessariamente inventar alguma coisa para fazer um excelente uso dela?

Toda a saga dos zumbis de Daniel Esteves é leitura obrigatória para os fãs de quadrinhos de alta qualidade e com um pouco mais de profundidade, que servem para algo muito além do simples entretenimento, mas sem deixarem de ser divertidos, empolgantes e surpreendentes.

 

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